Estrutura Noética e Perfeição dos Entes julho 12, 2011
Posted by Douglas Lisboa in : Sem categoria , trackbackPor: Douglas Lisboa
Deus criou seres perfeitos. Mas como Deus poderia criar seres perfeitos? Seres perfeitos não são submetidos ao tempo e nem podem escolher o pecado em vez da perfeição. Ademais, existem muitas coisas que o ser perfeito é que não se enquadra no perfil dos seres paradisíacos. Então, será que Deus não criou seres perfeito?
Penso que as criaturas paradisíacas eram sim perfeitas. Você deve estar achando que não estou de acordo com algumas obrigações intelectuais quanto ao sentido lógico da palavra. Eu não estou violando a semântica da palavra perfeição. A filosofia não faz esse tipo de coisa. Isso seria arbitrário. O que a filosofia faz, é aprofundar o sentido da palavra para achar alguns conceitos “diferentes” do que estamos acostumados a ouvir superficialmente. Com a palavra perfeição não é diferente.
Comecemos dizendo aquilo que Deus é perfeito. Por isso, Ele é imutável, atemporal, absolutamente intelectual, racional, omnisciente, omnipotente e totalmente bom. Ou seja, Deus é pleno. Eis a questão, Deus é perfeito no sentido de plenitude. É a perfeição plena, universal, objetiva.
Agora, eu sou um arquiteto. Decido fazer uma casa para mim. A casa seria a casa dos meus sonhos e já reparei que tenho condições financeiras e intelectuais para tê-la. Eu separo um tempo necessário para fazer a planta da casa com todas as medidas que preciso. Quando a planta fica pronta, eu fico então satisfeito com o tamanho e apenas preciso passar aquela idéia para a realidade. Começo então a construir minha sonhada casa. Demoro bastante tempo até que ela fique pronta e quando ficou, percebo “que tudo era bom”. Aquela casa estava perfeita para mim. Eu estava inteiramente satisfeito e entusiasmado, pois a casa a qual eu criei, era a casa ideal.
Essa pequena estória ilustra um conceito de perfeição diferente do primeiro que é atribuído à natureza de Deus. Podemos dizer que é um tipo de perfeição subjetiva. Ora, a casa pode não ser boa para outra pessoa, mas ela é perfeita para mim, pois ela é a
casa a qual idealizei. Logo, perfeição subjetiva é tudo aquilo que você cria perfeitamente como está na sua idéia. Em outras palavras, é aquilo que está intrínseca a sua estrutura noética. Eu pintei um quadro e ele ficou apropriadamente do modo a qual planejei na minha estrutura noética. Esta condição de perfeição não precisa ser válida para o mundo externo a sua estrutura noética e sim interna. Alguém poderia dizer que o seu quadro não era perfeito. Isso não faz sentido já que quem disse não tinha imaginado um quadro como o pintor havia imaginado. Portanto, algo só é subjetivamente perfeito quando o valor é externado pelo agente cognitivo da obra.
Agora, a obra nunca poderá dizer que ela não é perfeita, pois ela foi criada para ser aquilo que é. Perfeita aos olhos do agente cognitivo. A obra ou o objeto criado é feito e funciona apropriadamente da forma como foi criado pelo sujeito criador.
No livro de Genesis Deus diz que tudo o que tinha sido feito era bom. Ora, Deus estava satisfeito com a sua obra. Vemos que Deus como um ser objetivamente perfeito, nos criou perfeitos. Ele nos criou propositalmente dessa forma (quando paradisíacos). Nós objetos direta e intrinsecamente ligados à estrutura noética de Deus. Somos a própria inteligência tangível do Pai. Fomos criados perfeitamente como Deus tinha planejado que fôssemos e com isso, os seres paradisíacos eram perfeitos. Funcionamos apropriadamente, quando funcionamos de acordo com os planos de Deus ontologicamente.


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