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	<title>Evangelizando pela Razão?!</title>
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	<description>O sobrenatural de Deus na visão da razão e da ciência.</description>
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		<title>Sofisticação Intelectual e Crença Básica em Deus</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 04:02:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Douglas Lisboa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Crença Básica Deus Sofisticação]]></category>

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		<description><![CDATA[Créditos: Apologia.com
Por Alvin Plantinga
Tradução: Vitor Grando
Em “Reason and Belief in God” [Razão e Crença em Deus], eu sugeri que proposições como:
1. Deus está falando comigo.
2. Deus desaprova o que eu fiz, e
3. Deus me perdoa pelo que eu fiz.
São propriamente básicas para pelo menos alguns crentes em Deus; existe um vasto conjunto de condições, eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Créditos: Apologia.com</p>
<p>Por Alvin Plantinga</p>
<p>Tradução: Vitor Grando</p>
<p>Em “Reason and Belief in God” [Razão e Crença em Deus], eu sugeri que proposições como:</p>
<p>1. Deus está falando comigo.</p>
<p>2. Deus desaprova o que eu fiz, e</p>
<p>3. Deus me perdoa pelo que eu fiz.</p>
<p>São propriamente básicas para pelo menos alguns crentes em Deus; existe um vasto conjunto de condições, eu sugeri, nas quais tais proposições são, de fato, propriamente básicas. E quando eu disse que essas crenças são propriamente básicas, eu tinha mente o que Quinn chama de concepção estreita da relação de base[1]. Eu estava presumindo que uma pessoa S aceita uma crença A sobre a base de uma crença B somente se (aproximadamente) S acredita tanto em A e B e possa corretamente alegar (se refletir) que B é parte de sua evidência para A. A Crença de S de que há um erro em algum argumento contra P não será tipicamente uma crença sobre as bases das quais ela aceita P e não será parte de sua evidência para P[2].</p>
<p>Isso é importante pela seguinte razão. Ao argumentar que a crença em Deus é propriamente básica, eu pretendo refutar a alegação feita pelo objetor evidencialista: a alegação de que o teísta que não tem nenhuma evidência para o teísmo é, de alguma forma, irracional. O que o objetor evidencialista objeta contra, entretanto, não é somente à crença em Deus quando não se tem uma resposta para objeções ao teísmo tais como o argumento do mal. Ele admite que o teísta pode perfeitamente ter uma resposta para essa objeção e para outras; mas enquanto ele não tiver nenhuma evidência para a existência de Deus, ele diz, o teísta não pode crer racionalmente. Da forma como o objetor evidencialista pensa em relação à evidência, então, você não tem evidência para uma crença simplesmente refutando objeções contra esta; você deve ter também algo como um argumento a favor da crença, ou algum raciocíonio positivo para pensar que a crença é verdadeira. Eu penso que essa concepção de evidência é uma concepção apropriada; mas em todo caso é a concepção relevante, visto ser a concepção de evidência que o objetor evidencialista tem em mente ao alegar que o teísta sem evidências é irracional.</p>
<p>Da forma que eu vejo isso, então proposições como (1) &#8211; (3) são propriamente básicas para muitas pessoas, incluindo adultos intelectualmente sofisticados como eu e você. Quinn discorda: “…eu concluo que muitos, talvez a maioria, dos teístas adultos intelectualmente sofisticados da nossa cultura estejam pouco, se sequer alguma vez, em condições de estarem certos de que proposições como as expressas por (1) – (3) sejam propriamente básicas para eles.”[3] Por que isso? Eu acredito que Quinn tende a concordar, primeiro, que existem condições nas quais tais crenças são propriamente básicas para uma pessoa; tais condições podem ser tais como uma criança que foi criada por pais crentes, ou talvez um adulto numa cultura na qual céticos não produziram os tipos de razões para rejeitar a crença teísta que estão na moda hoje. O problema para adultos intelectualmente sofisticados na nossa cultura, ele diz, é que existem muitos possíveis invalidadores da crença teísta disponíveis; e temos razões substanciais para pensarmos que tais invalidadores são verdadeiros. Um tipo de invalidador para uma crença (do tipo que Quinn se ocupa aqui) é uma proposição imcompatível com a crença; Quinn cita</p>
<p>4. Deus não existe </p>
<p>como um possível invalidador do teísmo. E o problema para o teísta adulto intelectualmente sofisticado da nossa cultura, afirma Quinn, é que foram produzidas muitas razões para se acreditar na proposição (4).</p>
<p>Existem invalidadores para a crença teísta, então; na presença de invalidadores, uma crença que, em outras circunstâncias, seria propriamente básicas pode não mais ser uma crença propriamente básica. Para ser mais exato, de acordo com Quinn:</p>
<p>parece plausível supor que as condições estão certas para proposições como aqueles expressas por (1) &#8211; (3) serem… propriamente básicas para mim somente se (i) ou eu não tenho razão substancial suficiente para pensar que qualquer desses possíveis invalidadores são verdadeiros, ou eu tenho tal razão, mas para cada razão eu tenho uma razão ainda melhor para pensar que os invalidadores são falsos, e (ii) em ambos os casos minha situação não envolve nenhuma negligência epistêmica de minha parte.[4]</p>
<p>Quinn avança e diz que ele não está nessa condição bem-aventurade em relação à crença teísta; ele conhece razões substanciais, ele diz, para acreditar que (4) é verdade, e não tem uma razão ainda melhor para supor que as razões que ele tem para acreditar em (4) sejam falsas. Então (por Q*) a crença em Deus não é propriamente básica para ele; e ele suspeita que o mesmo vale para o resto de nós.</p>
<p>Nisso eu estou em desacordo profundamente. Precisamos primeiro perguntar quais são essas “razões muito substanciais” para pensar que o que (4) expressa é verdade.[5] Quais seriam alguns exemplos de tais razões substanciais para o ateísmo? Quinn responde: “razões ateológicas não-triviais, variando desde vários problemas em relação ao mal até teorias naturalistas de acordo com as quais a crença teísta é ilusória ou simplesmente projetiva, são um componente universal da porção racional da nossa herança intelectual.”[6] Então tais razões substanciais para pensar que o teísmo é falso seriam o argumento do mal junto com teorias de acordo com as quais a crença teísta é ilusória ou simplesmente projetiva; aqui talvez Quinn tenha em mente as teorias Marxistas e Freudianas em relação à crença religiosa.</p>
<p>Eu deveria observar imediatamente que as teorias Marxistas e Freudianas que ele faz alusão não parecem ser nem mesmo razoavelmente convincentes se tomadas como razões para acreditar em (4), ou como evidência da não-existência de Deus, ou como razões para rejeitar a crença em Deus. As insignificantes especulações de Freud sobre a origem psicológica da religião e as alegações descuidadas de Marx sobre o papel social da religião não podem ser tomadas como razão ou argumento para (4), isto é, para a não-existência de Deus; tomadas desta forma elas nada mais são do que exemplos da simplória falácia genética. Se tais especulações e alegações tem um papel respeitável a realizar, pode até exercer tal papel como explicação naturalista para a ampla aceitação da crença religiosa, ou talvez tentar desacreditar uma crença religiosa traçando-a em direção à uma fonte desonrosa. Mas é claro que isso não constitui nada como evidência para (4) ou uma razão para pensar que o teísmo é falso. Alguém pode citar isso como evidência para a existência de Deus, São Paulo alega (Romanos 1) que a falha em crer em Deus é resultado do pecado e da rebeldia contra Deus. Nenhuma das teorias naturalistas de acordo com as quais o teísmo é ilusório ou simplesmente projetivo parece ter alguma força como argumento ou evidência para a não-existência de Deus – embora elas possam ser interessantes de outras formas.</p>
<p>Isso nos deixa com o argumento ateológico do mal como a única razão substancial para pensar que(4) é verdade. E inicialmente esse argumento parece ser muito forte como razão para rejeitar a crença teísta. Mas será realmente? Até recentemente, a maioria dos ateólogos que insistiam num argumento do mal afirmavam que</p>
<p>5. Deus existe e é onisciente, onipotente, e totalmente bom.</p>
<p>é logicamente incompatível com a proposição</p>
<p>6. existe uma quantidade 10x¹³ de mau.</p>
<p>(onde (6) é só uma maneira de se referir a todo o mal que o mundo apresenta). Hoje em dia, acredito que os ateólogos já desistiram de alegar que (5) e (6) são imcompatíveis[7]. O que eles agora dizem é que (5) é improvável em relação a (6); e Quinn (ele próprio, é claro, não é ateólogo) diz, “O que eu sei, parcialmente pela minha experiência e parcialmente por testemunho, sobre a quantidade e variedade da mal não-moral no universo confirma fortemente para mim a proposição expressa por(4).”[8] Mas será realmente verdade? Será que o que Quinn e o resto de nós sabe sobre a quantidade e variedade do mal não-moral no mundo confirma fortemente a não-existência de Deus? Esse não é o lugar para entrar numa discussão sobre esse difícil e complicado problema (difícil e complicado ao menos em parte devido ao caráter difícil e confuso da noção da confirmação); para o que é importante, entretanto, eu não vejo que esse argumento é bem sucedido. Até onde eu posso ver, nenhum ateólogo proveu uma forma bem sucedida e persuasiva de desenvolver um argumento ateológico do mal probabilístico; e eu acredito que há boas razões para pensar que isso não pode ser feito[9] Eu estou, portanto, bastante inclinado a duvidar que (6) “invalida fortemente” (5) para Quinn. No mínimo o que precisamos aqui é alguma explicação para mostrar como (ou até aproximadamente como) essa invalidação deve prosseguir.</p>
<p>Então primeiro, essas alegadas razões substanciais para rejeitar o teísmo exigem uma boa dose de ceticismo. Mas em segundo, até mesmo se admitirmos que há tais razões, a conclusão de Quinn não seguiria a partir daí; isso é porque (Q*), como é colocado, é claramente falso. A sugestão é que se eu tiver uma razão substancial para pensar que algum invalidador de uma proposição (por exemplo, sua negação) é verdadeiro, então eu não posso tomar apropriadamente a proposição como básica a menos que eu tenha uma razão ainda maior para pensar que o invalidador em questão é falso. Mas certamente isso é exigir muito. Supomos que um ateólogo me dê um argumento inicialmente convincente para pensar que (5) é, de fato, extremamente improvável em relação a (6). Mas para derrotar esse invalidador em potencial, eu não preciso saber ou ter razões muito boas para pensar que é falso que (5) seja improvável em relação à (6); bastaria mostrar que o argumento do ateólogo (para a alegação de que (5) é improvável em relação à (6)) é mau sucedido. Para derrotar esse invalidador em potencial, tudo que eu preciso fazer é refutar esse argumento; eu não estou obrigado a ir além e produzir um argumento para a negação de sua conclusão. Quinn encara</p>
<p>(4) Deus não existe</p>
<p>como um invalidador potencial para as proposições (1) – (3); mas para invalidar o invalidador potencial oferecido por um argumento para (4) eu não preciso necessariamente ter algum argumento a favor da existência de Deus. Existem invalidadores defensivos como também invalidadores ofensivos.[10]</p>
<p>Há um outro e mais sutil ponto aqui. Quinn parece estar pensando nas seguintes linhas: supomos que eu tome alguma proposição como básica, mas tenha evidência substancial, a partir de outras coisas que eu creio, para a existência de algum invalidador dessa proposição – uma proposição com a qual seja incompatível. Então (de acordo com Q*) eu sou irracional se eu continuar a aceitar a proposição em questão, a menos que eu tenha boas evidências para a falseabilidade do invalidador. Então se eu aceito uma proposição P, mas acredite ou saiba de outras coisas que constituem uma forte evidência a favor de um invalidador Q de P, então, diz Q*, se eu não quiser ser irracional em continuar a aceitar P como básico, eu tenho que ter uma razão para pensar que Q é falso, uma razão que seja mais forte do que as razões que eu tenho para pensar que Q é verdadeiro.</p>
<p>Agora, minha pergunta é: poderia o próprio P ser minha razão para pensar que Q é falso? Ou essa razão deve ser alguma proposição distinta de P? Considere um exemplo. Eu estou tentando conseguir uma membresia no National Endowment for the Humanities; eu escrevo uma carta para um membro, tentando suborná-lo à escrever para o Endowment uma carta me elogiando; ele se recusa indignado e manda uma carta para o meu diretor. A carta desaparece misteriosamente do escritório do diretor. Eu tenho um motivo para roubar a carta; eu tenho uma oportunidade para fazê-lo; eles sabem que eu já fiz esse tipo de coisa no passado. Além do mais, um membro bastante confiável do departamento alega ter me visto entrando no escritório do diretor na hora que a carta provavelmente foi roubada. A evidência contra mim é muito forte; meus colegas me repreendem por tal comportamento e me tratando com um desgosto evidente. Mas a verdade, entretanto, é que eu não roubei a carta e, de fato, eu passei toda a tarde em questão numa caminhada solitária pela floresta; além do mais eu me lembro claramente ter passado tal tarde caminhando pela floresta. Assim eu acredito de forma básica em</p>
<p>(7). Eu estava sozinho na floresta naquela tarde, e eu não roubei a carta. </p>
<p>Mas eu tenho forte evidências para a negação de (7). Por eu ter as mesmas evidências que todos os outros de que eu estava no escritório do diretor e tenha pego a carta; e essa evidência é suficiente para convencer meus colegas (que são justos e inicialmente bem dispostos em relação à mim) da minha culpa. Eles estão convencidos de que eu peguei a carta baseado no que eles sabem, e eu sei tudo que eles sabem. Então eu tomo (7) como básico; mas eu tenho uma razão substancial para acreditar num invalidador de (7). De acordo com Q*, se eu afirmar que sou racional nessa situação, eu devo ter uma razão ainda melhor para crer que esse invalidador em potencial seja falso. Mas eu tenho? Bem, a única razão que eu tenho para pensar que esse invalidador em potencial é falso é somente o próprio (7); eu não tenho nenhuma razão independente para pensar que o invalidador é falso (A garantia que eu tenho para (7) é garantia não-proposicional; essa garantia não é conferida à (7) em virtude de crer nessa proposição devido a alguma outra proposição, pois não é me baseando em alguma outra proposição que eu acredito em (7))</p>
<p>Nessa situação é óbvio que eu sou perfeitamente racional em continuar a acreditar em (7) de forma básica. A razão é que nessa situação o status epistêmico positivo ou garantia que (7) tem para mim (por virtude de memória) é maior do que aquela conferida ao invalidador em potencial pelas evidências que eu compartilho com meus colegas. Nós poderíamos dizer que o próprio (7) invalida o invalidador em potencial; nenhuma razão além dessa é necessária para negar o invalidador para que, então, eu possa ser racional. Supomos que nós disséssemos que nesse tipo de situação uma proposição como (7) é um invalidador intrínseco do invalidador em potencial. Quando uma crença básica P tem mais garantia do que um invalidador potencial Q de P, então P é um invalidador intrínseco do invalidador Q – um invalidador intrínseco de um outro invalidador, poderíamos dizer. (Uma crença R é um invalidador extrínseco de um outro invalidador se ela invalida um invalidador Q de uma crença P distinta de R)</p>
<p>Então minha questão aqui é essa: como Quinn está pensando em relação a essas razões para pensar que a proposição invalidadora é falsa? Eu tendo a crer que ele quer que Q* seja lido de tal forma que essas razões tenham que ser invalidadores extrínsecos de invalidadores; mas se for assim, então seu princípio, eu penso, é claramente falso. Por outro lado, talvez deva ser entendido como dizendo algo como:</p>
<p>Q** se você crê em P de forma básica e você tem razão para acreditar num invalidador Q de P, então se você quer ser racional em continuar a crer em P dessa forma, P deve ter mais garantia para você do que Q.</p>
<p>Não estou certo se esse princípio é correto, mas eu também não quero debatê-lo. O ponto central, entretanto, é que se uma crença P é propriamente básica em certas circunstâncias, então tem garantia ou status epistêmico positivo naquelas cirscunstâncias nas quais é propriamente básica-garantida, mesmo quando não é crida baseando-se em evidências de outras proposições. (Por hipótese ela não é crida sobre as bases de evidências de outras proposições). Para ser bem-sucedido, um invalidador em potencial para P deve ter tanto ou mais garantia quanto P tem. E P pode suportar o desafio feito por um determinado invalidador mesmo se não existirem evidências independentes que sirvam para refutar o invalidador em questão; talvez a garantia não-proposicional que P usufrui seja suficiente em si mesma (como acima no caso da carta perdida) para resistir ao desafio.</p>
<p>Mas como isso se aplica ao caso em questão, o caso da crença em Deus e os alegados invalidadores que Quinn menciona? Como segue. Se há circunstâncias nas quais a crença em Deus seja propriamente básica, então nessas circunstâncias tal crença tem um certo grau de garantia ou status epistêmico positivo. Agora suponha que um invalidador em potencial surja: alguém alega que a existencia de 10x¹³ de mau torna o teísmo improvável, ou ele alega que a crença teísta surge a partir de nada mais honrado do que um tipo de neurose humana comum. Duas questões surgem. Primeiro, como o grau de garantia não-proposicional usufruida pela sua crença em Deus está em comparação com a garantia possuída pelo alegado invalidador em potencial? Poderia ser que sua crença, mesmo se aceita como básica, tenha mais garantia do que o invalidador proposto e dessa forma constinui um invalidador intrínseco de um invalidador. Quando Deus falou à Moisés do meio da sarça ardente, a crença de que Deus estava falando à ele, eu me atrevo a dizer, tinha mais garantia para ele do que teria a garantia oferecida por sua negação proposta por um antigo Freudiano que passava por ali e propôs a tese de que a crença em Deus é uma questão de satisfação de desejo neurótica. E segundo, existem qualquer invalidador extrínseco para esses invalidadores? Alguém argumenta que a existência de uma quantidade 10x¹³ de mal é inconsistente com a existência de Deus; eu talvez tenha aí um invalidador extrínseco para esse invalidador em potencial. Esse invalidador-invalidador não precisa ter a forma de uma prova de que essas proposições são, de fato, consistentes; se eu ver que o argumento não é razoável, então eu também tenho um invalidador para ele. Mas eu sequer precisava ter um invalidador. Talvez eu não seja nenhum expert nesses assuntos mas aprenda a partir de fontes confiáveis que alguém tenha mostrado que o argumento não é razoável, ou que os experts estão divididos em relação à sua razoabilidade. Então, também, eu tenho ou posso ter um invalidador para o invalidador em potencial em questão, e posso continuar a aceitar a crença teísta como básica sem irracionalidade.</p>
<p>Para concluir: Quinn alega que adultos teístas intelectualmente sofisticados da nossa cultura raramente estão em circunstâncias epistêmicas nas quais a crença em Deus seja propriamente básica; pois eles tem razão substancial para pensar que algum invalidador do teísmo seja verdadeiro, e não tem, para cada um desses invalidadores, uma razão ainda maior para pensar que são falsos. Mas primeiro, não é necessário que eles tenham razões independentes de sua crença em Deus para a falseabilidade e tais invalidadores. Talvez a garantia não-proposicional usufruida pela sua crença em Deus é, em si mesma, suficiente para devolver os desafios oferecidos pelos invalidadores, então minha crença teísta é um invalidador intrínseco de outros invalidadores. E segundo, invalidadores extrínsecos dos alegados invalidadores não precisam ser evidência para a falseabilidade de tais invalidadores; ao invés disso, eles podem ser enfraquecedores de tais invalidadores; eles podem ser, por exemplo, refutações de argumentos ateológicos (E aqui os filósofos Cristãos podem servir muito bem ao resto da comunidade Cristã). Minha opinião é que para muitos teístas, a garantia não-proposicional que a crença em Deus tem para eles é, de fato, maior do que os alegados invalidadores da crença teísta – por exemplo, as teorias Freudianas e Marxistas sobre religião. Além do mais, existem poderosos invalidadores extrínsecos para esse tipo de invalidadores do teísmo que Quinn sugere. O argumento ateólogico do mau, por exemplo, é formidável; mas existem invalidadores igualmente formidáveis para esse invalidador em potencial. Logo, eu estou inclinado a acreditar que a crença em Deus é propriamente básica para a maioria dos teístas – mesmo os adultos teístas intelectualmente sofisticados.</p>
<p>Notas<br />
[1]Philip Quinn, “In Search of the Foundations of Theism,” Faith and Philosophy 2 (October 1985): 20-1.</p>
<p>[2]Faith and Rationality, ed. A. Plantinga and N. Wolterstorff (South Bend: The University of Notre Dame Press, 1983), pp. 84-5.</p>
<p>[3]Quinn, “Search,” p. 481.</p>
<p>[4]Ibid., p. 483.</p>
<p>[5]Ibid., p. 481.</p>
<p>[6]Ibid.</p>
<p>[7]Veja, por exemplo, o Capítulo IX do meu livro The Nature of the Necessity (Oxford: The Clarendon Press, 1974).</p>
<p>[8]Quinn, “Search,” p. 481.</p>
<p>[9]Veja meu artigo “The Probabilistic Argument from Evil,” Philosophical Studies (1980): 1-53.</p>
<p>[10]Devo esses termos à John Pollock. A distinção entre invalidadores defensivos e ofensivos é de central importâncial para a apologética. Se a propriedade da crença básica em Deus é ameaçada por invalidadores, existem duas maneiras de responder. Primeiro, existe a apologética negativa: a tentativa de refutar os argumentos contra o teísmo (o argumento ateológico do mal, a alegação de que o conceito de Deus é incoerente, e por aí vai). Segundo, existe existe a apologética positiva: a tentativa de desenvolver argumentos a favor da existência de Deus. Ambas são disciplinas importantes; mas somente a primeira é necessária para invalidar os invalidadores.</p>
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		<title>Estrutura Noética e Perfeição dos Entes</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 16:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Douglas Lisboa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Por: Douglas Lisboa
Deus criou seres perfeitos. Mas como Deus poderia criar seres perfeitos? Seres perfeitos não são submetidos ao tempo e nem podem escolher o pecado em vez da perfeição. Ademais, existem muitas coisas que o ser perfeito é que não se enquadra no perfil dos seres paradisíacos. Então, será que Deus não criou seres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por: Douglas Lisboa</p>
<p>Deus criou seres perfeitos. Mas como Deus poderia criar seres perfeitos? Seres perfeitos não são submetidos ao tempo e nem podem escolher o pecado em vez da perfeição. Ademais, existem muitas coisas que o ser perfeito é que não se enquadra no perfil dos seres paradisíacos. Então, será que Deus não criou seres perfeito?<br />
Penso que as criaturas paradisíacas eram sim perfeitas. Você deve estar achando que não estou de acordo com algumas obrigações intelectuais quanto ao sentido lógico da palavra. Eu não estou violando a semântica da palavra perfeição. A filosofia não faz esse tipo de coisa. Isso seria arbitrário. O que a filosofia faz, é aprofundar o sentido da palavra para achar alguns conceitos “diferentes” do que estamos acostumados a ouvir superficialmente. Com a palavra perfeição não é diferente.<br />
Comecemos dizendo aquilo que Deus é perfeito. Por isso, Ele é imutável, atemporal, absolutamente intelectual, racional, omnisciente, omnipotente e totalmente bom. Ou seja, Deus é pleno. Eis a questão, Deus é perfeito no sentido de plenitude. É a perfeição plena, universal, objetiva.<br />
Agora, eu sou um arquiteto. Decido fazer uma casa para mim. A casa seria a casa dos meus sonhos e já reparei que tenho condições financeiras e intelectuais para tê-la. Eu separo um tempo necessário para fazer a planta da casa com todas as medidas que preciso. Quando a planta fica pronta, eu fico então satisfeito com o tamanho e apenas preciso passar aquela idéia para a realidade. Começo então a construir minha sonhada casa. Demoro bastante tempo até que ela fique pronta e quando ficou, percebo “que tudo era bom”. Aquela casa estava perfeita para mim. Eu estava inteiramente satisfeito e entusiasmado, pois a casa a qual eu criei, era a casa ideal.<br />
Essa pequena estória ilustra um conceito de perfeição diferente do primeiro que é atribuído à natureza de Deus. Podemos dizer que é um tipo de perfeição subjetiva. Ora, a casa pode não ser boa para outra pessoa, mas ela é perfeita para mim, pois ela é a<br />
casa a qual idealizei. Logo, perfeição subjetiva é tudo aquilo que você cria perfeitamente como está na sua idéia. Em outras palavras, é aquilo que está intrínseca a sua estrutura noética. Eu pintei um quadro e ele ficou apropriadamente do modo a qual planejei na minha estrutura noética. Esta condição de perfeição não precisa ser válida para o mundo externo a sua estrutura noética e sim interna. Alguém poderia dizer que o seu quadro não era perfeito. Isso não faz sentido já que quem disse não tinha imaginado um quadro como o pintor havia imaginado. Portanto, algo só é subjetivamente perfeito quando o valor é externado pelo agente cognitivo da obra.<br />
Agora, a obra nunca poderá dizer que ela não é perfeita, pois ela foi criada para ser aquilo que é. Perfeita aos olhos do agente cognitivo. A obra ou o objeto criado é feito e funciona apropriadamente da forma como foi criado pelo sujeito criador.<br />
No livro de Genesis Deus diz que tudo o que tinha sido feito era bom. Ora, Deus estava satisfeito com a sua obra. Vemos que Deus como um ser objetivamente perfeito, nos criou perfeitos. Ele nos criou propositalmente dessa forma (quando paradisíacos). Nós objetos direta e intrinsecamente ligados à estrutura noética de Deus. Somos a própria inteligência tangível do Pai. Fomos criados perfeitamente como Deus tinha planejado que fôssemos e com isso, os seres paradisíacos eram perfeitos. Funcionamos apropriadamente, quando funcionamos de acordo com os planos de Deus ontologicamente.</p>
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		<title>A real essência da matéria</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 19:35:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Reichenbach</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciências]]></category>
		<category><![CDATA[atomo]]></category>
		<category><![CDATA[complexidade do universo]]></category>
		<category><![CDATA[física quântica]]></category>
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		<category><![CDATA[metafísica]]></category>
		<category><![CDATA[partículas adimensionais]]></category>
		<category><![CDATA[partículas sub-atômicas]]></category>
		<category><![CDATA[universo virtual]]></category>

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		<description><![CDATA[A nossa intuição nos diz que o que sentimos é real. Grande engano.
Segundo as ultimas pesquisas científicas, a real natureza da matéria é bizarra. Ao observar um atomo, os cientistas se espantaram ao perceber o quanto os atomos são vazios. Se ampliassemos um atomo até o tamanho de um estádio de futebol, o nucleo seria do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A nossa intuição nos diz que o que sentimos é real. Grande engano.</p>
<p>Segundo as ultimas pesquisas científicas, a real natureza da matéria é bizarra. Ao observar um atomo, os cientistas se espantaram ao perceber o quanto os atomos são vazios. Se ampliassemos um atomo até o tamanho de um estádio de futebol, o nucleo seria do tamanho de uma bola de futebol, enquanto os eletrons seriam como ervilhas nas arquibancadas.</p>
<p>Mas o mais espantoso não é isso. As partículas sub-atômicas são adimensionais com volume zero, ou seja, as partículas também são totalmente vazias. Tudo o que existe é um imenso nada.</p>
<p>O que sobra são campos de interação entre as partículas em diversos níveis, gerando a complexidade que conhecemos nos diversos níveis que são: Sub-atômico, Físico, químico, bio-químico e por fim o nível biológico. Mas a real natureza da matéria de tão bizarra chega a ser metafísica.</p>
<p>Se tudo se resume a interatividade entre campos, podemos pensar em um universo virtual onde todas essas interações fossem simuladas dentro de um computador, e se fossem criados serem conscientes dentro desse universo virtual, esse universo seria tão real pra esses seres, como nosso universo é pra nós.</p>
<p>Ao sentir a solidez de uma parede, é apenas a interação dos campos entre nossas partículas com as partículas da parede, mas na verdade não há nada de concreto nessa interação.</p>
<p>O fato é que o universo se assemelha muito mais com uma idéia do que com algo realmente concreto. Com base nessa premissa, podemos estar dentro de uma simulação em um computador? Ou por que não, dentro da mente de Deus?</p>
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		<title>Brindes empresariais é na e-King loja virtual</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 17:34:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Reichenbach</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A e-King loja virtual possui varias opções que são ideais para brindes empresariais, com grandes descontos para compra em grande quantidade.</p>
<p>Se por acaso o brinde que você procura não se encontra no site da e-King, solicite uma cotação sob encomenda. Conseguimos muitos mais produtos do que os cadastrados no site.</p>
<p>Segue o link de um dos produtos mais vendidos para brindes, um apresentador wireless da marca Feel eletronics.</p>
<p><a href="http://www.eking.com.br/Produtos.asp?ProdutoID=465">http://www.eking.com.br/Produtos.asp?ProdutoID=465</a></p>
<p>Outras opções de brindes também podem ser: Pen drives personalizados, mochilas solares, brinquedos, MP players, calculadoras, e muito mais.</p>
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		<title>Uma refutação ao espiritismo</title>
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		<pubDate>Sat, 15 May 2010 14:44:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Reichenbach</dc:creator>
				<category><![CDATA[Debates religiosos]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto a seguir é de autoria de Caio Rossi, e retirado do site http://www.evanessencias.com/?s=espiritismo , e não expressa necessariamente a nossa opinião.
Introdução
Neste feriado estreou nos cinemas uma produção da Globo Filmes, “Chico Xavier”, longa-metragem sobre a vida do famoso médium brasileiro.  Na próxima semana estréia na Rede Globo a nova novela das seis, “Escrito nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span style="color: #000000;"><strong>O texto a seguir é de autoria de Caio Rossi, e retirado do site <a href="http://www.evanessencias.com/?s=espiritismo">http://www.evanessencias.com/?s=espiritismo</a> , e não expressa necessariamente a nossa opinião.</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Introdução</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste feriado estreou nos cinemas uma produção da Globo Filmes, “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.chicoxavierofilme.com.br/site/"><span style="color: #598d97;">Chico Xavier</span></a>”, longa-metragem sobre a vida do famoso médium brasileiro.  Na próxima semana estréia na Rede Globo a nova novela das seis, “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://redeglobo.globo.com/novidades/novelas/noticia/2010/03/escrito-nas-estrelas-proxima-novela-das-seis-e-apresentada-imprensa.html"><span style="color: #598d97;">Escrito nas Estrelas</span></a>”, de temática também espírita. A mesma rede de televisão exibiu até recentemente a reprise de “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://tvglobo.valeapenaverdenovo.globo.com/alma-gemea/"><span style="color: #598d97;">Alma Gêmea</span></a>”, novela de igual temática. As Organizações Globo parecem estar mais empenhadas em nos converter ao Espiritismo do que o “25ª Hora” em nos arrancar doações para a IURD.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E os esforços vêm de multinacionais também. A Fox Filmes do Brasil está co-produzindo a versão cinematográfica de “Nosso Lar”, “clássico” de Chico Xavier atribuído ao espírito André Luís, que estréia em setembro deste ano. O trailer impressiona (para assisti-lo, visitem o <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.nossolarofilme.com.br/"><span style="color: #598d97;">site oficial</span></a> , cliquem em “Vídeos” e então escolham o Teaser-Trailer 1). Nunca vi efeitos visuais tão bem cuidados no cinema nacional (não surpreendentemente, produzidos por uma empresa canadense).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2010 promete ser um longo e interminável <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://en.wikipedia.org/wiki/Day_of_the_Dead#Observance_in_Mexico"><span style="color: #598d97;">Dia de los Muertos</span></a> aqui no Brasil, pois haverá o lançamento, segundo a Folha de São Paulo, de <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u699321.shtml"><span style="color: #598d97;">6 filmes de cunho espírita</span></a>. Dadas as alternativas de aquém túmulo, se Juscelino Kubistchek vencer as eleições presidenciais e passarmos a ser governados através da médium arroz-de-festa <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.marciafernandes.com.br/pravoce_psicografias.aspx"><span style="color: #598d97;">Márcia Fernandes</span></a>, até que a idéia não será muito ruim. Mas antes que a Terra de Santa Cruz vire a Terra da Mesa Branca, ofereço aos leitores deste blog algumas informações e reflexões sobre o Espiritismo que vocês provavelmente não encontrarão em outro lugar.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Espiritismo e espiritualismo: tomando a parte pelo todo.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pouquíssimos “espíritas” ou aqueles que se dizem simpatizantes do “Espiritismo” sabem exatamente a que estão se referindo. A confusão está tão arraigada que só concebo explicá-la lançando mão de uma comparação com a ufologia: no final da década de 40 iniciou-se o período chamado de <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://espacoufologico.blogspot.com/2008/06/10-melhores-casos-da-ufologia-moderna.html"><span style="color: #598d97;">ufologia moderna</span></a>. A partir de então, diversos fenômenos no céu e na terra passaram a ser creditados à ação de inteligências extraterrestres. Apesar de vários indivíduos ou grupos, no que se convencionou chamar de “ufologia esotérica”, afirmarem ter uma explicação mais profunda para esses fenômenos, sua relação com a criação e o sentido da vida, etc., nenhum deles veio com uma “doutrina ufológica” que fosse aceita por todos os envolvidos e se confundisse com os fenômenos relacionados. Ninguém que tenha avistado fenômenos atmosféricos anômalos ou padrões que se formam misteriosamente em plantações por todo o mundo e que acredite em sua origem extraterrestre se sente inescapavelmente compelido a aceitar as mensagens de <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.youtube.com/results?search_query=ashtar+sheran&amp;aq=f"><span style="color: #598d97;">Ashtar Sheran</span></a> ou as pregações do (todavia impressionante) <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.prophetyahweh.com/"><span style="color: #598d97;">Prophet Yahweh</span></a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No Brasil, no entanto, quando uma pessoa admite que a origem de certos fenômenos paranormais é os espíritos dos mortos, ela tende a dizer, como se fosse a mesma coisa, que “acredita no Espiritismo”. A impropriedade de tamanho salto pode ser explicada com a leitura atenta de qualquer obra básica sobre o assunto. Esses fenômenos – que passarei a chamar de “mediúnicos”, mas sem com isso tomá-los pelo que o termo sugere – se iniciaram no século XIX, em Hydesville, uma pequena cidade americana, através das irmãs Fox, e se expandiram posteriormente, aportando na Inglaterra e então chegando à Europa continental.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim como os fenômenos ufológicos, eles não carregavam consigo uma “doutrina”. Eram somente fenômenos. Os supostos espíritos comunicantes divergiam em suas “mensagens”, e é por isso que os espíritas dizem – mesmo que já não o saibam mais – que Allan Kardec foi o “codificador” da “doutrina espírita”, que ele atribuiu a espíritos, mas não a todos os espíritos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma das melhores fontes para entender esse período é o livro “A História do Espiritismo” – tradução inapropriada do título, como se verá abaixo -, escrito por Arthur Conan Doyle, o famoso criador de “Sherlock Holmes”. Os volumes <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.classic-literature.co.uk/scottish-authors/arthur-conan-doyle/the-history-of-spiritualism-vol-i/"><span style="color: #598d97;">I</span></a> e <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.classic-literature.co.uk/scottish-authors/arthur-conan-doyle/the-history-of-spiritualism-vol-ii/"><span style="color: #598d97;">II</span></a> do original em inglês podem ser lidos online, e um resumo da obra em português também pode ser <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://autoresespiritasclassicos.com/Autores%20Espiritas%20Classicos%20%20Diversos/Conan%20Doyle/1/Conan%20Doyle%20-%20A%20Hist%C3%B3ria%20do%20Espiritismo.htm"><span style="color: #598d97;">baixado gratuitamente</span></a>. Reproduzirei alguns trechos do resumo do capítulo 21, que tive o cuidado de comparar ao original para me certificar de que o conteúdo não havia sido alterado:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.classic-literature.co.uk/scottish-authors/arthur-conan-doyle/the-history-of-spiritualism-vol-ii/ebook-page-65.asp"><span style="color: #598d97;">O Espiritismo na França</span></a> e nas raças latinas concentra-se em torno de Allan Kardec, que prefere o termo Espiritismo, e sua feição predominante é a crença na reencarnação.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>… Em 1850, quando as manifestações espíritas americanas chamavam a atenção da Europa, Allan Kardec investigou o assunto através da mediunidade de duas filhas de um amigo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Nas comunicações obtidas foi informado de que “Espíritos de uma categoria muito mais elevada do que os que habitualmente se comunicavam através dos dois jovens médiuns, tinham vindo especialmente para ele, e queriam continuar a vir, a fim de lhe permitir desempenhar uma importante missão religiosa…</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Kardec achava que os vocábulos espiritual e espiritualista, como espiritualismo já possuíam uma significação definida. Assim os substituiu por espiritismo e espírita ou espiritista”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O título original do livro de Doyle é “History of Spiritualism”, não “History of Spiritism”, como sugere a tradução brasileira. “Espiritismo”, relembro o leitor, é um termo cunhado – em francês, obviamente – por Kardec para se referir à doutrina que ele havia desenvolvido com base nos fenômenos mediúnicos. Essa escolha da editora brasileira confunde o leitor, pois em trechos como o reproduzido acima, que explica a diferença terminológica, usam-se os vocábulos “Espiritismo” (“O Espiritismo na França…”) e “espírita” (“as manifestações espíritas americanas”) onde, no original,<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.classic-literature.co.uk/scottish-authors/arthur-conan-doyle/the-history-of-spiritualism-vol-ii/ebook-page-64.asp"><span style="color: #598d97;"> constam “Spiritualism” e “spirit”</span></a>, respectivamente .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O mesmo ocorre quanto à crença na reencarnação, parte integrante do Espiritismo de Kardec: esse não era um ensinamento universal, de todos os “espíritos” que estariam se comunicando, como explica Conan Doyle:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“A filosofia espírita se distingue por sua crença em nosso progresso espiritual, que é realizado através de uma série de reencarnações…”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Se distingue”, conforme se lê no trecho acima, refere-se à distinção entre o reencarnacionismo da “filosofia espírita” e a crença dos espiritualistas em geral. Doyle prossegue (alterei abaixo o termo “Espiritismo” por “Espiritualismo”, e fiz o mesmo com seus derivados, quando apropriado, conforme explicação acima e como pode ser verificado no original):</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.classic-literature.co.uk/scottish-authors/arthur-conan-doyle/the-history-of-spiritualism-vol-ii/ebook-page-65.asp"><span style="color: #598d97;">Os espiritualistas ingleses</span></a> não chegaram a uma conclusão no que se refere à reencarnação.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Alguns a aceitam, outros não</em></strong>. <em>A atitude geral é que, como a doutrina não pode ser provada, o melhor seria excluí-la da política ativa do Espiritualismo</em>. <em>Explanando essa atitude, Miss Anna Blackwell sugere que, <strong>sendo a mente continental mais receptiva de teorias</strong>, aceitou Allan Kardec, enquanto a mente inglesa, geralmente declina de considerar qualquer teoria enquanto não se tiver certificado dos fatos admitidos por tal.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Mr. Thomas Brevior (Shorter) um dos redatores de The Spiritual Magazine, resume o ponto de vista prevalecente dos espiritualistas ingleses de hoje. Escreve ele: </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Quando a Reencarnação assumir um aspecto mais científico, quando puder oferecer um demonstrável conjunto de fatos que admitam verificação como os do Moderno Espiritualismo, merecerá ampla e cuidadosa discussão. Por enquanto, que os arquitetos da especulação se divirtam como quiserem, construindo castelos no ar. A vida é muito curta e há muito que fazer neste mundo atarefado, para que deixemos os vagares e as inclinações a fim de nos ocuparmos em demolir essas estruturas aéreas ou apontar os frágeis alicerces em que se assentam. É muito melhor trabalhar naqueles pontos em que concordamos, do que nos engalfinharmos sobre aqueles em que parece que divergimos tão desesperadamente.”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>William Howitt, um dos pioneiros do Espiritualismo na Inglaterra, é ainda mais enfático em sua condenação à reencarnação. Depois de citar Emma Harding Britten, <strong>na sua observação de que milhares do Outro Mundo protestam, através de distintos médiuns, que não têm conhecimento nem provas da reencarnação</strong>, diz:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“<strong><a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.classic-literature.co.uk/scottish-authors/arthur-conan-doyle/the-history-of-spiritualism-vol-ii/ebook-page-66.asp"><span style="color: #598d97;">A coisa abala as raízes</span></a> de toda a fé nas revelações do Espiritualismo</strong></em><em>. Se formos levados a duvidar das comunicações dos espíritos sob o mais sério aspecto, sob as mais sérias afirmações, onde está o Espiritualismo?</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>“… Se a reencarnação for uma verdade, lamentável e repelente como é, deve ter havido milhões de Espíritos que, ao entrarem no outro mundo, em vão terão procurado os seus parentes, os filhos, os amigos… Já teria chegado a nós esse sussurro de milhares, de dezenas de milhares de Espíritos comunicantes? Nunca.</em></strong><em> Podemos, portanto, só nesse campo, considerar falso o dogma da reencarnação como o inferno do qual ele brotou”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Mr. Howitt, entretanto, em sua veemência, esquece que deve haver um limite antes que se realize a nova reencarnação, e que, também, no ato deve haver um elemento da vontade.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O Hon. Alexander Aksakof, num artigo muito interessante  dá os nomes dos médiuns do grupo de Allan Kardec, com uma descrição deles. <strong>E também indica que a idéia da reencarnação era fortemente aprovada na França naquele tempo, como se pode ver do trabalho de M. Pezzani – “A Pluralidade das Existências”, bem como de outros.</strong> Escreve Aksakof:</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>É claro que a propagação desta doutrina por Kardec foi matéria de forte predileção.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“De início a reencarnação não foi apresentada como objeto de estudo, mas como um dogma. Para o sustentar, <strong>recorreu com freqüência a escritos de médiuns, que, como bem sabemos, facilmente se submetem à influência de idéias preconcebidas</strong>. E o Espiritismo as produziu em profusão. <strong>Enquanto que através de médiuns de efeitos físicos não só as comunicações são mais objetivas, mas sempre contrárias à doutrina da reencarnação</strong>. <strong>Kardec seguiu o rumo de sempre desprezar esse tipo de mediunidade, tomando como pretexto a sua inferioridade moral. Assim, o método experimental é, de modo geral, desconhecido no Espiritismo.</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>“Durante vinte anos ele não fez o menor progresso intrínseco e ficou em completa ignorância do Espiritualismo anglo-americano.</em></strong><em> <strong>Os poucos médiuns franceses de fenômenos físicos que desenvolveram seus dons a despeito de Kardec, jamais foram mencionados na “Revue”; ficaram quase que desconhecidos dos Espíritas e apenas porque os seus guias não sustentavam a doutrina da reencarnação.”</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Acrescenta Aksakof que as suas observações não afetam a questão da reencarnação no abstrato, mas apenas no que respeita à sua propagação sob os auspícios do Espiritismo.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Comentando o artigo de Aksakof, D. D. Home deu um impulso a uma fase da crença na reencarnação. Diz ele. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Encontro muita gente que é reencarnacionista e tive o prazer de encontrar pelo menos doze que tinham sido Maria Antonieta, seis ou sete que tinham sido Mary, Rainha da Escócia; um bando, de Luiz e outros reis; cerca de vinte Alexandre, o Grande. Mas ainda não encontrei ninguém que tivesse sido um simples John Smith. E vos peço que, se o encontrardes, guardai-o como uma Curiosidade”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O caráter local do “Espiritismo” fica ainda mais evidenciado quando lemos o que Conan Doyle escreveu sobre o colorido alemão do movimento espiritualista:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>…Algumas páginas especiais, entretanto, devem ser dedicadas à Alemanha.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Posto que moroso até seguir um movimento organizado, pois só em 1865 é que apareceu um jornal espiritualista – Psyche – <strong>e se estabeleceu no país, mais do que em qualquer outra parte, teve aí o Espiritualismo uma tradição de especulação mística e de experiência mágica, que deveria ser considerada uma preparação para a revelação definitiva. Paracelsus, Cornelius Agripsa, van Helmont e Jacob Boehme se acham entre os pioneiros do Espiritualismo, sentindo o seu caminho fora da matéria, embora vago o objetivo, que tivessem atingido</strong>. Algo mais definitivo foi alcançado por Mesmer, que realizou seu maior trabalho em Viena, no último quartel do século dezoito. Conquanto enganado quanto a algumas de suas inferências, foi ele quem deu o primeiro impulso para a dissociação entre alma e corpo, antes do atual modo de sentir da humanidade…</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enquanto na França de Kardec o “Espiritualismo” assimilou o racionalismo francês, na Alemanha foi a tradição teosófica filtrada pelo idealismo que parece ter, segundo Conan Doyle, exercido maior influência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">René Guénon, em “O Teosofismo – história de uma pseudo-religião” e “O Erro Espírita”, afirma que a idéia da reencarnação foi defendida por <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://en.wikipedia.org/wiki/Gotthold_Ephraim_Lessing"><span style="color: #598d97;">Gothhold Ephraim Lessing</span></a> na Alemanha na segunda metade do século XVIII, e posteriormente pelos socialistas utópicos franceses <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Fourier"><span style="color: #598d97;">Charles Fourier</span></a> e <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_Leroux"><span style="color: #598d97;">Pierre Leroux</span></a>, talvez, segundo Guénon, pela influência do alemão. Enquanto essa idéia circulava nos meios intelectuais alemães e franceses, Allan Kardec, por sua vez, circulava entre os socialistas utópicos da França, como se confirma no site espírita <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://viasantos.com/pense/arquivo/1172.html"><span style="color: #598d97;">Pense</span></a> (Pensamento Social Espírita):</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“<strong>Ao que parece, [Kardec] manteve relações com os socialistas (depois chamados de utópicos por Marx e Engels), pois em sua fase espírita, os cita constantemente, entre eles, Fourier, e Saint-Simon</strong>. (Robert Owen, por sua vez, recebeu influência de Pestalozzi, pois o visitou em Iverdon e mais tarde tornou-se adepto do Espiritismo). <strong>O pesquisador francês François Gaudin descobriu recentemente documentos ainda inéditos, revelando a parceria de Kardec com o amigo Maurice Lachâtre, conhecido socialista de tendência anarquista e editor das obras de Marx, em fascículos populares</strong>. <strong>Ambos tiveram um projeto economicamente fracassado da fundação de um banco popular, possivelmente nos moldes do que queriam os socialistas pré-marxianos e os anarquistas, como Proudhon”.</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No mundo anglo-saxão, evidenciando outra influência cultural no desenvolvimento local do “Spiritualism”, ele tomou uma forma também diferente da francesa, estabelecendo-se não em torno de “centros”, mas de igrejas (isso tanto na <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.snu.org.uk/churches/search.htm"><span style="color: #598d97;">Inglaterra</span></a> como nos <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003502/!x-usc:http://www.nsac.org/"><span style="color: #598d97;">EUA</span></a>). René Guénon, por sua vez, afirma que o reencarnacionismo só foi amplamente introduzido nos Estados Unidos posteriormente, por influência da Sociedade Teosófica de Mme. Blavatsky, que assimilara a idéia do meio espírita na Europa continental.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A conseqüência lógica do que foi dito até agora é que os fenômenos ditos “mediúnicos”, mesmo para quem acredita que tenham origem em espíritos dos mortos, não deveriam significar necessariamente a adesão à “doutrina espírita” de Allan Kardec.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000"><strong>Os diferentes espiritismos</strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Além das diferentes tendências do Espiritualismo, há ainda as diversas subdivisões dentro do Espiritismo e as que surgiram a partir dele. A grande maioria dos espíritas ignora que, até o aparecimento de Chico Xavier, o meio espírita brasileiro tinha contornos muito menos “devocionais”, como é regra na maioria, senão em todos os países em que o Espiritismo de Kardec se expandiu, com exceção do nosso. No restante da América Latina, por exemplo, assim como em Portugal, predominou uma versão racionalista, socializante e laicizante – que talvez explique sua baixa popularidade nesses locais. Em geral, fora do Brasil seus raros adeptos são humanistas, e vêem como distorção “católica” ou “igrejeira” a predominância do “Evangelho segundo o Espiritismo” em nosso país em detrimento do “racionalista” “Livro dos Espíritos”.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">A antropóloga Ana Jacqueline Stoll, em <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernos/ideias/2004/02/27/joride20040227004.html"><span style="color: #598d97;">entrevista ao Jornal do Brasil</span></a> em 2004, quando do lançamento de seu livro “Espiritismo à brasileira”, pela Edusp, abordou esse ponto:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>“Sandra identificou novas linhas de força da religião espírita, desde o início dividida entre uma corrente cientificista, predominante na Europa, e outra que privilegia o aspecto moral, hegemônica no Brasil…”</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>“- <strong>No livro, você compara a doutrina espírita francesa, fundada por Allan Kardec, com a brasileira. Elas acabaram se tornando religiões diferentes? Ou as diferenças são, basicamente, resultantes de comportamentos culturais distintos?</strong> </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>- A doutrina de Allan Kardec teve uma larga difusão na França, assim como no Brasil, no século 19. <strong>Nestes dois países, porém, as características assumidas pela doutrina não foram as mesmas. Na França, a produção das obras de Allan Kardec tinha como tema central a teoria da evolução. Essa era a tônica dos debates científicos e religiosos na Europa na época. Já no Brasil, apenas em círculos sociais restritos esse debate encontrou ressonância. Em contrapartida, o aspecto moral da doutrina espírita foi rapidamente assimilado, por seu estreito comprometimento com o ideário cristão</strong>. <strong>O que demonstro no livro é que esse ideário foi aqui reinterpretado, criando-se um ”estilo católico de ser espírita”.</strong> <strong>O médium Chico Xavier é o paradigma dessa construção. Sua imagem pública foi construída com base na noção católica de santidade.</strong> Isso se expressa no estilo de vida por ele adotado, marcado pela incorporação gradativa dos votos monásticos católicos: obediência, castidade, renúncia aos bens materiais. Traduzidas como ‘’sacrifício de si”, essas práticas, juntamente à caridade, também assimilada do universo católico, conferem ao espiritismo uma marca arraigadamente católica, cultura religiosa dominante no país…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>- <strong>Quais seriam as principais tendências do espiritismo brasileiro hoje?</strong> </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>- O espiritismo de ”viés católico”, consolidado em torno da imagem pública de Chico Xavier, ainda é hegemônico no Brasil, mas no interior deste vêm sendo gestadas novas tendências. Hoje temos duas correntes dominantes: uma, a exemplo da orientação de Kardec, vem buscando a inovação da doutrina por meio da atualização de seus conceitos científicos; a outra busca no campo religioso sua atualização, incorporando idéias e práticas de sistemas filosóficos/doutrinários diversos, precariamente reunidos em torno do rótulo de Nova Era e com grande ênfase na auto-ajuda. A Nova Era e as novas idéias científicas relativas às origens e evolução do universo tornaram-se as suas principais fontes contemporâneas de inspiração… </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Essa diferença relatada pela antropóloga fica clara ao se constatar o contraste entre o sentimentalismo piegas típico do meio espírita brasileiro em geral e a “frieza” dos sites da portuguesa <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://adeportugal.org/mambo/index.php?option=content&amp;task=view&amp;id=24&amp;Itemid=52"><span style="color: #598d97;">Adep</span></a>, da <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://cepanet.org/default.php"><span style="color: #598d97;">Cepa</span></a> (Confederação Espírita Pan-Americana), ou do já citado <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.viasantos.com/pense/"><span style="color: #598d97;">Pense</span></a> (Pensamento Social Espírita), cuja página de abertura exibe essa citação “socialista” de Kardec:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>A aspiração por uma ordem superior de coisas é indício da possibilidade de atingi-la. Cabe aos homens progressistas ativar esse movimento pelo estudo e aplicação dos meios mais eficazes.”</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">No Brasil, devido à figura emblemática de Chico Xavier, que se impôs como autoridade moral no meio, acabou por se formar um certo consenso em torno de seu nome e de suas obras, e até mesmo representantes nacionais dessa vertente “socialista” e “racionalista” buscam confirmar suas posições nas obras desse médium.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">O que não parecem saber, e não sei se o novo filme aborda a questão – e realmente me surpreenderia se o fizesse -, é que a primeira reação contra seus livros veio de dentro do próprio meio espírita. O que mais dificultou a aceitação de suas obras entre os espíritas no passado foram as descrições do “mundo espiritual” como algo muito próximo do que temos na Terra, fugindo muito do que estava explícito ou implícito nos livros de Allan Kardec. É esse “mundo espiritual super-materializado” que verão no filme “Nosso Lar” (curiosidade: esse seria o nome de uma colônia dentro do “Umbral”, termo que o médium introduziu para se referir a um tipo de “inferno” espírita. Teria sido fundada por descendentes dos primeiros portugueses em uma região do Umbral que ocuparia alguma parte do céu do Rio de Janeiro. Eram espíritos de “cristãos novos” degredados para o Novo Mundo. Por isso, essa colônia teria o formato da Estrela de David. O filme chega ao requinte detalhista de reproduzir isso, como pode ser visto no trailer recomendado na Parte 1, na altura dos 2 minutos e 26 segundos, no canto inferior esquerdo).</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Herculano Pires, pensador espírita altamente respeitado por Chico Xavier – que o considerava “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-39.htm"><span style="color: #598d97;">o homem que melhor compreendeu Kardec</span></a>” -, sendo que chegaram a escrever um livro em parceria, preferia manter-se mais fiel à visão anterior, herdada de Allan Kardec, e criticar os que chamou de “chiquistas”. De seu “Chico Xavier: o homem, o médium e o mito”, texto de 1975 que infelizmente não encontrei online:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>“…Tomam por realidades espirituais as alegorias e analogias das obras de André Luiz, esquecidos do exemplo citado pelo próprio Emmanuel, num de seus prefácios para essa obra, do macaco que voltasse da cidade para o mato e quisesse explicar aos companheiros como vivem os homens: em florestas de cimento, com pelos postiços que os homens podem vestir e desvestir e assim por diante”.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Mesmo há mais de 3 décadas esse aviso de Herculano Pires veio tarde demais, pois tais descrições já haviam sido incorporadas pelo imaginário espírita local, e foram aparecendo também nas “comunicações” recebidas pelos médiuns que liam suas obras. Depois da versão cinematográfica de “Nosso Lar”, Herculano Pires será voz mais vencida do que já é (se é que tal coisa é possível).</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Do mesmo texto:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>“Chico Xavier é ainda… o caipirinha mineiro de Pedro Leopoldo. Não é sábio nem santo. É um homem comum, dotado de faculdades mediúnicas excepcionais…”</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Sobre a descrição detalhada de vida inteligente em outros planetas do nosso sistema solar, como Vênus e Marte, no livro “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.geae.inf.br/pt/boletins/geae025.txt"><span style="color: #598d97;">Cartas de uma Morta</span></a>”, que Chico Xavier atribuiu ao espírito de sua mãe, e que sabemos hoje ser completamente contrariada pelos fatos, Herculano Pires diz o seguinte:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>“A responsabilidade do médium é ressalvada pela sua atitude humilde, mas às vezes o próprio médium, assediado pelo fanatismo dos chiquistas e não querendo contrariá-los, chega a tentar a justificativa de certos enganos, como o fez na televisão sobre o caso de Marte, considerando-o mundo superior de antimatéria…”</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Até meados dos século XX ainda era possível dar o benefício da dúvida a quem escrevesse sobre canais na Lua ou cidades em Saturno. O “caipirinha mineiro” não contava com a possibilidade de que o advento dos foguetes do nazista fundador da Nasa, <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://history.msfc.nasa.gov/vonbraun/bio.html"><span style="color: #598d97;">Wernher Von Braun</span></a> , que abriu a era dos vôos espaciais, sondas e telescópios orbitando a Terra, destruísse a fantasia que atribuiu, conscientemente ou não, ao fantasma de sua mãe. Sua mãe não estaria errada, segundo ele: é que as cidades e seres que descreveu em Marte seriam de antimatéria! O que impediria essa antimatéria de reagir com o restante da matéria do planeta e fazer desaparecer todo o Sistema Solar são detalhes técnico enfadonhos dos quais o médium, o homem e o mito preferiu nos poupar por pura caridade.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Mais falhas são encontradas em outras obras que diz ter psicografado. O site <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.criticandokardec.com.br/"><span style="color: #598d97;">Criticando Kardec</span></a>, de um espírita que se dispôs a encarar publicamente esses problemas, compila uma série do que ele prefere chamar de <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.criticandokardec.com.br/erros1.htm"><span style="color: #598d97;">“possíveis” erros</span></a> nas obras de Chico Xavier e Divaldo P. Franco (médium de que tratarei abaixo).</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Uma outra “tendência” dentro do Espiritismo brasileiro, e que também apostou na descrição da vida em outros planetas de nosso sistema solar, é composta pelos seguidores de <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://ramatis.org.br/index/index.php/sobre-ramatis"><span style="color: #598d97;">Ramatís</span></a>, “guia espiritual” de inclinação “universalista”, que, por uma grande coincidência, escrevia através de <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://pt.wikipedia.org/wiki/Herc%C3%ADlio_Maes"><span style="color: #598d97;">Hercílio Maes</span></a>, médium que, “antes de se tornar ‘espírita’, foi teosofista, maçon e rosacruz”. Seus livros, por se distanciarem demais do que era convencional no meio espírita, e por não terem sido escritos “através” de um médium carismático como Chico Xavier, foram renegados pelos “formadores de opinião” do movimento . Eles não atinaram para o fato de que o próprio Chico, no entanto, <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2005/12/emmanuel_ramatis.html"><span style="color: #598d97;">não era contrário</span></a> às obras de Ramatís. E posso dar meu testemunho pessoal quanto a isso, já que certa vez conversei com um dos irmãos de Chico, então dono de uma livraria espírita no centro de São Paulo que vendia os livros de Ramatís. Ele me assegurou que seu irmão foi sempre um leitor assíduo dos livros de Hercílio Maes. Curiosamente, aliás, o nome desse irmão é André Luis, em homenagem a quem o espírito autor de “Nosso Lar” teria adotado o pseudônimo.  A propósito, sua verdadeira identidade é atribuída ao espírito de Oswaldo Cruz – segundo fontes ligadas a Chico Xavier – e a Carlos Chagas – segundo Waldo Vieira, médium cujos talentos foram reconhecidos por Chico, com quem até “co-psicografou” “Evolução em Dois Mundos”, obra mais “técnica” da série “Nosso Lar” (em que, em outra fenomenal coincidência, os capítulos com terminologia mais científica foram psicografados por Waldo, que é médico).</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Conforme avançamos nos anos 90, o país foi se abrindo para o mundo e a literatura de auto-ajuda americana sendo traduzida e publicada por aqui. Médiuns espíritas até então convencionais, como o viajado Luís Antônio Gasparetto, e sua mãe, a famosa Zíbia Gasparetto, distanciaram-se da vertente “devocional” estabelecida por Chico Xavier – que, por influência de sua formação católica, nunca deixou de se referir ao “espírito de luz” Jesus como “Nosso Senhor Jesus Cristo”. Ambos reconheceram esse distanciamento em <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT538963-1653-2,00.html"><span style="color: #598d97;">matéria da Revista Época</span></a>.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Outro médium cuja “mentora espiritual”, Joanna de Angelis, se adaptou aos novos rumos do mercado foi <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.divaldofranco.com/"><span style="color: #598d97;">Divaldo Franco</span></a>. Ela, que até então somente lhe ditava obras de conteúdo semelhante ao das “psicografadas” por Chico Xavier, também modernizou a temática com sua “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.divaldofranco.com/livro_dentro.php?livro=47"><span style="color: #598d97;">Série Psicológica</span></a>”, composta de 12 livros. Há algumas décadas, esse médium baiano foi protagonista de um escândalo envolvendo Chico Xavier. Até então cotado para ser o substituto do seu congênere mineiro, foi pego <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/2785/mdium-divaldo-franco-utilizado-por-espritos-inferiores"><span style="color: #598d97;">plagiando o colega famoso</span></a>, o que foi reportado pelo programa Fantástico muito tempo depois e que se confirma através de carta de Herculano Pires, <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://obraspsicografadas.haaan.com/2010/carta-de-herculano-pires-sobre-o-plgio-de-divaldo-pereira-franco/#more-342"><span style="color: #598d97;">disponível online</span></a>. Chico Xavier rompeu com Divaldo por cerca de 40 anos devido ao ocorrido. Esse fato é muito bem conhecido nos corredores do meio espírita, cujos dirigentes fazem o possível para evitar escândalos e manter as aparências.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Outra tendência de origem espírita mas que, como os Gasparetto, acabou tomando novos rumos, foi a “projeciologia” e a “conscienciologia” fundadas pelo já citado <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.viagemastral.com/templates/conteudo.php?id=1&amp;c=684"><span style="color: #598d97;">Waldo Vieira</span></a>. Como disse acima, Waldo havia sido médium juntamente como Chico Xavier, mas acabou deixando o amigo (alegam-se diferentes razões para isso, mas prefiro não propagar fofocas de bastidores que não posso confirmar) e se dedicando à cirurgia plástica e a suas pesquisas pessoais na área de “experiências fora-do-corpo” (desdobramento ou projeção astral, daí o termo “projeciologia”, que cunhou). Nesse meio tempo ele se casou com uma estrangeira, herdeira da empresa de bebidas Brahma, cuja venda lhe disponibilizou o capital necessário para investir de forma muito mais substancial em seus projetos.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Waldo Vieira lançou um calhamaço denominado “Projeciologia”, cuja primeira edição, de 5 mil exemplares, foi distribuída gratuitamente para pessoas que se demonstravam genuinamente interessadas no tema. Fui um dos agraciados no dia de seu lançamento, na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Waldo Vieira voltava então ao meio cercado de espíritas “intelectualizados” do Rio de Janeiro, onde residia, trazendo consigo influências parapsicológicas, teosóficas e ramatistas, todas elas unificadas por um empirismo cientificista radical. Antes de seu retorno retumbante, segundo comunicação pessoal de uma de suas convidadas, reuniu uma série de médiuns e pesquisadores ligados ao Espiritismo – como <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://pt.wikipedia.org/wiki/Hernani_Guimar%C3%A3es_Andrade"><span style="color: #598d97;">Hernani Guimarães Andrade</span></a> – para anunciar seus planos de dar novos rumos ao movimento espírita, aproximando-o do que considerava ser mais “cientificamente racional” e distanciando-o do emocionalismo devocional de origem católica. Com o tempo, notou que sua proposta não estava sendo bem recebida no meio, e então decidiu partir para novos rumos em seu “Centro da Consciência Contínua” (mais tarde denominado Instituto Internacional de Projeciologia, e, posteriormente, <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.iipc.org/sobre/historico.php"><span style="color: #598d97;">Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia</span></a>), abandonando o rótulo “espírita”, como fez a família Gasparetto.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Muitos adeptos do Espiritismo ficam indignados com os Gasparetto e Waldo Vieira, pois não só acreditam, com base em Allan Kardec, que a “doutrina espírita” é o ápice da evolução humana na Terra, como confundem Espiritismo com Espiritualismo. Ignoram completamente o que foi explicado anteriormente: que a “doutrina espírita” é uma racionalização dos fenômenos mediúnicos de alcance regional somente; que Allan Kardec não está para esse fenômenos como Jesus Cristo para os “dons do Espírito Santo” distribuídos no Pentecostes.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">E essas variações regionais ocorrem mesmo dentro do Espiritismo brasileiro: a Federação Espírita Brasileira, com sede no Rio de Janeiro, tem influências completamente diferentes das sofridas pela Federação Espírita do Estado de São Paulo, destacando-se a controvérsia sobre a obra de Roustaing, que afirmava que Jesus Cristo tinha um “corpo fluídico”, que é defendida pela FEB e rejeitada pela FEESP.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">A FEESP, por sua vez, apesar de se dizer a guardiã de um Espiritismo genuinamente “kardequiano”, foi alvo de Herculano Pires, no livro supra-citado, escrito em dupla com Chico Xavier e denominado “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.scribd.com/doc/6281734/J-Herculano-Pires-e-Chico-Xavier-Na-Hora-Do-Testemunho"><span style="color: #598d97;">Na Hora do Testemunho</span></a>”, em que denuncia adulterações da obra de Allan Kardec cometidas em tradução publicada pela FEESP, em um caso que merece ser analisado por configurar talvez um dos primeiros exemplos de adaptação politicamente correta de uma tradução para o português.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Mas voltando a Waldo Vieira: ele fez mais do que deixar o movimento espírita. Ele soltou a língua. E soltou feio. Waldo fez revelações, em vídeo disponível no <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://www.youtube.com/watch?v=RhStBaM80I4"><span style="color: #598d97;">Youtube</span></a>, sobre como as mensagens mediúnicas com detalhes da vida do morto são fraudadas. A transcrição abaixo vem do site <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://obraspsicografadas.haaan.com/2010/waldo-vieira-acusa-chico-xavier-e-os-outros-mdiuns-de-uberaba-de-fraude/#more-343"><span style="color: #598d97;">Obras Psicografadas</span></a>:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>“A mesma coisa aquelas mensagens que o Chico recebia. Você sabe que essas mensagens psicografadas, da pessoa que morreu assim, <strong>eles mandam a carta com os detalhes para a pessoa colocar na mensagem psicografada, né?</strong> Tem médium que ainda está recebendo essas mensagens até hoje. Eu nunca recebi uma mensagem assim. Agora, o pior disso é aquilo que eu falo para vocês, a natureza humana não falha. <strong>Quando eu deixei o movimento espírita, me mandaram umas cartas dessas pra mim pra eu receber mensagens pras pessoas. Eu queimei as cartas, só para não envolver ninguém. Então eles mandavam, ‘ó, o apelido dele é esse, a tia que ele gosta é essa, a madrinha dele, a dindinha, é a fulana, ela mora assim e assim.’ Tudo para haver uma relação. ‘O avô que ele gostava muito morreu no ano tal.’ Agora, eles mandavam essas cartas com tudo já mastigado para você colocar. Tudo carta marcada, jogo de carta marcada. Foi por isso que quando Souto Maior teve aí eu falei com ele. ‘Olha, você já viu isso?’ ‘Eu já’. Ele já tinha visto! Todo mundo que vai estudar isso acaba vendo, porque vai encontrar isso aí. E ele até sabe, tem médium que ele evita. Porque ele sabe que tem médium até hoje que ainda tão recebendo essas coisas e fazendo aí um auê, né? Isso dá ibope. Sabe, o processo seguinte faz média com muita gente, etc. Então a mãe faz média, o médium faz média, o centro espírita faz média, é um monte de coisa. Agora, ó… se você observar, lá em Uberaba, na minha época, o Chico não recebia essas mensagens. Por que é que ele não recebia? Porque eu falei com ele: ‘Olha, se tiver isso, eu caio fora já!’</strong> Se você agüentar um tempo eu sigo as coisas pra melhorar a sua vida aqui e todo o trabalho. Tinha várias coisas… <strong>Outra coisa, vocês nunca viam, naquelas reuniões que faziam de efeitos físicos, eu não aparecia… porque ela era fajuta… a dele</strong>. Tudo isso… Hoje eu falo porque as coisas todas já passaram, é bom a gente clarear as coisas, porque a natureza humana não falha”.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000">Waldo Vieira diz acima que ele e Chico, com quem cooperou, não estavam envolvido nas fraudes de mensagens e nem nas fajutas sessões de materialização em Uberaba, que, não obstante, ocorreram também em seu consultório. </span> </p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000">O site Obras Psicografadas complementa a transcrição acima com algumas considerações muito pertinentes sobre o depoimento de Waldo Vieira:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000"><em>Waldo Vieira diz: Outra coisa, vocês nunca viam, naquelas reuniões que faziam de efeitos físicos, eu não aparecia… porque ela era fajuta… a dele.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000"><em>.O trecho está entre 3:47 e 3:48.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000"><strong><em> A médium Otília Diogo, que realizou sessões de materialização com Chico Xavier, foi pega em fraude anos depois interpretando a irmã Josefa. </em></strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000"><em>Há a descrição em ao menos dois livros da materialização do senador Públio Lêntulos, episódio esse que nitidamente foi fraude, uma vez que tal personagem jamais existiu na época descrita (contemporâneo de Cristo). Para detalhes de porque tal episódio foi uma fraude perpetrada por Chico, ler <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003506/!x-usc:http://obraspsicografadas.haaan.com/2007/a-suposta-materializao-de-emmanuel/"><span style="color: #598d97;">aqui</span></a>. </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000">Considerando-se as influências humanas no conteúdo das mensagens – como no caso da crença na reencarnação, na vida em outros planetas de nosso sistema solar e da literatura de auto-ajuda espírita -, a variação, no tempo e espaço, de como os supostos “espíritos” teriam descrito o “mundo espiritual” – da forma mais sóbria do “Espírito da Verdade” em “O Livro dos Espíritos” às “cidades astrais” <em>hi-tech</em> de Chico Xavier, que se tornaram padrão nas “mensagens” de médiuns brasileiros – e as fraudes confessas e as evidentemente ocultadas, é impossível alguém minimamente racional levar a sério as mensagens de Chico Xavier ou de qualquer outro médium menor.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: center"><span style="COLOR: #000000"><strong>Minha posição quanto aos fenômenos mediúnicos</strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Considero o livro “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.4shared.com/dir/2285047/3bec71f5/Metafsica_e_Sabedoria_Perene.html"><span style="color: #598d97;">O Erro Espírita</span></a>”, de René Guénon, a melhor crítica já escrita ao Espiritismo e ao Espiritualismo em geral. O autor consegue demolir as principais falácias da “doutrina espírita” – confirmando a propriedade do título da tradução para o inglês: <em>The Spiritist Fallacy</em> – e expor ao ridículo seus principais expoentes até então. O único problema é que algumas de suas críticas, como aquela feita à idéia de reencarnação, dependem do conhecimento e concordância do leitor com a composição tripartite do ser-humano e a compreensão de como isso implica primordialmente na conceituação guenoniana (e tradicional) de “personalidade” e “individualidade”. Ele não consegue demonstrar, sem depender da diferença entre esses dois conceitos e uma série de outros conexos, os quais ele nem faz questão de explicar, que a comunicabilidade dos santos mortos com os vivos é possível mas não a de um defunto comum.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong>O melhor argumento para derrubar especificamente a “doutrina espírita” é apontar o fato de que a realidade, conforme descrita nas partes anteriores e como pode ser verificado no dia-a-dia, não corrobora as condições que o próprio Allan Kardec estabeleceu para validar o Espiritismo. </strong>Refiro-me àquelas expostas em seu “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo II, denominado “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/oevangeliosegundooespiritismo/pagina002_02.asp"><span style="color: #598d97;">Autoridade da Doutrina Espírita: Controle universal do ensino dos espíritos</span></a>”. Os trechos destacados em negrito são uma sucessão de tiros que Kardec dá em seu próprio pé, pois são exigências ideais que nunca se verificaram na prática:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Se a doutrina espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia senão as luzes daquele que a tivesse concebido. Ora, ninguém neste mundo poderia ter a pretensão de possuir, sozinho, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se houvessem manifestado a apenas um homem, nada lhe garantiria a origem, pois seria necessário crer sob palavra no que dissesse haver recebido os seus ensinos. Admitindo-se absoluta sinceridade de sua parte, poderia no máximo convencer as pessoas do seu meio, e poderia fazer sectários, mas não chegaria nunca a reunir a todos.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por meio mais rápido e mais autêntico. <strong>Eis porque encarregou os Espíritos de a levarem de um pólo ao outro, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra.</strong> <strong>Um homem pode ser enganado e pode enganar-se a si mesmo, mas não aconteceria assim, quando milhões vêem e ouvem a mesma coisa: isto é uma garantia</strong></em><strong> <em>para cada um e para todos.</em></strong><em>..</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong><em>São realmente os próprios Espíritos que fazem a propaganda, com a ajuda de inumeráveis médiuns, que eles despertam por toda parte. Se houvesse um intérprete único, por mais favorecido que esse fosse, o Espiritismo estaria apenas conhecido. Esse intérprete, por sua vez, qualquer que fosse a sua categoria, provocaria a prevenção de muitos; não seria aceito por todas as nações. Os Espíritos, entretanto, comunicando-se por toda parte, a todos os povos, a todas as seitas e a todos os partidos, são aceitos por todos…</em></strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong><em>Esta universalidade do ensino dos Espíritos faz a força do Espiritismo, e é ao mesmo tempo a causa de sua tão rápida propagação</em></strong><em>. Enquanto a voz de um só homem, mesmo com o auxílio da imprensa, necessitaria de séculos para chegar aos ouvidos de todos, eis que <strong>milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente, em todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios e os transmitir aos mais ignorantes e aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado</strong>. É uma vantagem de que não pôde gozar nenhuma das doutrinas aparecidas até hoje. Se, portanto, o Espiritismo é uma verdade, ele não teme nem a má vontade dos homens, nem as revoluções morais, nem as transformações físicas do globo, porque nenhuma dessas coisas pode atingir os Espíritos.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Mas não é esta a única vantagem que resulta dessa posição excepcional. <strong>O Espiritismo ainda encontra nela uma poderosa garantia contra os cismas que poderiam ser suscitados, quer pela ambição de alguns, quer pelas contradições de certos Espíritos</strong>. Essas contradições são certamente um escolho, mas carregam em si mesmas o remédio ao lado do mal… </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong><em>A concordância no ensino dos Espíritos é portanto o seu melhor controle, mas é ainda necessário que ela se verifique em certas condições</em></strong><em>. A menos segura de todas é quando um médium interroga por si mesmo numerosos Espíritos sobre uma questão duvidosa. É claro que, se ele está sob o império de uma obsessão, ou se tem relações com um Espírito embusteiro, este Espírito pode dizer-lhe a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há garantia suficiente, da mesma maneira, na concordância que se possa obter pelos médiuns de um mesmo centro, porque eles podem sofrer a mesma influência. </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong><em>A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares… </em></strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Ora, já verificamos que a “doutrina espírita”, ou Espiritismo, não representa a “concordância das revelações feitas espontaneamente” através de médiuns “estranhos uns aos outros, e em diversos lugares”. Não foi “revelada” a todo o movimento espiritualista, e tampouco o que teria sido revelado e “codificado” por Allan Kardec foi corroborado pelos rumos posteriores das “revelações” feitas no meio espírita brasileiro, como foi demonstrado no caso de Chico Xavier, Hercílio Maes, os Gasparetto ou Waldo Vieira.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Isso no que se refere aos postulados doutrinários do Espiritismo. Mais essencial é o que ele partilha com o Espiritualismo em geral e que, uma vez descartado, derruba toda a doutrina espírita junto: a crença de que a origem dos fenômenos ditos mediúnicos sejam os espíritos dos mortos. Fazendo vistas grossas à hipótese de fraude, <strong>o que se verifica de fato, nas supostas comunicações, é que elas não ocorrem como seria de se esperar caso a explicação espiritualista fosse correta.</strong> <strong>Se fosse esse o caso, os espíritos estariam produzindo provas incontestáveis de sua identidade, como, por exemplo, enviando a mesma mensagem para diferentes médiuns, ou dividindo uma mensagem em várias partes e comunicando cada uma delas a um médium que não conhecesse seus congêneres envolvidos, informando-lhes onde estaria a parte anterior e posterior, com todas elas se encaixando.</strong> <strong>E fazendo isso em profusão.</strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Absolutamente nada disso foi jamais possível. O que se verifica invariavelmente é que mensagens atribuídas aos espíritos e carregadas de detalhes propiciando sua identificação, como as que eram produzidas por Chico Xavier, são raríssimas se considerarmos todo o contingente de “médiuns” disponíveis – daí, aliás, a fama do mineiro como <em>primus inter pares </em>-, e, quando ocorrem, advém de um único médium.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong>Esse fato – frisando que estou descartando aprioristicamente a possibilidade de fraude, a despeito do que disse Waldo Vieira na parte anterior – só condiz com uma explicação: a de que é esse indivíduo que tem uma capacidade extraordinária de receber informações desconhecidas de diferentes fontes por meios “paranormais” (como “telepatia”, “clarividência” ou “remote viewing”, etc.), e não que os espíritos dos mortos têm a capacidade natural de oferecer informações a ditos “médiuns”. </strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Fazendo uma comparação: os televisores, não importando se analógicos ou digitais, com tela convencional, de LCD ou plasma, captam necessariamente as mesmas informações das antenas retransmissoras de VHF e UHF, apesar da qualidade da recepção e exibição variarem.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Quem mora em prédio já deve ter passado pela experiência de descer ou subir vários lances de escada e, enquanto se movimenta, ouvir o som de um mesmo programa vazando dos apartamentos e, com isso, conseguir acompanhá-lo conforme muda de andar. Percebemos que é o mesmo filme, novela ou telejornal sendo captado nas várias residências. É isso que permite que haja pessoas, todos os dias, comentando as mesmas cenas que assistiram em lugares diferentes.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Quando se vai a uma <em>lan house</em> a coisa é bem diferente. Conforme nos deslocamos, podemos perceber, na tela do computador de cada usuário, imagens diferindo completamente umas das outras, e muitas vezes várias imagens simultâneas sobrepostas parcialmente, cada uma delas relacionada a um programa, aplicativo ou aba com informações diferentes abertas em um mesmo computador.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">O que os aparelhos de televisão evidenciam é que há uma só fonte para as imagens e sons de cada canal, que, como sabemos, no caso do sinal aberto, são as antenas retransmissoras. Seus sinais são compartilhados, de forma praticamente sincrônica, ao longo de toda a região de cobertura. Os televisores funcionam como “médiuns”, meios de recepção e reprodução dessas informações.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Os computadores, por sua vez, podem ser utilizados para VOIP ou <em>live streaming</em>, mas o que evidenciam é sua capacidade de processamento local de informações advindas de diferentes fontes geralmente assíncronas (<em>internet</em>, <em>pendrives</em>, câmeras, etc.).</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">No caso da TV, o ponto fulcral é a antena retransmissora, que lhe é externa. No do computador, o disco rígido que carrega internamente. Pode-se assistir a um vídeo no computador e com isso emular a aparência e a função de um televisor, mas isso não permite confundir a forma de funcionamento de cada um deles. Um computador, mesmo que funcionando em rede, é uma unidade autônoma quando comparado ao aparelho de TV.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong>A hipótese mediúnica dos espíritas e espiritualistas em geral exige médiuns operando de forma semelhante à da televisão.</strong> Ninguém duvidaria deles se, morando em diferentes andares de um único prédio, mas sem comunicação entre si, reproduzissem, mesmo que com menor precisão, a experiência de vários moradores sintonizando o mesmo canal de TV.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Mesmo nos poucos casos que me foram narrados em que algo semelhante parecia ocorrer, havia sempre a exposição a pelo menos uma mesma pessoa em comum (como alguém que vai procurar diferentes médiuns, e esses relatam detalhes semelhantes sobre alguma coisa), o que não cumpre nem mesmo as exigências de Kardec citadas acima. <strong>O que não ocorre, e nem jamais ocorreu, são médiuns que não se conhecem e não têm nenhuma forma de comunicação entre si captarem, como sugeri no início desta terceira parte, a mesma mensagem ou partes de um mesmo texto que se completam. Se a hipótese mediúnica fosse correta, isso teria de ocorrer com a mais convincente freqüência.</strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Para piorar ainda mais a situação dos espíritas, eles admitem a existência do “animismo”, termo que utilizam para se referir à capacidade do indivíduo vivo produzir fenômenos “paranormais” sem a contribuição dos espíritos dos mortos (como no caso da telepatia, precognição, experiências-fora-do-corpo, etc.).</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">É o que se lê em “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec, cap. XIX, “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosmediuns/pagina025.asp"><span style="color: #598d97;">Papel do Médium nas Comunicações</span></a>” :</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>2. As comunicações escritas ou verbais podem ser também do próprio Espírito do médium? </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>— A <strong>alma do médium pode comunicar-se como qualquer outra</strong>. Se ela goza de um certo grau de liberdade, recobra então as suas qualidades de Espírito. <strong>Tens a prova na visita das almas de pessoas vivas que se comunicam contigo, muitas vezes sem serem chamadas. Porque é bom saberes que entre os Espíritos que evocas há os que estão encarnados na Terra. Nesses casos eles te falam como Espíritos e não como homens. Por que o médium não poderia fazer o mesmo?…</strong></em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">E a nota do tradutor (o já citado Herculano Pires):</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Esse erro de exclusivismo é o mesmo que hoje praticam os parapsicólogos antiespíritas, que pensam haver descoberto a pólvora ao afirmar: “Não há Espíritos, pois tudo vem da mente do médium!” <strong>O Espiritismo, como se vê, conhece desde o seu início os dois fenômenos: o anímico, de manifestação da alma do médium, e o espírita, de manifestação de um Espírito desencarnado</strong>. <strong>Jamais o Espiritismo cometeu o erro do exclusivismo oposto, ou seja, de afirmar que as comunicações são apenas de Espíritos desencarnados</strong>. Veja-se a Revista Espírita, o livro de Aksakoff Animismo e Espiritismo e os livros de Ernesto Bozzano Animismo ou Espiritismo e Comunicações Mediúnicas Entre Vivos. (N. do T.)</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">De “O Livro dos Espíritos”, cap. VIII, “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosespiritos/pagina014_03.asp"><span style="color: #598d97;">Emancipação da Alma</span></a>”:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>420. Os Espíritos podem comunicar-se, se o corpo estiver completamente acordado? </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>— O Espírito não está encerrado no corpo como numa caixa: ele irradia em todo o seu redor; eis porque <strong>pode comunicar-se com outros Espíritos, mesmo no estado de vigília, embora o faça mais dificilmente. </strong></em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>421. Por que duas pessoas, perfeitamente despertas, têm, muitas vezes, instantaneamente, o mesmo pensamento? </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>— <strong>São dois Espíritos simpáticos que se comunicam e vêem reciprocamente os seus pensamentos, mesmo quando não dormem.</strong> </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong><em>Há entre os Espíritos que se afinam uma comunicação de</em></strong><strong> <em>pensamentos que faz que duas pessoas se vejam e se compreendam sem a necessidade dos signos exteriores da linguagem. Poderia dizer-se que elas falam a linguagem dos Espíritos. </em></strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">E mais: os espíritas incluem comumente, sob a designação de animismo, a influência inconsciente do dito “médium” nas mensagens dos supostos “espíritos”.No capítulo IV do Livro dos Médiuns, “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosmediuns/pagina006_02.asp"><span style="color: #598d97;">Sistemas</span></a>“, Kardec levanta <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosmediuns/pagina006_02.asp"><span style="color: #598d97;">explicações alternativas à espiritualista</span></a>, e, em uma delas, admite a influência do “médium”:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>45. SISTEMA SONAMBÚLICO: este sistema teve mais partidários, mas ainda agora conta com alguns. <strong>Como precedente, admite que todas as comunicações inteligentes procedem da alma ou Espírito do médium</strong>… <strong>Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa</strong>…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Do trecho acima excluí os argumentos que Kardec usa para descartar essa explicação para todas as comunicações “mediúnicas”. Reproduzo-os agora:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>…Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa, mas é suficiente haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não pode resolver todos os casos, constituindo pois a exceção e não a regra. Poderia ser assim, se o médium tivesse sempre o ar de inspirado ou extático, aparência que ele poderia, aliás, simular perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Mas como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem a menor consciência do que obtém, sem a menor emoção, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distraído, rindo e tratando de assuntos diversos?</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">A esses argumentos adiciono outros, que Kardec apresentou na consideração de uma <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosmediuns/pagina006_02.asp"><span style="color: #598d97;">outra explicação alternativa</span></a>:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>… Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras… </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>… Somente a experiência, dissemos, poderia dar a última palavra sobre essa teoria, e a experiência a deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos mais positivos, que o pensamento manifestado pode ser, não só estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contrário ao deles; que contradiz todas as idéias preconcebidas e desfaz todas as previsões. De fato, quando eu penso branco e me respondem preto, não posso acreditar que a resposta seja minha…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Como, aliás, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que não sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filosófico obtidas através de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa língua desconhecida do médium? E mil outros fatos que não podem deixar dúvida quanto à independência da inteligência manifestante? … Além disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer questão formulada, não permite que se possa tomá-lo como um reflexo do que pensam os assistentes. </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>O sistema do reflexo é muito desagradável em certos casos. Quando, por exemplo, numa reunião de pessoas sérias ocorre uma comunicação de revoltante grosseria, atribuí-Ia a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e é provável que todos se apressassem em repudiá-Ia. (Ver O Livro dos Espíritos, parágrafo XVI da Introdução.) </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Ora, Allan Kardec, bastava que o Sr. prestasse atenção ao que está escrito em outro de seus livros. No capítulo VIII de O Livro dos Espiritos, “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosespiritos/pagina014_01.asp"><span style="color: #598d97;">Emancipação da Alma</span></a>”, o “Espirito da Verdade” teria respondido:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes ou de tudo o que vistes… freqüentemente não vos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida e a vossa volta, <strong>a que se junta a lembrança do que fizeste ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicaríeis esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples?</strong></em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">… <em>Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. <strong>Daí uma espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. </strong>Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. <strong>A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeadas de coisas do mundo atual, formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter senso nem nexo.</strong></em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>… 405. Freqüentemente se vêem em sonhos coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem; de onde vêm elas? </em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>— Podem cumprir-se para o Espírito, se não se cumprem para o corpo. <strong>Quer dizer que o Espírito vê aquilo que deseja, porque vai procurá-lo</strong>. Não se deve esquecer que, durante o sono, a alma está sempre mais ou menos sob a influência da matéria e por conseguinte não se afasta jamais completamente das idéias terrenas. Disso resulta que <strong>as preocupações da vigília podem dar, àquilo que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é que realmente se pode chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma idéia liga-se a ela tudo o que se vê… </strong></em><strong></strong></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Temos então a admissão, nas mais importantes fontes espíritas, de que há influências “paranormais” entre vivos (como a telepatia), e também que a mente humana pode criar um sonho que apresente conteúdo de fontes “anímicas” (como a “clarividência indefinida”), preocupações e a memória de eventos que ocorreram na vigília. Isso tudo ocorrendo no suposto “médium”, que funciona aí como o ponto central dessas informações todas, a exemplo do computador, e recriando-as no que “realmente pode-se chamar um efeito da imaginação”.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><strong>Isso é o bastante para responder às objeções apresentadas por Allan Kardec – que reproduzi acima – às explicações alternativas à “mediúnica”. Se todos os fatos que ele apresenta para contrariá-las preenchessem as condições que se esperaria de um fenômeno genuinamente mediúnico – repetindo: a proliferação de mensagens com detalhes da vida dos mortos através de médiuns diferentes que não se conhecessem e nem tivessem tido qualquer forma de comunicação entre si, ou o recebimento de trechos de mensagens através de diferentes médiuns, e que esses trechos se encaixassem formando um só texto com unidade interna -, ele estaria certo. Mas não é isso que ocorre. Os fenômenos que ele elencou são sempre compatíveis com o <em>modus operandi</em> de um computador, não do aparelho de televisão, </strong>e nada compatíveis com o que foi dito por Kardec e que reproduzi no início desta parte:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por meio mais rápido e mais autêntico. Eis porque encarregou os Espíritos de a levarem de um pólo ao outro, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra. Um homem pode ser enganado e pode enganar-se a si mesmo, mas não aconteceria assim, quando milhões vêem e ouvem a mesma coisa: isto é uma garantia</em> <em>para cada um e para todos…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>São realmente os próprios Espíritos que fazem a propaganda, com a ajuda de inumeráveis médiuns, que eles despertam por toda parte…Os Espíritos, entretanto, comunicando-se por toda parte, a todos os povos, a todas as seitas e a todos os partidos, são aceitos por todos…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>… eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente, em todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios e os transmitir aos mais ignorantes e aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">“To add insult to injury”, como se diria em inglês, Kardec tentou descartar a explicação de que as mensagens seriam fruto de uma “alma coletiva” das pessoas presentes à sessão. Do cap. IV de “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosmediuns/pagina006_02.asp"><span style="color: #598d97;">O Livro dos Méduns</span></a>”:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>44. SISTEMA DA ALMA COLETIVA: é uma variante do precedente. Segundo este sistema, somente a alma do médium se manifesta, mas identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que expõe essa teoria se intitule A Luz(5) pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco do que vimos e só a citamos para registrá-Ia. Trata-se, aliás, de uma opinião individual como tantas outras e que fez poucos adeptos…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Contraponho Allan Kardec a Stephen Wagner, em seu artigo intitulado “<a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://paranormal.about.com/od/ghosthuntinggeninfo/a/create-a-ghost.htm"><span style="color: #598d97;">How to create a ghost</span></a>” (Como criar um fantasma), do qual traduzo alguns trechos abaixo:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Muitos pesquisadores do paranormal suspeitam que algumas das manifestações fantasmagóricas e fenômenos de poltergeist… sejam produtos da mente humana. Para testar essa idéia, um experimento fascinante foi conduzido no início da década de 70 pela Toronto Society for Psychical Research (TSPR) para ver se eles conseguiriam criar um fantasma. A idéia era reunir um grupo de pessoas que comporia uma personagem completamente ficcional e, então, durante sessões mediúnicas, verificariam se era possível contatá-la e receber mensagens e outros fenômenos físicos – talvez até mesmo uma aparição.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Os resultados do experimento – que foram <a href="mhtml:{E9BC434E-53C7-47D7-BF13-14140C4EF423}mid://00003508/!x-usc:http://www.bigstar.tv/movie/philip-the-imaginary-ghost?bigstar=2b45c2eef6bb530b32f7cfd303badc7e#"><span style="color: #598d97;">totalmente documentados em filme e fita de áudio</span></a> – são surpreendentes.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>A TSPR, sob a supervisão do Dr. A.R.G. Owen, reuniu um grupo de oito pessoas de entre os associados, <strong>nenhum deles alegando ter quaisquer dons paranormais…</strong> [T]ornou-se conhecido como o Grupo de Owen…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>A primeira tarefa do grupo foi criar sua personagem histórica ficcional. Juntos, escreveram uma curta biografia da pessoa, que denominaram Philip Ayesford…</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Stephen Wagner passa então a descrever os detalhes biográficos que criaram, que incluíam incidentes muito específicos. Não foi uma descrição genérica.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Com a vida e aparência de sua obra então firmemente estabelecidas em sua mente, o grupo começou a segunda fase do experimento: o contato.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Em setembro de 1972, as “sessões” foram iniciadas, e nada conseguiram durante um ano, exceto alguns membros relatarem a sensação de uma presença na sala. Decidiram então reproduzir o ambiente clássico de uma sessão mediúnica, com luzes fracas, participantes em torno de uma mesa, etc.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Isso funcionou. Durante uma das sessões noturnas, o grupo recebeu a primeira comunicação de Philip na forma de uma inconfundível batida (rap) na mesa. Em breve Philip estava respondendo perguntas feitas pelo grupo – uma batida para sim, duas para não. Eles sabiam que era Philip porque, bem, perguntaram a ele.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>As sessões então deslancharam, produzindo uma profusão de fenômenos que não poderiam ser explicados cientificamente. Através da comunicação por batidas na mesa, o grupo conseguiu detalhes mais precisos da vida de Philip. Ele até parecia exibir uma personalidade, expressando suas preferências e sua convicta opinião sobre diversos assuntos… O “espírito” também conseguia mover a mesa, deslizando-a de um lado para o outro apesar de o chão estar revestido por um grosso tapete. Às vezes ela até “dançava” sobre uma só perna.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Que Philip era uma criação da imaginação coletiva do grupo era evidenciado por suas limitações. Embora pudesse responder perguntas sobre eventos e pessoas de sua época com precisão, não parecia possuir informações desconhecidas pelo grupo… Alguns membros pensavam ouvir sussurros em resposta às perguntas, mas nenhuma voz jamais foi capturada em fita.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Percebam que essa limitação das informações àquelas conhecidas pelo grupo se explica pelo fato de que nenhum dos participantes era “médium”. Se levarmos em consideração que um médium pode ser, de fato, um paranormal com a capacidade “anímica” de buscar informações de outras fontes – o que nem mesmo Allan Kardec nega – além da possibilidade de fraude, como descrita por Waldo Vieira, aliada ou não a uma paranormalidade genuína, mas que estou descartando agora -, a referência a fatos desconhecidos até mesmo por esse “médium”, ao contrário do que concluiu Kardec, é só uma variação do experimento descrito e que, nem por isso, deixou de apresentar fenômenos paranormais, como a levitação da mesa.</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000">Wagner continua descrevendo outros fenômenos físicos que ocorreram, mas diz que a desejada materialização de Philip jamais foi conseguida (talvez porque não ocorreram no consultório de Waldo Vieira). E cita a replicação do experimento, algo que tenho exigido das mensagens dos “espíritos” e que não existe até hoje:</span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>O experimento de Philip foi tão bem sucedido que a instituição de Toronto decidiu tentá-lo novamente com um grupo totalmente diferente e uma nova personagem ficcional. Depois de apenas 5 semanas, o novo grupo estabeleceu “contato” com seu novo “fantasma”, Lilith, uma espião franco-canadense. Outros experimentos similares convocaram entidades como Sebastian, um alquimista medieval , e até mesmo Axel, um homem do futuro. Todos completamente ficcionais, embora tendo produzido comunicações inexplicáveis por meio de suas inconfundíveis batidas.</em></span></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><span style="COLOR: #000000"><em>Recentemente, um grupo de Sidnei, Austrália, tentou um teste semelhante com o “Experimento Skippy”.Os seis participantes criaram a história de Skippy Cartman, uma garota australiana de 14 anos. O grupo relata que Skippy se comunicou com eles através de batidas e arranhos.</em></span></p>
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		<title>O universo em uma casca de noz por Stephen Hawking</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 19:44:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Douglas Lisboa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciências]]></category>

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		<description><![CDATA[Stephen Hawking quebra a casca da nós 
Ana Elizabeth Diniz
O genial Stephen Hawking, 59, nascido em Oxford, Inglaterra, é considerado o mais brilhante físico teórico desde Albert Einstein. Suas teorias já exploradas em seu primeiro livro &#8220;Uma Breve História do Tempo&#8221;, que virou filme, são redimensionadas em um novo livro &#8220;O Universo numa Casca de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Stephen Hawking quebra a casca da nós </strong></p>
<p>Ana Elizabeth Diniz</p>
<p>O genial Stephen Hawking, 59, nascido em Oxford, Inglaterra, é considerado o mais brilhante físico teórico desde Albert Einstein. Suas teorias já exploradas em seu primeiro livro &#8220;Uma Breve História do Tempo&#8221;, que virou filme, são redimensionadas em um novo livro &#8220;O Universo numa Casca de Noz&#8221;, ricamente ilustrado pelo não menos genial Malcolm Godwin. Esse ícone intelectual desvela um universo indecifrável até mesmo pela física que, através de suas teorias incompreensíveis, parece estar convencido de que &#8220;ainda não temos uma compreensão completa sobre a origem do universo.</p>
<p>&#8220;Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito&#8221;, disse Shakespeare, em Hamlet, ato dois, cena dois e interpretado pelo físico: &#8220;Hamlet talvez quisesse dizer que, embora nós, seres humanos, sejamos muito limitados fisicamente, nossas mentes estão livres para explorar todo o universo e para avançar audaciosamente para onde até mesmo a &#8216;Jornada nas Estrelas&#8217; teme seguir &#8211; se os maus sonhos permitirem&#8221;.</p>
<p>Hawking considera que &#8220;o universo possui várias histórias, cada uma determinada por uma minúscula noz. O universo é realmente infinito ou apenas enorme? Ele é eterno ou apenas tem uma longa vida? A coisa mais óbvia sobre o espaço é que ele contínua e contínua e embora ele pareça ser quase igual em cada posição do espaço, ele está definitivamente mudando no tempo. O universo está se expandindo.&#8221;</p>
<p>O físico explica, em seu livro, que &#8220;a teoria da relatividade de Einstein falhou ao tentar descrever os momentos iniciais do universo porque não incorporava o princípio da incerteza, o elemento aleatório da teoria quântica a que ele tinha se oposto, com o pretexto de que Deus não joga dados. Entretanto, tudo indica que Deus é um grande jogador. O universo pode ser imaginado como um gigantesco cassino, com dados sendo lançados ou roletas sendo giradas a todo momento. Talvez o universo não tenha limite no espaço e no tempo&#8221;.</p>
<p>Cientistas divergem sobre o princípio da incerteza</p>
<p>Stephen Hawking sustenta a existência do tempo imaginário, que forma ângulos retos com o tempo real comum, cuja passagem é sentida pelo ser humano. &#8220;A história do universo no tempo real determina a sua história no tempo imaginário e viceversa, mas os dois tipos de história podem ser bem diferentes. O universo não precisa ter início e nem fim no tempo imaginário. que se comporta apenas como outra direção no espaço.&#8221;</p>
<p>O físico chama a atenção para a superabundância de possibilidades para o universo. Por, que o universo é do jeito que é? &#8220;O princípio antrópico diz que o universo tem de ser mais ou menos como o vemos porque, se fosse diferente, não haveria ninguém para observá-lo. Muitos cientistas não gostam dessa teoria porque ela parece vazia e sem muito poder de previsão. Mas ela pode receber uma formulação precisa, e isso parece essencial quando se lida com a origem do universo.</p>
<p>Devido ao princípio da incerteza, sustenta Hawking, que &#8220;não haverá apenas uma história do universo contendo vida inteligente. Ao contrário, as histórias do tempo imaginário serão toda uma família de esferas ligeiramente deformadas, cada uma correspondendo a uma história no tempo real na qual o universo infla por um longo tempo, mas não indefinidamente.&#8221;</p>
<p>Hawking acredita que &#8220;ficaríamos mais satisfeitos com o princípio antrópico se fosse possível mostrar que diferentes configurações para o universo devêm ter evoluído a fim de produzir um universo como o que observamos. Isso implicaria que o estado inicial da parte do universo que habitamos não deve ter sido escolhido com grande cuidado.</p>
<p>Poderá o homem voltar no tempo?</p>
<p>Einstein em sua teoria da relatividade foi o precursor das discussões modernas sobre de viajar no tempo. Haveria a possibilidade de que o espaço-tempo pudesse ser tão deformado a ponto de permitir um pulo no tempo? &#8220;Isso poderia acontecer se existissem buracos de minhoca, tubos de espaço-tempo, que interligam diferentes regiões do espaço e do tempo. A idéia é que você pilote sua espaçonave para dentro de uma boca do buraco de minhocas e saia na outra boca, em lugar e tempo diferentes&#8221;, explica Stephen Hawking em seu livro &#8220;O Universo numa Casca de Noz&#8221;.</p>
<p>Ele argumenta que os buracos de minhoca, caso existam, seriam a solução para o problema do limite de velocidade no espaço: &#8220;Seria preciso dezenas de milhares de anos para atravessar a galáxia em uma espaçonave que viajasse abaixo da velocidade da luz, como exige a relatividade. Mas você poderia viajar por um buraco de minhoca até o outro lado da galáxia e voltar a tempo para o jantar. É possível mostrar que, se os buracos de minhoca existem, você também pode usá-los para retornar antes de iniciar a viagem. Então você pode pensar na possibilidade de explodir o foguete na plataforma de lançamento para impedir sua partida antes de qualquer coisa.</p>
<p>O físico brinca com a possibilidade de alguém voltar no tempo e matar seu avô antes que seu pai tenha sido concebido e, ao mesmo tempo, detona com essa alternativa. &#8220;Os universos não estão se expandindo na terceira dimensão espacial, que é periódica. Se você avançar certa distância nessa direção, voltará ao ponto de partida.&#8221;</p>
<p>Segundo o cientista, &#8220;as leis da física conspiram para impedir as viagens de objetos macroscópicos no tempo. Uma pessoa poderia ser aniquilada por uma descarga de radiação ao cruzar o horizonte de viagem no tempo. Mesmo a mais avançada civilização só conseguiria deformar o espaço-tempo em uma região finita.&#8221;</p>
<p>Um homem brilhante desvenda o abstrato</p>
<p>A noz foi a simbologia usada por Stephen Hawking para demonstrar o universo e suas varias dimensões. As teorias do físico convidam a uma overdose pelo mundo da percepção. Ele explora o abstrato com uma segurança desconcertante. &#8220;O Universo numa Casca de Noz&#8221;, que chega às livrarias este mês, é um livro denso, como a própria física e suas teorias enfadonhas, mas, por outro lado, revela um universo mágico.</p>
<p>O físico procurou o graal da ciência: a intrigante &#8220;Teoria de Tudo, que explicaria o próprio cosmo como uma casca multidimensional e interdependente de outras cascas ou realidades paralelas. Enfim, um livro que abre a perspectiva científica para sondar as dimensões ocultas do universo, na tentativa de explicar quem somos e para onde vamos. Se depender da sua genialidade. Hawking está bem próximo de comprovar através da física teórica a existência de Deus.</p>
<p>O homem do futuro continuará só</p>
<p>Nos últimos anos, o crescimento populacional tornou-se exponencial. A população cresceu a uma mesma percentagem a cada ano. Atualmente, a taxa é de cerca de 1,9 por cento ao ano. A população mundial sobra a cada 40 anos. Segundo cálculos do físico Hawking, em 2600, a população mundial ficará ombro a ombro e o consumo de eletricidade deixará a Terra incandescente.</p>
<p>Essa situação não pode perdurar. Então o que acontecerá? O físico acredita na possibilidade &#8220;de nos exterminarmos completamente por algum desastre, como uma guerra nuclear. Os pessimistas dizem que o motivo por que não fomos contatados por extraterrestres é que, quando uma civilização atinge o nosso estágio de desenvolvimento, torna-se instável e destrói a si mesma. Contudo, sou um otimista. Não acredito que a raça humana tenha chegado tão longe simplesmente para se extingir justo quando as coisas estão se tornando interessantes&#8221;, pontua Hawking.</p>
<p>Apesar de toda a evolução, o físico acredita que o futuro da ciência não será como em &#8220;Jornada das Estrelas&#8221;: Um universo povoado por muitas raças humanóides, com ciência e tecnologia avançadas, mas essencialmente estáticas. Em vez disso, acho que continuaremos sozinhos, mas evoluindo rapidamente na complexidade biológica e eletrônica. Pouco ocorrerá nos próximos cem anos. Mas no final do milênio, se lá chegarmos, a diferença entre nós e a ficção será significativa.&#8221;</p>
<p> </p>
<p>Fonte: http://www.jornalinfinito.com.br/materias.asp?cod=128</p>
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		<title>Definição de ateísmo por William Craig</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 19:29:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Douglas Lisboa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética cristã]]></category>

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		<description><![CDATA[Definição de Ateísmo
Tradução: Marcela Totolo
Em minhas discussões com ateus, eles argumentam que “não possuem crença em Deus”. Argumentam que isto é diferente de dizer que não acreditam em Deus ou de afirmar que Deus não existe. Não estou certo da melhor forma de responder a esta questão. A mim, parece que estão fazendo um jogo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><a title="Permanent Link: Definição de Ateísmo" href="http://www.apologia.com.br/?p=480">Definição de Ateísmo</a></h2>
<p><em>Tradução: Marcela Totolo</em></p>
<p>Em minhas discussões com ateus, eles argumentam que “não possuem crença em Deus”. Argumentam que isto é diferente de dizer que não acreditam em Deus ou de afirmar que Deus não existe. Não estou certo da melhor forma de responder a esta questão. A mim, parece que estão fazendo um jogo tolo de palavras que, na verdade, têm o mesmo significado – eles não crêem em Deus. Qual seria uma boa resposta a esta questão? Obrigado,</p>
<p>Steven.</p>
<p><a href="http://www.reasonablefaith.org/">Dr. William Lane Craig</a> responde:</p>
<p>Seus amigos ateus estão certos no sentido em que há uma importante diferença lógica entre crer que Deus não existe e não possuir a crença de que Deus existe. Basta você comparar com esta minha alegação: “Eu acredito que não existe ouro em Marte” e a outra: “Eu não tenho a crença de que haja ouro em Marte”. Se eu não tenho uma opinião formada acerca do assunto, eu não possuo a crença de que exista ouro em Marte e também não possuo a crença de que não exista. Há uma certa diferença entre dizer “eu não tenho crença em (p)” e “eu creio em (não-p). Na lógica, o lugar onde se coloca a negação faz um mundo de diferença.</p>
<p>Mas o erro de seus amigos ateus está em afirmar que o ateísmo apenas implica em não possuir a crença de que Deus existe, em vez de crer que Deus não existe.</p>
<p>Há  uma história por trás disto tudo. Certos ateus na metade do século XX promoveram a chamada “presunção do ateísmo”. Em primeira instância, esta seria a afirmação de que na falta de evidências para a existência de Deus, deve-se presumir que ele não existe. Assim, o ateísmo seria uma espécie de posição padrão, e os teístas teriam um ônus especial da prova com relação à crença de que Deus existe.</p>
<p>Esclarecido isto, percebemos que a alegada presunção por parte dos ateus é um erro, evidentemente. Pois a asserção de que “não há Deus” é uma afirmação de posse de conhecimento assim como a asserção de que “Deus existe”. Conseqüentemente, a primeira afirmação requer justificação assim como a última. Na verdade, são os agnósticos os que declaram não ter nenhuma posse do conhecimento a respeito da existência de Deus. Eles são os que dizem que não sabem se há ou não Deus.</p>
<p>Mas observando mais atentamente o uso do termo ateu pelos adeptos da presunção do ateísmo, você percebe que eles definem este termo de uma maneira que não é usual, de forma a torná-lo sinônimo de não-teísta. Deste modo, o termo pode abranger os agnósticos tanto quanto os ateus propriamente ditos, além daqueles que pensam que tal questão é sem sentido (verificacionistas). De acordo com Anthony Flew,</p>
<p>A palavra ateu deve ser construída, no presente contexto, de maneira não usual. Atualmente esta palavra é normalmente utilizada para se referir a alguém que explicitamente nega a existência… de Deus… mas aqui, ela deve ser entendida não positivamente, mas negativamente, pela utilização do prefixo grego “a-“ de ateu, de maneira similar como em… palavras como ‘amoral’…, por exemplo. Deste modo, o ateu não é alguém que afirma positivamente a não existência de Deus, mas alguém que simplesmente não é um teísta.  (<em>A Companion to Philosophy of Religion,</em> ed. Philip Quinn and Charles Taliaferro [Oxford:  Blackwell, 1997], s.v. “The Presumption of Atheism,” por Antony Flew)</p>
<p>Tal redefinição do termo ateu torna trivial a afirmação da presunção do ateísmo, pois, nesta definição, o ateísmo deixa de ser uma posição. Ela se torna apenas um estado psicológico compartilhado por um grupo de pessoas com diferentes visões sobre diferentes questões, ou que não têm visão nenhuma acerca de nada. De acordo com esta redefinição, até mesmo os bebês, que não têm opinião formada acerca de coisa alguma, são considerados ateus! Na verdade, até minha gata, Muffs, pode ser considerada ateísta, já que ela (até onde sei) não possui crença em Deus.</p>
<p>Continuaria sendo necessário uma justificação para se possuir o conhecimento de que Deus existe ou não, e este é o ponto em que estamos interessados.</p>
<p>E talvez você esteja imaginando por que os ateus estariam tão ansiosos para trivializar suas posições? Concordo com você em que há um jogo de engano sendo jogado por muitos ateus. Se o ateísmo fosse tomado como a posição de que Deus não existe, os ateus teriam que suportar o ônus da prova para justificar tal posição. Mas muitos ateus admitem abertamente que eles não podem suportar tal ônus. Por isso, eles tentam evitar esta responsabilidade epistemológica ao redefinir o ateísmo de modo a torná-lo não mais uma posição, mas apenas uma condição psicológica, que, como tal, não faz asserções. Na verdade, eles são agnósticos enrustidos, que desejam apresentar-se como ateus sem responder pelas suas responsabilidades.</p>
<p>Isto é hipocrisia, e ainda não nos responde a questão “Existe Deus ou não?”</p>
<p><em>Nota do webmaster: Para conhecer alguns argumentos em favor da existência de Deus, visite a seção </em><a href="http://www.apologia.com.br/?cat=4"><em>Deus existe?</em></a></p>
<p><em>O artigo original pode ser encontrado em </em><a href="http://www.reasonablefaith.org/site/News2?page=NewsArticle&amp;id=5631"><em>www.reasonablefaith.org</em></a></p>
<p>Fonte: http://www.apologia.com.br/?p=480</p>
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		<title>A morte de Jesus Cristo na cruz por William Craig</title>
		<link>http://www.evangelizandopelarazao.com.br/apologetica-crista/a-morte-de-jesus-cristo-na-cruz-por-william-craig/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 19:11:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Douglas Lisboa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética cristã]]></category>

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		<description><![CDATA[(pergunta do leitor a William Lane Craig)
Olá Dr. Craig,
Primeiro lugar, gostaria de lhe agradecer por seu tempo e seu trabalho o qual dedica em seu ministério. Ele tem beneficiado muito a mim e também me incentivou a seguir uma licenciatura em filosofia.
A minha pergunta é que eu nunca fui capaz de obter uma resposta clara. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(pergunta do leitor a William Lane Craig)</p>
<p>Olá Dr. Craig,</p>
<p>Primeiro lugar, gostaria de lhe agradecer por seu tempo e seu trabalho o qual dedica em seu ministério. Ele tem beneficiado muito a mim e também me incentivou a seguir uma licenciatura em filosofia.</p>
<p>A minha pergunta é que eu nunca fui capaz de obter uma resposta clara. Quando Jesus morreu na cruz, Deus morreu? Assim sendo, a essência de Jesus realmente morreu?</p>
<p>Esta questão realmente me incomodou depois de ouvir a canção &#8220;e pode ser?&#8221; Há uma parte  lá para o final do refrão &#8220;Imenso Amor! Como pode ser que tu fosses meu Deus morrer por mim? Amém?&#8221;</p>
<p>Eu realmente nunca fui capaz de obter uma resposta clara e concisa sobre esta questão. Parece haver algumas opiniões divergentes entre os teólogos quanto à natureza desta questão. Pastor John MacArthur parece pensar que Deus fez morrer, porque Jesus é Deus. Mas R.C. Sproul por outro lado, discorda e acredita que Deus não pode morrer.</p>
<p>Não vejo como é possível que Deus pudesse realmente morrer. Se Deus a morresse, então Ele não seria um ser necessário. Mas isso é impossível, porque Deus deve ser necessário, por definição. Assim, quando Cristo morreu na cruz, foi apenas a parte humana que morreu?</p>
<p>Esta é uma pergunta difícil, e eu agradeceria muito se você pudesse lançar alguma luz sobre ela.</p>
<p>Muito obrigado,</p>
<p>Jesse</p>
<p>Dr. Craig responde:</p>
<p>Eu não poderia resistir à sua pergunta, Jesse, uma vez que os recursos para o argumento foi o meu hino favorito, o magnífico &#8220;e pode ser?&#8221; por Charles Wesley. Peço para que ouçam este hino e contemplem sua letra sobre o maravilhoso amor de Deus.</p>
<p>A sua pergunta é a mesma dúvida dos nossos amigos muçulmanos e por isso é muito urgente. Felizmente, a histórica igreja cristã tem abordado esta questão com clareza.</p>
<p>O Concílio de Calcedónia (451) declarou que o Cristo encarnado é uma pessoa com duas naturezas, uma humana e uma divina. Isto tem consequências muito importantes. Isso implica que uma vez que Cristo existiu antes de sua encarnação, ele era uma pessoa divina antes de assumir uma natureza humana. Ele foi e é a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Na encarnação, esta pessoa divina assume uma natureza humana, mas não há nenhuma outra pessoa em Cristo, apenas a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Há sim, uma natureza mais humana que a pré-Cristo encarnada não tem, mas não há pessoa humana para além da pessoa divina. Há apenas uma pessoa que tem duas naturezas.</p>
<p>Portanto, o que Cristo disse e fez, Deus disse e fez, pois quando falamos de Cristo, estamos falando de uma pessoa. Por essa razão, o Conselho apóia a falar de Maria como &#8220;a mãe de Deus&#8221;. Ela deu a luz a uma pessoa que é uma pessoa divina. Infelizmente, essa linguagem tem sido desastrosamente enganosa porque soa como se Maria tivesse dado à luz a natureza divina de Cristo, quando na verdade ela deu à luz a natureza humana de Cristo. Mohammed aparentemente pensou que os cristãos acreditavam que Maria tinha sido o terceiro membro da Trindade, e Jesus era filho de Deus Pai e Maria, uma visão que ele acertadamente rejeitou   considerando uma blasfêmia, mas nenhum cristão ortodoxo o prendeu.</p>
<p>Para evitar mal-entendidos inevitáveis, é útil para falar do que Cristo faz ou como ele é relativo a uma de suas duas naturezas. Por exemplo, Cristo é onipotente em relação à sua natureza divina, mas ele é limitado em potência em relação à sua natureza humana. Ele é onisciente em relação a sua natureza divina, mas ignorantes de vários fatos quando esteve na natureza humana. Ele é imortal no que diz respeito à sua natureza divina, mas mortal no que diz respeito à sua natureza humana.</p>
<p>Provavelmente, você pode ver agora para onde estou indo. Cristo não pode morrer no que diz respeito à sua natureza divina, mas ele poderia morrer com respeito à sua natureza humana.</p>
<p>A morte é humano? É a separação da alma do corpo quando o corpo deixa de ser um organismo vivo. A alma sobrevive ao corpo e um dia vai voltar a ser unida com ela de uma forma ressuscitada. Foi o que aconteceu com Cristo. Sua alma foi separada de seu corpo e seu corpo deixou de estar vivo. Ele tornou-se temporariamente uma pessoa desencarnada. No terceiro dia Deus o ressuscitou dentre os mortos em um corpo transformado.</p>
<p>Em resumo, sim, podemos dizer que Deus morreu na cruz porque a pessoa que sofreu a morte era uma pessoa divina. Assim, Wesley estava certo em perguntar, &#8220;Como pode ser, que Tu, meu Deus, deverias morrer por mim?&#8221; Mas dizer que Deus morreu na cruz é enganosa, da mesma forma que é enganoso dizer que Maria era a mãe de Deus. Então eu acho que é melhor dizer que Cristo morreu na cruz com respeito à sua natureza humana, mas não com relação à sua natureza divina.</p>
<p> </p>
<p>Fonte: <a href="http://www.reasonablefaith.org/site/PageServer?pagename=q_and_a">http://www.reasonablefaith.org/site/PageServer?pagename=q_and_a</a></p>
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		<title>C.S. Lewis &#8211; O problema do sofrimento</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Dec 2009 19:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Douglas Lisboa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética cristã]]></category>
		<category><![CDATA[CS Lewis]]></category>
		<category><![CDATA[mal do mundo]]></category>
		<category><![CDATA[origem do mal]]></category>
		<category><![CDATA[problema do sofrimento]]></category>
		<category><![CDATA[violência e miséria]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais competição do que cortesia.
Se a lei da natureza fixa da matéria a impede de de ser sempre e em todas as suas disposições igualmente agradável, até mesmo para uma alma singela, é bem possível para uma alma singela, é bem menos possível para a matéria do universo ser distribuída a qualquer momento, de modo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Mais competição do que cortesia.</div>
<div>Se a lei da natureza fixa da matéria a impede de de ser sempre e em todas as suas disposições igualmente agradável, até mesmo para uma alma singela, é bem possível para uma alma singela, é bem menos possível para a matéria do universo ser distribuída a qualquer momento, de modo que seja igualmente conveniente e prazeiroza a todos os membros de uma sociedade.</div>
<div>Se um homem, que esteja viajando em uma determinada direção, tiver de descer um morro, uma pessoa que vier na direção oposta terá de subi-lo.</div>
<div>Por mais que eu queira ver um graveto deitado, no lugar que eu escolhi, ele não estará deitado ali a não ser por uma grande conscidência. E isso está muito longe de ser um mal; pelo contrário, fornece ocasião para todos aqueles atos de cortesia, respeito e esvaziamento de si, pelos quais se expressam o amor, o bom humor e a modéstia.</div>
<div>Mas isso deixa um caminho aberto para o grande mal da competição e da hostilidade. E se as almas são livres, elas não podem deixar de lidar com o problema da por meio da competição em lugar da cortesia.</div>
<div>Uma vez que elas tenham avançado para a hostilidade verdadeira, poderão então explorar a natureza fixa da matéria para se machucarem mutuamente.</div>
<div>A natureza permanente da madeira, que nos permite usá-la como um anteparo, também nos usá-la para bater na cabeça do nosso próximo.</div>
<div>A natureza permanente da matéria, significa de uma maneira geral, que quando os seres humanos lutam entre si, a vitória costuma ser daqueles que possuem armas, habilidades e que estão em número superior, mesmo sendo a causa injusta.</div>
<div> </div>
<div>C.S Lewis - O Problema do Sofrimento</div>
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		<title>Por que devemos evangelizar?</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 19:35:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Reichenbach</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apologética cristã]]></category>
		<category><![CDATA[evangelizando com ousadia]]></category>
		<category><![CDATA[evangelizando um agnóstico]]></category>
		<category><![CDATA[evangelizando um ateu]]></category>
		<category><![CDATA[evangelizando um cético]]></category>
		<category><![CDATA[evangelizando um cristão]]></category>
		<category><![CDATA[evangelizndo com excelência]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos céticos costumam me perguntar por que faço tanta questão de evangelizar. Bom, em primeiro lugar, é por ser a vontade de Deus.  
1 &#8211; Marcos 16:15 - &#8221;E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.&#8221;
 E claro, por acreditar que o caminho cristão, é o caminho que nos conduz a sermos pessoas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos céticos costumam me perguntar por que faço tanta questão de evangelizar. Bom, em primeiro lugar, é por ser a vontade de Deus.<span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"> <span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"><span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"><span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"><span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"> </span></span></span></span></span></p>
<p><span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"><span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"><span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"><span style="color: #1450dc; font-size: x-small;"></span></span></span></span>1 &#8211; Marcos 16:15 - &#8221;E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.&#8221;</p>
<p> E claro, por acreditar que o caminho cristão, é o caminho que nos conduz a sermos pessoas de excelência, seguindo o mestre dos mestres, o rei dos reis que é Jesus Cristo.</p>
<p>Como missionário, é também minha obrigação evangelizar pela internet, essa magnifica &#8220;web&#8221; de informações. Assim como dou apoio a minha igreja que evangeliza outros países com varios outros missionarios. Enfim, o próprio Deus diz que devemos evangelizar o mundo e levar as boas novas.</p>
<p>Sendo assim, é missão de todo cristão divulgar a palavra de Deus.</p>
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