Analogia do avião agosto 20, 2009
Posted by Gustavo Reichenbach in : Filosofia , 1 comment so farSupondo que não existissem aviões, nem passaros e nem nada que voasse, e alguém acreditasse que fosse possível fazer com que um objeto com 100 toneladas de metal fosse capaz de voar desde que devidamente transformado e adaptado.
Hoje nos é normal vermos aviões desse porte ou ainda maiores e mais pesados voarem. Mas se nunca tivessemos visto um avião voando, seria natural crer que seria impossível um objeto tão pesado voar.
A ciência tornou isto capaz, através de muito estudo e calculos, e com o trabalho conjunto de muitas pessoas. Imagine o quanto seria dificil uma unica pessoa construir sozinha tal aparelho. Comparo essa dificuldade, com a dificuldade de alguém formar opinião de forma racional sobre a existência ou não de Deus.
Destaco essas dificuldades a seguir:
1) Os misterios da nossa existência e do nosso universo (pondo a existência ou não de Deus de lado, por enquanto), estão muito além do que a ciência humana é capaz de atingir.
2) Nossos conhecimentos e razões individuais como humanos limitados que somos, estão muito além do conhecimento total do ser humano.
Ou seja, as nossas unicas ferramentas pra se formar uma opinião são a ciência, a filosofia, e os nossos cinco sentidos humanos, ressaltando que nenhuma dessas ferramentas é adequada para um contato inegavel com o mundo espiritual, restando apenas a fé. A dificuldade de se confiar unicamente na fé, é que a fé por si só é irracional. O ser humano não gosta de acreditar e sim quer saber a verdadeira verdade, que infelizmente não é encontrada na razão e sim na ousadia da fé.
Com isso considero que é muito precipitado tomar alguma conclusão como definitiva, principalmente em uma questão com tantos desdobramentos filosóficos e científicos sobre Deus e a existência.
Devido a nossa limitação, é muito simples formarmos sofismas e abordar questões complexas, não materiais, não mensuraveis, de forma incorreta e com as ferramentas incorretas, obtendo resultados aparentemente coerentes, mas totalmente errados.
Considero que o ateísmo pode facilmente ser um sofisma, um grande erro de interpretação da nossa realidade, trazida por uma ciência ainda em desenvolvimento.
Por essa razão, simpatizo tanto intelectualmente com o agnosticismo. Seria natural a duvida se toneladas de metal seriam capazes de voar, assim como é natural a duvida a respeito de um possível criador.
Repito, o ateísmo é uma decisão precipitada. Embora racionalmente o teísmo também seja precipitado, é a unica excessão que eu considero que o risco de não se agir racionalmente, mas sim pela fé, é uma decisão sábia.
Teoria antrópica como evidência de um criador agosto 17, 2009
Posted by Gustavo Reichenbach in : Ciências , 3commentsO comportamento do universo é regido por leis físicas que descrevem o comportamento de uma simples partícula subatômica, ou a explosão de uma estrela.
O fato é que um universo como o nosso é extremamente improvavel, mas ainda assim existe. Os céticos acreditam que surgiu ao acaso, talvez através de um multiverso, onde cada universo adotaria diferentes configurações, e estaríamos em um onde foi possível a vida surgir, e estamos aqui questionando como o universo foi afinado. Essa idéia chama-se teoria antrópica.
Porém, mesmo com a idéia de multiverso, seriam necessarios um numero absurdo de universos criados ao acaso, para que apenas um fosse capaz de abrigar vida.
Não seria exagero afirmar que um universo com vida para um trilhão de universos desabitados seria um exagero. Existem trilhões de formas de se fazer uma “receita” errada, mas pouquíssimas formas corretas.
Se a origem do universo foi ao acaso, todas as receitas (certas e erradas) teriam probabilidades iguais, logo nosso universo é extremamente improvavel de surgir ao mero acaso.
É nessa improbabilidade que vejo a mão de um criador, ainda que não seja o deus cristão.
Vejo a teoria antrópica dividida em duas partes.
1) Pra surgir vida é necessario ingredientes como agua, luz e calor, além de uma ampla variedade de substancias inorgânicas. Porém, em nosso universo existe uma enorme quantidade de galaxias, cada uma com bilhões de planetas orbitando estrelas. Estatisticamente essa grande oferta de ambientes diversos favorece a origem da vida, pois em algum desses planetas os requisitos seriam preenchidos, e isso supostamente dispensaria um criador para nossa existência.
2) A 2ª parte da teoria antrópica é mais primaria. Atomos, eletrons, energia, massa, moleculas são rótulos criados por nós pra definir alguns conceitos existentes em nosso universo. Mas se as constantes tivessem valores ligeiramente diferentes dos que temos hoje, muito provavelmente teríamos um universo incapaz de abrigar vida, seja aqui ou a bilhões de anos-luz, pois as leis da física são as mesmas em todo o universo.
Chamo o item 1 de 1º gargalo redutor de possibilidades de vida, basta observar que encontrar vida em outros planetas não tem sido uma tarefa simples.
Sobre o item 2, batizei (na falta de nome melhor) de 2º gargalo redutor de probabilidades de vida. Por exemplo, uma pequena alteração pra menos na resistência com que atomos se fundem sobre a pressão gravitacional ocorrendo a fusão nuclear, e qualquer planeta se tornaria uma estrela. Se essa alteração na resistência fosse pra mais, teríamos planetas ultra-gigantes. Em ambas situações a vida seria impossível, o segredo está neste sensível equilibrio.
Qual a probabilidade deste sensível equilibrio ocorrer sozinho? Muito pequena, e este é apenas um exemplo entre tantos outros, o que torna um criador ainda mais provavel.
Podemos fazer uma analogia sobre as probabilidades que citei. Imagine que a demanda de características favoraveis para a vida sejam características de uma loteria, já que sem um criador (seja Deus ou o deus monstro espaguete voador) tudo seria criado ao acaso.
Pois bem, pro 1º gargalo temos a favor muitos bilhões de planetas (apostadores), o que favorece que algum ou alguns ofereçam condições para a vida. Tais planetas serem vencedores nessa loteria cósmica. Ok, pro 1º gargalo um criador é dispensavel.
No caso do 2º gargalo, seriam necessarios um numero tão grande de universos (apostadores) dentro de um multiverso, quanto a quantidade de planetas que temos em nosso universo, para que as constantes fossem afinadas ao acaso de modo que a vida pudesse surgir e tivessemos um universo “vencedor” como o nosso. A idéia de multiverso não é absurda, mas meramente especulativa e ainda assim um universo como o nosso seria improvavel, talvez na proporção de um trilhão de universos desabitados para quinhentos habitados (sendo otimista), ou seja, ainda assim seria improvavel.
É nessa improbabilidade que vejo de forma quase inegavel, a mão de um criador. Considero um fato improvavel uma mera coincidência, varios fatos improvaveis e em harmonia um milagre verdadeiro, uma “assinatura” de Deus.
- Pra saber mais clique nos links abaixo:
- Nas palavras do físico Freeman Dyson, parece que o ‘Universo sabia que estávamos chegando’. O Universo não se assemelha a um lance de dados aleatório. Parece pura e simplesmente proposital.”
Destaco os trechos a seguir:
A premissa da asserção do universo bem afinado é que uma pequena mudança em várias das aproximadamente 26 constantes físicas fundamentais adimensionais tornaria o universo radicalmente diferente: se, por exemplo, a força nuclear forte fosse 2% mais forte do que é (isto é, se a constante associada representando sua força for 2% maior), diprótons seriam estáveis e o hidrogênio se fundiria em diprótons em vez de deutério e hélio. Isto alteraria drasticamente a física das estrelas, e presumivelmente impediria o universo de desenvolver vida como ela é observada atualmente na Terra.
Larry Abbott escreveu: “o pequeno valor da constante cosmológica está nos dizendo que uma relação notavelmente precisa e totalmente inesperada existe entre todos os parâmetros do Modelo Padrão da física de partículas, a constante cosmológica e uma física desconhecida.” John Polkinghorne.
É simples observar nestes links que um universo criado ao acaso, por forças cegas, seria absurdamente improvavel de surgir sozinho. Vale lembrar ainda que uma mudança mínima em uma variavel altera todo o conjunto, gerando uma cascata de efeitos, como citado na teoria do caos. Uma mudança aparentemente inofensiva, poderia gerar uma catastrofe universal por uma consequência indireta.
Concluo que nos bastidores do universo, existe um projeto sobrenatural que manipula cada variavel natural, como fios que movem uma marionete. Os céticos observam apenas as regras naturais do jogo, mas negligenciam o exímio jogador sobrenatural.
Por que Deus não prova sua existência? julho 29, 2009
Posted by Gustavo Reichenbach in : Apologética cristã , add a commentEssa é sem duvida uma das perguntas mais feita por todos, sejam ateus, agnósticos ou teístas. De fato é um grande misterio, e do ponto de vista cristão resta crer que Deus tenha fortes motivos para não se revelar de forma inegavel pra toda a humanidade.
Um motivo que acredito ser bastante forte pra que Deus não se revele, é que teríamos a certeza do julgamento de Deus, ou seja, se Deus se provasse, automaticamente teríamos uma ditadura divina, pois saberíamos que qualquer ato nosso seria observado e julgado.
Seria o fim da nossa liberdade, e Deus não quer isso. Acredito que a duvida seja primordial pro nosso verdadeiro livre-arbítrio ser mantido.
Talvez Deus tenha outros motivos ainda mais fortes pra não se revelar, é impossível saber, ao menos neste plano material.
Como costumo dizer, formar qualquer opinião como sendo verdade é muito perigoso, e facilmente pode ser criadas conclusões errôneas, criando sofismas.
Somente quem tem a ousadia da fé, obtem provas pessoais, e digo por experiência própria, que ainda que eu não entenda o perfil de Deus e do sobrenatural, sinto seus efeitos de forma inegavel. Infelizmente provas pessoais são pessoais e intransferíveis.
O sobrenatural de Deus é uma porta que só abre com a chave da fé.
Ciência: a obcessão pelo mensuravel julho 28, 2009
Posted by Gustavo Reichenbach in : Ciências , add a commentNão me entendam mal, sou um grande fã da ciência. A minha crítica vai ao uso dela para se descrever a nossa realidade, embora ela seja eficaz na descrição do mundo material. Se assumirmos a hipotese de que o mundo espiritual possa existir, e não for detectado pela ciência, teremos a idéia errônea de que o mundo espiritual inexiste.
A ciência por si, necessita obrigatoriamente de dados para se realizar experimentos de forma empírica. A inexistência desses dados não torna o pressuposto incorreto, apenas inconclusivo. Como mensurar um ente espiritual? É perfeitamente racional dizer que nesse caso, ausência de evidências não é evidência de ausência.
Simplesmente concluir que o mundo espiritual não existe, não é uma postura sabia.
Com o passar dos seculos, o homem foi desenvolvendo as mais diversas ferramentas, e aprimorando seu intelecto. Pra cada situação, uma ferramenta mostra-se a mais adequada. Por exemplo, pra se exercer a advocacia, devemos estudar direito. Pra se tornar médico, devemos estudar medicina. A unica forma correta de se ter um contato com Deus, é na vida cristã e estudando teologia, e NUNCA estudando a ciência.
Basear-se na ciência pra formar uma opinião sobre a questão espiritual, é uma resposta míope e incompleta da nossa realidade. Você deixaria um advogado lhe fazer uma cirurgia médica? Qualquer pessoa com bom senso diria que não. Dessa forma, por que deixar a ciência lhe dar como inexistente o mundo espiritual?
A unica busca real por respostas espirituais, deve ser feita com ferramentas espirituais. Respostas extraordinarias, exigem medidas extraordinarias.
Leia também a analogia do avião.
Evangelizando pela razão?! julho 3, 2009
Posted by Gustavo Reichenbach in : Apologética cristã , add a commentSaudações.
Criei o blog com intenção de trocar algumas idéias sobre Deus sob a ótica principalmente da razão e da ciência, porém a questão espiritual não será esquecida.
Vale lembrar que:
1) Deus não se prova, no máximo se evidencia.
2) Em erros de religiosos, Deus é inocente.
3) Religiosidade não significa carater bom ou ruim.
4) O dízimo é uma ferramenta espiritual e de fé, não extorsão.
5) A ciência é uma ferramenta inadequada pra se buscar a Deus.
6) Generalizar é meio caminho pro preconceito.
7) Deus se manifesta somente pra quem o busca. É crer pra ver e não ver pra crer.
8 ) Deus respeita seu livre-arbítrio, mesmo que não se agrade das suas decisões.
9) Acredito que ciência e a teologia ainda virão a convergir, sendo o ateísmo uma decisão precipitada.
10) Busco a verdade seja ela qual for, pois não existem verdades absolutas.
Solicito respeito nas postagens, postagens agressivas ou com palavrões serão apagados.
Seja bem vindo e participe deste agradavel debate. Grande abraço.

