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Debate: William Lane Craig X Bart Ehrman – evidências históricas da ressureição de Jesus novembro 25, 2009

Posted by Gustavo Reichenbach in : Debates religiosos , trackback

Questão para o Dr. Ehrman: Minha questão é para o Dr. Ehrman. Muito obrigado
pela sua apresentação. Um dos comentários feitos por você é que
historiadores não podem pressupor a crença em Deus. Eu sou um historiador e,
na verdade, eu estou fazendo minha dissertação de Ph.D. atualmente sobre
historiografia, e eu concordo com você que não se pode pressupor a crença em
Deus. Mas você não pode também pressupor a crença no passado, o período, ou
que nós podemos até mesmo conhecê-lo parcialmente. Nós temos de ser capazes
de respaldar esta crença. Assim, os historiadores não podem ter nenhuma
pressuposição; eles devem ser capazes de respaldar quaisquer crenças
metafísicas que eles vão jogar sobre a mesa. Assim, se você vai acreditar em
Deus, como o Dr. Craig, você tem que justificar isto. Mas eu não acho que o
mesmo esteja fora do escopo do estudo histórico, uma vez que historiadores
têm de percorrer outras disciplinas freqüentemente. Eu gostaria de saber
como você lida com isto.

Resposta do Dr. Ehrman: Bem, obrigado pela questão! Eu não acredito que
História seja uma disciplina objetiva para começarmos. Soa de sua questão
que você concorda com o ponto que foi levantado, mas nós precisamos
conversar mais sobre seu uso da teoria pós-moderna. A minha visão é que os
historiadores não devem respaldar nenhuma pressuposição que ele ou ela
tenha. Mas meu ponto é que para um historiador fazer seu trabalho, deve
existir certos pressupostos compartilhados em comum, mas estes pressupostos
devem poder ser observados. Deus não pode ser observado. Assim nós podemos
muito bem discordar sobre eventos históricos importantes. Existem pessoas em
nosso mundo que, por exemplo, negam o holocausto, que dizem que o holocausto
nunca aconteceu. Bem, como alguém pode demonstrar que o holocausto
aconteceu? Bem, este alguém reúne relatos de testemunhas oculares,
fotografias e vídeos e ainda adiciona as citações de historiadores que
concordam que o material colhido é válido, e então este alguém tenta
elaborar seu caso. Mas as informações recolhidas devem ser de tal forma que
historiadores de todos os tipos concordam que elas sejam válidas, o mesmo em
relação às testemunhas oculares. E apelar para o sobrenatural não é
aceitável na comunidade histórica como sendo um critério válido para se
avaliar um evento passado. A razão disto, em parte, é porque alguém pode vir
com qualquer explicação teológica alternativa para o caso. Vejo que passei
do meu tempo, mas eu ia lhes dar uma explicação teológica alternativa à
hipótese da ressurreição, mas farei isto depois.

Resposta do Dr. Craig: A visão do Dr. Ehrman parece ser que, para fazermos
história, devemos pressupor um tipo de ateísmo metodológico. E a mim isto
parece não apenas falso, mas, como eu já disse, literalmente
autocontraditório. Porque se é verdade que o historiador não pode fazer
nenhum julgamento sobre Deus, então ele não pode fazer o julgamento de que é
improvável que Deus tenha ressuscitado Jesus de dentre os mortos. E, sendo
assim, ele não pode fazer nenhuma avaliação probabilística sobre a
ressurreição baseado no corpo de informações que temos. Este valor
probabilístico seria inescrutável. E se é inescrutável, então ele não pode
fazer julgamentos sobre as fantasiosas explicações naturalistas alternativas
que ele nos deu. Assim me parece que o historiador deve estar aberto, pelo
menos metodológica-mente. Ele não pode ser um ateísta metodológico. E em
todo caso, digo novamente, este não é um debate sobre o que os historiadores
podem fazer. Eu, como filósofo, penso poder inferir esta conclusão com base
na evidência histórica, e não há nada ilegítimo ou ilícito ao se fazer isto.

Questão para o Dr. Craig: Dr. Craig, nós temos [má recepção do microfone],
que são: você acredita que existem alguns problemas, enganos ou erros nos
documentos do Novo Testamento? E segunda, ele está sugerindo que, como você
disse que é uma fonte confiável por não possui adulterações, Mateus não
seria assim uma fonte confiável por ter sido adulterada. Então você precisa
responder a isto.

Resposta do Dr. Craig: OK, Dr. Ehrman está tentando pregar uma pequena
trapaça de debatedor aqui em mim, na qual eu simplesmente me recuso a
participar. O critério desta questão é: se um relato é simples, não contém
adulterações teológicas, etc. então ele possui mais probabilidade e
credibilidade de ser histórico. E eu penso que isto é verdadeiro. Mas este
debate não é sobre a inerrância bíblica. Então minha atitude sobre a questão
de existir ou não erros ou enganos na Bíblia é irrelevante. Esta seria uma
convicção teológica. Historicamente, eu estou usando os mesmos critérios que
ele usa, e eu estou completamente aberto à sua demonstração de que existem
erros e enganos nas narrativas. Esta não é a questão do debate nesta noite.

A inerrância da Bíblia é uma grande questão na fé pessoal do Dr. Ehrman que
o levou a abandonar sua fé cristã. Mas eu não estou pressupondo nenhum tipo
de doutrina teológica sobre a inerrância bíblica ou de sua inspiração – nem
estão todos os estudiosos que pensam que estes quatro fatos são
estabelecidos por critérios de autencidade que ele mesmo defende. Então
minha atitude teológica acerca de eu pensar que existem ou não erros na
Bíblia é irrelevante nesta noite. A questão é, o que você pode provar
positivamente usando os critérios padrões? E meu argumento é que quando você
usa estes critérios, você pode provar positivamente estes quatro fatos
básicos subseqüentes à crucificação de Jesus.

Resposta do Dr. Ehrman: Então aparentemente tudo bem em se ter pressupostos
teológicos sobre a ressurreição, mas não está OK ter pressupostos teológicos
sobre as fontes históricas sobre as quais a crença na ressurreição está
baseada. Se a crença na ressurreição é baseada em certas fontes que estão na
Bíblia e se estas fontes, em sua própria natureza, devem ser inerrantes,
então naturalmente você concluiria que a ressurreição aconteceu. Mas Bill se
recusa a nos dizer se ele acha que a Bíblia contém erros ou não. Ele não nos
dirá isso porque ele ensina em uma instituição na qual o colegiado concorda
que a Bíblia é inerrante sem nenhum tipo de erro em suas palavras. Então ele
não pode acreditar que existam quaisquer erros na Bíblia. Se ele acha que a
Bíblia contém erros, então eu gostaria que eles nos falasse dois ou três
deles. Se ele não acha que a Bíblia contém erros, eu gostaria de saber com
ele pode dizer que está usando os evangelhos do Novo Testamento como fontes
históricas. Ele não pode avaliar criticamente estas fontes, e uma coisa que
os historiadores devem fazer é ser capazes de avaliar criticamente as fontes
sobre as quais suas afirmações estão baseadas.

Questão para Dr. Ehrman: Obrigado Dr. Ehrman, Você acha que a Teologia é de
algum modo uma fonte válida de conhecimento ou você acredita no naturalismo
filosófico? [Má recepção do microfone]

Resposta do Dr. Ehrman: Eu acho que os métodos teológicos de conhecimento
são perfeitamente aceitáveis e legítimos com métodos teológicos de
conhecimento. Mas eu acho que as afirmações teológicas devem ser avaliadas
em bases teológicas. Por exemplo, a idéia que estes quatro fatos que Bill
continua a se referir mostram que Deus ressuscitou Jesus de dentre os
mortos. Você pode surgir com uma visão teológica diferente desta proposta
por Bill. Suponha, por exemplo, para explicar estes quatro fatos, que o deus
Zulu enviou Jesus para 12ª dimensão, e nesta 12ª dimensão ele era permitido
retornar periodicamente à Terra para um breve descanso de seus sofrimentos
eternos. Mas ele não pode falar aos seus discípulos sobre isto porque Zulu o
disse que, se o fizesse, ele iria acrescentar mais dor à suas agonias
eternas. Então, esta é outra explicação teológica para o que aconteceu. Ela
explicaria a tumba vazia e explicaria as aparências de Jesus. Ela não é tão
provável quanto deus ter ressuscitado Jesus dos mortos e tê-lo feito sentar
ao seu lado direito; que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó interferiu na
história e exaltou seu nome ao ressuscitar seu Messias? Bem, você pode
pensar que não, que na verdade a primeira explicação do deus Zulu é louca.
Bem, sim, OK, é louca; mas é teologicamente louca. Não é historicamente
louca. Ela não é menos provável como explicação para o que aconteceu do que
a explicação de que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó ressuscitou Jesus dos
mortos porque ambas as explicações são teológicas; elas não são explicações
históricas. Então, na esfera da Teologia, eu certamente penso que a Teologia
é um método legítimo de pensamento. Mas os critérios para avaliação
teológica são teológicos; eles não são históricos.

Resposta do Dr. Craig: Hipóteses teológicas como esta certamente podem ser
avaliadas pelos critérios que eu usei para avaliar a ressurreição de Jesus.
Em particular, uma hipótese como a que foi sugerida, eu penso, possui um ad
hoc gigantesco e altamente implausível, considerando que o contexto
religioso-histórico no qual a ressurreição de Jesus supostamente ocorreu, eu
acho extremamente plausível pensar que na exaltação do Deus de Israel à
afirmação radical de Jesus de Nazaré como sendo o Filho de Deus e a
revelação de Deus à humanidade. Quando você observa o contexto, eu acho que
ele provê a chave ou uma pista para a interpretação adequada do milagre.
Então eu acho que devemos avaliar as reivindicações teológicas
filosoficamente e também de acordo com os mesmos critérios que eu propus que
usássemos ao avaliar as explicações para os quatro fatos.

Questão para o Dr. Craig: Estou muito interessado no cálculo de
probabilidade que você mostrou. Para dizer que foi provável que Jesus
ressuscitou você precisa colocar números naquela equação e chegar a uma
resposta maior do que 0,5. Eu estou interessado em qual é o resultado deste
cálculo e qual é a margem de erro dele. E como estes números foram
determinados?

Reposta do Dr. Craig: Obrigado pela questão! Richard Swinburne, que é um
estudioso na Universidade de Oxford, escreveu um livro sobre a encarnação e
a ressurreição no qual ele faz uso do cálculo de probabilidade que eu
demonstrei. Sua estimativa é de que a probabilidade da ressurreição de Jesus
é de 0,97, e você pode ler neste livro a razão deste resultado. Eu
particularmente não uso o cálculo da probabilidade para argumentar sobre a
ressurreição de Jesus. A razão de eu o trazer aqui foi para prover uma
resposta para os argumentos do Dr. Ehrman ofereceria com base no argumento
de Hume contra a verificação de milagres, que eu penso ser completamente
errado porque ele tenta dizer que a ressurreição é improvável simplesmente
por causa da improbabilidade da ressurreição sobre o corpo de informações
que temos à parte das evidências para a ressurreição de Jesus, apenas. Na
verdade, eu penso que esta probabilidade é inescrutável, uma vez que estamos
lhe dando com um agente livre. Eu não vejo como nós podemos inferir ou
assegurar um número específico para as variáveis do cálculo. Então a maneira
na qual eu argumento sobre a ressurreição não é usando o cálculo de
probabilidades. E sim usando aquilo que chamamos de “inferência à melhor
explicação”, que é a maneira pela qual os historiadores normalmente
trabalham. Isto quer dizer, você avalia hipóteses históricas concorrentes
sob os mesmos critérios como: poder explanatório, escopo explicativo,
plausibilidade, menor quantidade de ad hoc, concordância com as crenças já
aceitas, etc. E eu estou preparado para argumentar que quando você coloca a
hipótese da ressurreição ao lado das alternativas naturalistas, você verá
que a hipótese da ressurreição vence com sobras suas teorias rivais
naturalistas – a não ser que você pressuponha algum tipo de ateísmo
metodológico para travar a hipótese da ressurreição. Eu acho que é
exatamente isto o que o Dr. Ehrman faz. Da mesma que eu acredito em Deus e,
portanto, acho que a existência de Deus é bem plausível, como alguém que não
acredita, ele acha que a possibilidade da ressurreição é absurdamente
improvável. Mas ele não nos deu nenhuma boa razão para pensarmos que a
existência de Deus é improvável ou que é improvável que Deus ressuscitou
Jesus de dentre os mortos. Na verdade, ele não pode fornecer uma avaliação
de probabilidade, uma vez que ele mesmo comentou sobre os limites de um
historiador.

Resposta do Dr. Ehman: Desculpe. Eu não acredito que estamos tendo uma
conversa séria sobre a probabilidade estatística da ressurreição ou a
probabilidade estatística da existência de Deus. Eu acho que em qualquer
universidade do país, se nós estivéssemos perante um grupo de acadêmicos,
nós seríamos expulsos do palco…

Dr. Craig: Isto não é verdade.

Dr. Ehrman: Bem, talvez não seja verdade na escola onde você ensina, mas na
instituição de pesquisa onde eu ensino…

Dr. Craig: Bem, o que você me diz sobre a Universidade de Oxford, onde o
Professor Swinburne ensina?

Dr. Ehrman: Bem, Swinburne mostrou que a probabilidade é de 0,97. E quantas
pessoas se convenceram disto exatamente? Estes argumentos são aqueles que só
convencem quem quer ser convencido. Eles não são argumentos sérios para ser
considerados pelas pessoas, então eles podem dizer, “Ah sim, agora eu vou
acreditar porque existe uma probabilidade de 0,97″. Isto não faz sentido;
você não pode demonstrar a existência do sobrenatural por cálculos
estatísticos.

Questão para o Dr. Ehrman: O que eu quero perguntar é, os relatos de
ocorrências de milagres através do tempo tornam a probabilidade maior que os
historiadores pensam?

Reposta do Dr. Ehrman: Boa pergunta. A questão é: o relato da ocorrência de
milagres através do tempo aumenta a probabilidade? Eu diria que a resposta é
provavelmente “não” porque em todas as instâncias você precisa avaliar se o
evento é provável ou não e um milagre nunca seria um evento provável. Então,
se alguém pensa que sim, que um milagre é um evento provável, o que eu
gostaria que Bill fizesse é nos dizer por que ele não acha que Maomé
realizou milagres uma vez que certamente temos relatos disto. Por que ele
não acha que Apolônio de Tiana realizou milagres? Ele citou Larry Yarbrough,
que, na verdade, provavelmente nunca leu sobre a vida de Apolônio. Eu sei
disso porque eu tive uma conversa com Larry Yarbrough sobre isto. Ele nunca
leu os textos. Eu não sei se Bill leu os textos. Eles são muito
interessantes; são textos gregos e estão amplamente disponíveis. Eles nos
dizem que Apolônio de Tiana realizou muitos milagres semelhantes aos que
Jesus realizou; ele podia expulsar demônios, curar doenças, ressuscitar os
mortos, e no final de sua vida ele subiu aos céus. E Apolônio de Tiana foi
apenas um dentre uma centena de pessoas do mundo antigo sobre as quais estes
fatos foram atribuídos. Então, se permitirmos a possibilidade de Jesus, o
que faremos quanto à possibilidade de Apolônio? Ou Honi, o desenhista de
círculos, ou Hanina ben Dosa ou o imperador Vespasiano? Você pode
acrescentar quantos nomes você quiser. Agora, a razão de nós não sabermos
muito sobre estas pessoas é porque, claro, o único milagreiro Filho de Deus
que conhecemos é Jesus. Mas, na verdade, no mundo antigo existiam centenas
de pessoas como Jesus, com centenas de histórias contadas sobre eles. Nós
não os contamos porque eles não estão em nossa tradição. Esta é a razão do
porque minha explicação alternativa de Zulu soou implausível a Bill: em sua
tradição é o Deus de Jesus, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó que deve estar
envolvido no mundo. E, claro, pessoas de outras religiões dizem que são
outros deuses que estão envolvidos. Então, está não é apenas uma questão
sobre se Deus está envolvido. Qual Deus está envolvido? E como eu frisei
anteriormente, será apenas uma coincidência acontecer de Deus ser o Deus que
Bill pôde mostrar historicamente sua existência e também o Deus para o qual
ele se converteu quando tinha 16 anos de idade.

Resposta do Dr. Craig: A razão de nós não acreditarmos em muitos outros
milagres não é porque não estamos abertos a eles. Pelo contrário, estou
completamente aberto à idéia de que Deus realizou milagres aparte de Jesus.
Mas, por exemplo, em relação a Maomé, com todo respeito, não há nenhuma
evidência de que eles aconteceram. Não há nenhuma afirmação do Corão de que
Maomé realizou milagres. A primeira biografia que temos de Maomé é datada de
no mínimo 150 anos após sua morte, e eu não estou certo se até mesmo lá
existem afirmações sobre milagres. Em relação a Apolônio de Tiana, as
afirmações de milagres são mitos e lendas que não possuem qualquer valor
histórico. Trata-se de invenções pós-cristãs, onde Apolônio é uma figura que
deliberadamente foi construída para competir com os cristãos primitivos.
Então, a razão de alguém não acreditar em milagres nestes casos é porque não
existe nenhuma boa evidência que os sustentem. Mas, em contraste, a maioria
dos estudiosos do Novo Testamento, como Bart Ehrman sabe, acredita que Jesus
de Nazaré executou um ministério de obras milagrosas e exorcismos. Você pode
acreditar que os relatos de milagres contém acréscimos, mas não há dúvida
hoje de que Jesus de Nazaré foi aquilo que ele pensou que era, um realizador
de milagres.

Questão para o Dr. Craig: Dr. Craig, um dos pontos levantados por você mais
cedo acerca das probabilidades foi que devemos comparar as probabilidades da
ressurreição com as probabilidades das outras explicações. E o Prof. Ehrman
tem esta história de que ele não acredita e insinuou que não acha que elas
aconteceram. Assim eu gostaria apenas de ler alguns versículos do evangelho
de Lucas e lhe dar a chance de comentar sobre estes versículos e dizer,
baseado no que o Prof. Ehrman disse, se é a sua visão ou a dele que faz mais
sentido à luz destes versículos. Então, a passagem está em Lucas 24 e é
quando Jesus apareceu aos dois homens no caminho de Emaús e eles não o
reconheceram. Ele está conversando com eles e eles não o reconheceram. E
eles falaram sobre todas as coisas que aconteceram, que eles estavam
confusos e que não sabiam o que estava acontecendo. Então Jesus disse a
eles, “Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os
profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua
glória?” E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes a
respeito dele em todas as escrituras. Ao se aproximarem do povoado para o
qual estavam indo, Jesus fez como quem ia mais adiante. Mas eles insistiram
muito com ele: “Fique conosco, pois a noite já vem; o dia está quase
findando”. Então ele entrou para ficar com eles. Quando estava à mesa com
eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles
foram abertos e eles o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles.
Perguntaram-se um ao outro: “Não estava queimando o nosso coração, enquanto
ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?”.

Interrupção do Dr. Craig: E qual é sua questão sobre esta passagem? Não
estou certo qual é sua questão.

Continuação da questão ao Dr. Craig: A questão é: você sabe que o Prof.
Ehrman argumentou que estes documentos antigos não são unicamente para o
propósito de estabelecer evidências históricas para os eventos, mas que eles
podem ser usados mais retoricamente. Assim, a questão é, poderiam estes
versículos ser uma pintura da origem da fé cristã, uma vez que, como Dr.
Ehrman argumentou, os primeiros seguidores de Jesus abriram as escrituras e
encontraram referências para o servo sofredor que é exaltado por Deus?
Porque se você observar estes versículos, eles não dizem que seus corações
queimaram porque eles tocaram sua carne, ouviram sua voz e que isto
significava que Deus havia realizado um milagre, que então eles tinham a
evidência e que falariam dela para todos. Eles dizem que seus corações
queimaram quando eles abriram as escrituras.

Resposta do Dr. Craig: Eu acho que esta é uma maneira plausível de ler esta
passagem, esta que você sugeriu. Mas, claro, isto não está no coração do meu
caso esta noite. Eu não estou construindo o caso que eu apresentei hoje com
base em passagens com esta. Eu construí meu caso sobre quatro fatos
fundamentais que são, penso, atestados por testemunhos múltiplos e
independentes, por critérios de embaraçamento, nos quais a maioria dos
estudiosos no assunto concordaria. Sendo assim, eu não estou supondo nada do
que eu disse esta noite na historicidade da aparição de Jesus no caminho de
Emaús ou na interpretação que você proveu a esta passagem. Isto simplesmente
não faz parte do meu caso.

Agora, no geral, entretanto, permita-me dizer, com respeito à sua idéia dos
discípulos indo à escritura e encontrando Jesus lá, eu acho que todo o caso
que eu expus sobre os quatro fatos é que invalida esta idéia. Nós temos boas
fontes independentes que atestam que Jesus foi sepultado por um membro do
Sinédrio judaico em uma tumba, que esta tumba foi encontrada vazia no
Domingo pela manhã após a crucificação, que vários indivíduos e grupos de
pessoas experimentaram aparições de Jesus, e que eles começaram a acreditar
que ele havia ressuscitado de dentre os mortos. E estas passagens que estão
no Antigo Testamento são tão obscuras e difíceis de encontrar que é
altamente improvável que elas sejam a fonte para a crença na ressurreição,
como o Dr. Ehrman imagina. Em vez disso, elas só podem ter sido descobertas
a posteriori. Uma vez que você acredita na ressurreição de Jesus, então você
vai à escritura procurar textos que comprovam e validam-na. Mas a hipótese
contrária é a velha visão de Bultmann de que de alguma forma ao ler as
escrituras, os seguidores de Jesus começaram a acreditar na ressurreição.
Mas o problema com esta hipótese é que as passagens no Antigo Testamento são
muito obscuras e ambíguas para que eles criassem a idéia da ressurreição com
base nelas. Judeus seguidores de um Messias como Jesus, confrontados com sua
crucificação, ou teriam voltado para suas casas ou teriam conseguido um novo
Messias, mas eles não começariam a acreditar que ele ressuscitou de dentre
os mortos.

Resposta do Dr. Ehrman: Bill continua falando sobre nossas boas fontes
primitivas e continua negligenciando que estas boas fontes foram escritas
40, 50, 60 anos após os eventos e que isto implica que os autores destes
relatos conseguiram suas informações da tradição oral que estava em
circulação ano após ano após ano, quando histórias foram inventadas e
histórias foram alteradas. E, assim, eu não acho que nós devamos sustentar
nossas conclusões nestes quatro fatos. A idéia de que estas passagens eram
muito obscuras a ponto de que ninguém pudesse se basear nelas – estas
passagens estão em Isaías e nos Salmos. Não são passagens escondidas em
algum lugar da carta de Malaquias. Estas passagens eram textos centrais na
vida e na religião judaica, e os discípulos de Jesus demonstraram que eles
foram às escrituras para entender o que os eventos significavam. Isto
também, a propósito, é encontrado nas boas fontes primitivas, que os
discípulos de Jesus fizeram exatamente isto. Então eu acho que esta é uma
explicação completamente plausível para como os discípulos vieram a crer na
ressurreição.

Questão para o Dr. Ehrman: Estou feliz pela oportunidade. Eu acho que
perdemos boas oportunidades para aplaudir! Dr. Ehrman, os historiadores
podem verificar um milagre se tivéssemos testemunhas oculares de que um
milagre aconteceu? Levando em conta seu método histórico, algum milagre já
aconteceu e, se sim, quais? Se não, isto significa que você sempre se
recusará a acreditar em milagres?

Resposta do Dr. Ehrman: Boa questão, obrigado! Vejamos, “mesmo se você tiver
testemunhas oculares”. Suponha que nos anos 1850, nós temos um relato de um
pastor de uma igreja do Kansas que andou sobre um lago durante as festas de
Julho e que tinham 12 pessoas que o viram fazer isto. O historiador terá de
avaliar este relato e perguntar, isto provavelmente aconteceu ou não? Agora,
estas testemunhas oculares disseram que isto aconteceu. Mas existem outras
possibilidades que qualquer um pode imaginar. Poderia haver pedras no lago,
por exemplo. Ele poderia estar distante o suficiente para que eles não o
vissem. Existem outras possibilidades que você poderia pensar. Se você está
tentando estabelecer o que aconteceu pela probabilidade, qual é a
probabilidade de um ser humano poder andar sobre um lago a não ser que ele
esteja congelado? A probabilidade é virtualmente zero porque, na verdade, o
ser humano não pode fazer isso. E se você acha que os seres humanos podem
fazer isto, então me apresente uma instância onde eu possa conferir. Nenhum
de nós pode andar sobre um lago. Ninguém em nosso planeta pode. Bilhões de
pessoas que já viveram não puderam. Então, sendo assim, o historiador vai
concluir que provavelmente Joe Smith, o pastor desta igreja, provavelmente
andou sobre o lago? Eu acho que não. Historiadores não vão concluir que ele
andou sobre o lago porque um milagre simplesmente é uma violação da maneira
pela qual a natureza naturalmente trabalha. Assim, você nunca poderá
verificar um milagre com base em testemunhos oculares. Segundo, além disso,
nós aqui não estamos falando sobre alguém que viveu nos anos 1850. Estamos
falando sobre alguém que viveu há 2000 anos, e nós absolutamente não temos
relatos de testemunhas oculares. Os relatos que temos são de pessoas que
acreditavam nele. Não se trata de relatos desinteressados. São narrativas
contraditórias e narrativas que foram escritas 30, 50, 60 anos depois dos
eventos.

Resposta do Dr. Craig: Eu concordo que a ressurreição de Jesus é
naturalmente impossível. Mas está não é a questão. A questão é, é improvável
que Deus tenha ressuscitado Jesus de dentre os mortos? E o Dr. Ehrman não
pode fazer este julgamento porque ele afirma que os historiadores não podem
fazer declarações sobre Deus. Sendo assim, ele está preso em uma
autocontradição esta noite. Por um lado, ele diz que o historiador não pode
dizer nada sobre Deus, por outro, ele diz que é improvável que Deus tenha
ressuscitado Jesus de dentre os mortos; e isto é simplesmente uma
autocontradição.

Um dos embaraços do argumento de Hume era que ele sustentava que uma pessoa
que vivesse nos trópicos jamais poderia aceitar testemunhos de viajantes de
que a água poderia existir na forma sólida, como gelo. Assim este homem,
baseado no argumento de Hume, seria conduzido a negar fatos perfeitamente
naturais dos quais nós temos evidências em abundância apenas porque estes
fatos contradizem o que ele conhecia. E exatamente da mesma forma, este
argumento que ele nos deu seria um impedimento à ciência. Se você diz que
nós jamais teremos testemunhos suficientes – evidência suficiente – para
acreditar em alguma coisa que contradiz o caminho normal da natureza
trabalhar.

Questão para o Dr. Craig: Obrigado! Nós estamos falando aqui sobre
evidências independentes e imparciais. Então eu estava pensando se vocês
dois podem apresentar evidências que sustentam seus pontos de vista fora da
literatura canônica cristã.

Resposta do Dr. Craig: O fato é que nós não estamos trabalhando com fontes
desinteressadas. Mas, veja, esta é uma característica de toda história
antiga. As pessoas do mundo antigo não escreviam relatos desinteressados;
todos tinham um ponto de vista. Assim, os historiadores devem levar isto em
consideração ao investigar a história. O mesmo fazem os estudiosos a
respeito dos evangelhos. Eles perguntam, qual é a credibilidade destes
eventos dado que as narrativas vêm de cristãos? E uma maneira de rodear este
problema é através de múltiplos e independentes depoimentos, porque se uma
tradição ou um evento é independente e multiplamente atestado por fontes
antigas, então é muito improvável que esta tradição tenha sido inventada
porque, do contrário, você não a teria atestada por fontes independentes. E,
assim, os estudiosos costumam aceitar um evento que é atestado por, digamos,
duas ou três fontes independentes. Mas no caso da tumba vazia e do
sepultamento, nós temos cinco ou seis fontes independentes. Então, aparte de
uma predisposição contra os milagres, não há nenhuma boa razão para negar
que o coração histórico destas narrativas, especialmente quando se observa
que nós não estamos falando sobre fontes 30, 40, 60 anos posteriores aos
eventos. Estamos falando de tradições nas quais estes relatos são baseados,
tradições que se encontram em algum lugar entre cinco a sete anos após a
crucificação. Comparadas com as fontes da histórica greco-romana, os
evangelhos ganham com sobra, pois os relatos com os quais os historiadores
greco-romanos têm de trabalhar geralmente são datados de centenas de anos
após os eventos, geralmente envolvendo poucas testemunhas oculares e
geralmente narradas por alguém completamente tendencioso aos fatos. E ainda
assim os historiadores do período greco-romano reconstroem o curso da
história do mundo antigo. E como eu disse, N. T. Wright disse que a tumba
vazia e as aparições de Jesus são tão certas como a morte de Augusto César
em 14 d.C. e a queda de Jerusalém em 70 d.C.. E mesmo que você pense que
isto é um exagero, eu acho que estes fatos são mais bem atestados do que
vários outros eventos na história antiga que nós comumente aceitamos como
fatos históricos.

Resposta do Dr. Ehrman: Então, você está pedindo fontes não canônicas. Eu
acho que a única razão de Bill não ter te respondido é porque as fontes
não-canônicas não sustentam a posição dele. As fontes não-canônicas pagãs,
na verdade, nunca se referiram à ressurreição de Jesus até alguns séculos
depois da crucificação. Na verdade, Jesus não aparece em nenhuma fonte
não-canônica pagã até 80 anos depois de sua morte. Então, ele claramente não
teve um grande impacto no mundo pagão. O historiador romano Josefo menciona
Jesus, mas não acreditava em sua ressurreição. Existem fontes não-canônicas
que falam sobre a ressurreição, mas infelizmente todas elas, embora sejam
evangelhos não-canônicos, narram o evento de um jeito que discorda da
reconstrução de Bill. Eles não acreditam que Jesus ressuscitou fisicamente
de dentre os mortos. Para prova disto, apenas leia o relato do Segundo
Tratado do Grande Seth ou o Apocalipse de Pedro. Nós temos um relato no qual
Jesus sai da tumba, o evangelho segundo Pedro; é um relato apocalíptico.
Jesus sai de sua tumba tão alto como um arranha-céu; segundo este relato,
existe uma cruz que fala dos céus, certamente um relato lendário de pouco
uso aos historiadores que querem saber o que aconteceu.

Moderador: Agora, podemos aplaudir!

Fechamento: Chegou a hora de terminarmos o debate desta noite, e eu gostaria
de novamente agradecer aos patrocinadores – o Center for Religion, Ethics,
and Culture e o Campus Christian Fellowship – a nosso moderador, William
Shea. Vocês foram uma platéia brilhante com ótimas questões, e nós
agradecemos por estarem aqui. Temos uma mesa lá atrás com alguns livros de
ambos os debatedores disponíveis junto com outros livros. Finalmente, eu
gostaria de agradecer novamente aos estudiosos William Lane Craig e Bart D.
Ehrman, por compartilharem seu tempo e seu talento conosco.

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Traduzido por Eliel Vieira

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