jump to navigation

Por que devemos evangelizar? novembro 26, 2009

Posted by Gustavo Reichenbach in : Apologética cristã , add a comment

Muitos céticos costumam me perguntar por que faço tanta questão de evangelizar. Bom, em primeiro lugar, é por ser a vontade de Deus.  

1 – Marcos 16:15 - ”E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.”

 E claro, por acreditar que o caminho cristão, é o caminho que nos conduz a sermos pessoas de excelência, seguindo o mestre dos mestres, o rei dos reis que é Jesus Cristo.

Como missionário, é também minha obrigação evangelizar pela internet, essa magnifica “web” de informações. Assim como dou apoio a minha igreja que evangeliza outros países com varios outros missionarios. Enfim, o próprio Deus diz que devemos evangelizar o mundo e levar as boas novas.

Sendo assim, é missão de todo cristão divulgar a palavra de Deus.

Debate: William Lane Craig X Bart Ehrman – evidências históricas da ressureição de Jesus novembro 25, 2009

Posted by Gustavo Reichenbach in : Debates religiosos , add a comment

Questão para o Dr. Ehrman: Minha questão é para o Dr. Ehrman. Muito obrigado
pela sua apresentação. Um dos comentários feitos por você é que
historiadores não podem pressupor a crença em Deus. Eu sou um historiador e,
na verdade, eu estou fazendo minha dissertação de Ph.D. atualmente sobre
historiografia, e eu concordo com você que não se pode pressupor a crença em
Deus. Mas você não pode também pressupor a crença no passado, o período, ou
que nós podemos até mesmo conhecê-lo parcialmente. Nós temos de ser capazes
de respaldar esta crença. Assim, os historiadores não podem ter nenhuma
pressuposição; eles devem ser capazes de respaldar quaisquer crenças
metafísicas que eles vão jogar sobre a mesa. Assim, se você vai acreditar em
Deus, como o Dr. Craig, você tem que justificar isto. Mas eu não acho que o
mesmo esteja fora do escopo do estudo histórico, uma vez que historiadores
têm de percorrer outras disciplinas freqüentemente. Eu gostaria de saber
como você lida com isto.

Resposta do Dr. Ehrman: Bem, obrigado pela questão! Eu não acredito que
História seja uma disciplina objetiva para começarmos. Soa de sua questão
que você concorda com o ponto que foi levantado, mas nós precisamos
conversar mais sobre seu uso da teoria pós-moderna. A minha visão é que os
historiadores não devem respaldar nenhuma pressuposição que ele ou ela
tenha. Mas meu ponto é que para um historiador fazer seu trabalho, deve
existir certos pressupostos compartilhados em comum, mas estes pressupostos
devem poder ser observados. Deus não pode ser observado. Assim nós podemos
muito bem discordar sobre eventos históricos importantes. Existem pessoas em
nosso mundo que, por exemplo, negam o holocausto, que dizem que o holocausto
nunca aconteceu. Bem, como alguém pode demonstrar que o holocausto
aconteceu? Bem, este alguém reúne relatos de testemunhas oculares,
fotografias e vídeos e ainda adiciona as citações de historiadores que
concordam que o material colhido é válido, e então este alguém tenta
elaborar seu caso. Mas as informações recolhidas devem ser de tal forma que
historiadores de todos os tipos concordam que elas sejam válidas, o mesmo em
relação às testemunhas oculares. E apelar para o sobrenatural não é
aceitável na comunidade histórica como sendo um critério válido para se
avaliar um evento passado. A razão disto, em parte, é porque alguém pode vir
com qualquer explicação teológica alternativa para o caso. Vejo que passei
do meu tempo, mas eu ia lhes dar uma explicação teológica alternativa à
hipótese da ressurreição, mas farei isto depois.

Resposta do Dr. Craig: A visão do Dr. Ehrman parece ser que, para fazermos
história, devemos pressupor um tipo de ateísmo metodológico. E a mim isto
parece não apenas falso, mas, como eu já disse, literalmente
autocontraditório. Porque se é verdade que o historiador não pode fazer
nenhum julgamento sobre Deus, então ele não pode fazer o julgamento de que é
improvável que Deus tenha ressuscitado Jesus de dentre os mortos. E, sendo
assim, ele não pode fazer nenhuma avaliação probabilística sobre a
ressurreição baseado no corpo de informações que temos. Este valor
probabilístico seria inescrutável. E se é inescrutável, então ele não pode
fazer julgamentos sobre as fantasiosas explicações naturalistas alternativas
que ele nos deu. Assim me parece que o historiador deve estar aberto, pelo
menos metodológica-mente. Ele não pode ser um ateísta metodológico. E em
todo caso, digo novamente, este não é um debate sobre o que os historiadores
podem fazer. Eu, como filósofo, penso poder inferir esta conclusão com base
na evidência histórica, e não há nada ilegítimo ou ilícito ao se fazer isto.

Questão para o Dr. Craig: Dr. Craig, nós temos [má recepção do microfone],
que são: você acredita que existem alguns problemas, enganos ou erros nos
documentos do Novo Testamento? E segunda, ele está sugerindo que, como você
disse que é uma fonte confiável por não possui adulterações, Mateus não
seria assim uma fonte confiável por ter sido adulterada. Então você precisa
responder a isto.

Resposta do Dr. Craig: OK, Dr. Ehrman está tentando pregar uma pequena
trapaça de debatedor aqui em mim, na qual eu simplesmente me recuso a
participar. O critério desta questão é: se um relato é simples, não contém
adulterações teológicas, etc. então ele possui mais probabilidade e
credibilidade de ser histórico. E eu penso que isto é verdadeiro. Mas este
debate não é sobre a inerrância bíblica. Então minha atitude sobre a questão
de existir ou não erros ou enganos na Bíblia é irrelevante. Esta seria uma
convicção teológica. Historicamente, eu estou usando os mesmos critérios que
ele usa, e eu estou completamente aberto à sua demonstração de que existem
erros e enganos nas narrativas. Esta não é a questão do debate nesta noite.

A inerrância da Bíblia é uma grande questão na fé pessoal do Dr. Ehrman que
o levou a abandonar sua fé cristã. Mas eu não estou pressupondo nenhum tipo
de doutrina teológica sobre a inerrância bíblica ou de sua inspiração – nem
estão todos os estudiosos que pensam que estes quatro fatos são
estabelecidos por critérios de autencidade que ele mesmo defende. Então
minha atitude teológica acerca de eu pensar que existem ou não erros na
Bíblia é irrelevante nesta noite. A questão é, o que você pode provar
positivamente usando os critérios padrões? E meu argumento é que quando você
usa estes critérios, você pode provar positivamente estes quatro fatos
básicos subseqüentes à crucificação de Jesus.

Resposta do Dr. Ehrman: Então aparentemente tudo bem em se ter pressupostos
teológicos sobre a ressurreição, mas não está OK ter pressupostos teológicos
sobre as fontes históricas sobre as quais a crença na ressurreição está
baseada. Se a crença na ressurreição é baseada em certas fontes que estão na
Bíblia e se estas fontes, em sua própria natureza, devem ser inerrantes,
então naturalmente você concluiria que a ressurreição aconteceu. Mas Bill se
recusa a nos dizer se ele acha que a Bíblia contém erros ou não. Ele não nos
dirá isso porque ele ensina em uma instituição na qual o colegiado concorda
que a Bíblia é inerrante sem nenhum tipo de erro em suas palavras. Então ele
não pode acreditar que existam quaisquer erros na Bíblia. Se ele acha que a
Bíblia contém erros, então eu gostaria que eles nos falasse dois ou três
deles. Se ele não acha que a Bíblia contém erros, eu gostaria de saber com
ele pode dizer que está usando os evangelhos do Novo Testamento como fontes
históricas. Ele não pode avaliar criticamente estas fontes, e uma coisa que
os historiadores devem fazer é ser capazes de avaliar criticamente as fontes
sobre as quais suas afirmações estão baseadas.

Questão para Dr. Ehrman: Obrigado Dr. Ehrman, Você acha que a Teologia é de
algum modo uma fonte válida de conhecimento ou você acredita no naturalismo
filosófico? [Má recepção do microfone]

Resposta do Dr. Ehrman: Eu acho que os métodos teológicos de conhecimento
são perfeitamente aceitáveis e legítimos com métodos teológicos de
conhecimento. Mas eu acho que as afirmações teológicas devem ser avaliadas
em bases teológicas. Por exemplo, a idéia que estes quatro fatos que Bill
continua a se referir mostram que Deus ressuscitou Jesus de dentre os
mortos. Você pode surgir com uma visão teológica diferente desta proposta
por Bill. Suponha, por exemplo, para explicar estes quatro fatos, que o deus
Zulu enviou Jesus para 12ª dimensão, e nesta 12ª dimensão ele era permitido
retornar periodicamente à Terra para um breve descanso de seus sofrimentos
eternos. Mas ele não pode falar aos seus discípulos sobre isto porque Zulu o
disse que, se o fizesse, ele iria acrescentar mais dor à suas agonias
eternas. Então, esta é outra explicação teológica para o que aconteceu. Ela
explicaria a tumba vazia e explicaria as aparências de Jesus. Ela não é tão
provável quanto deus ter ressuscitado Jesus dos mortos e tê-lo feito sentar
ao seu lado direito; que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó interferiu na
história e exaltou seu nome ao ressuscitar seu Messias? Bem, você pode
pensar que não, que na verdade a primeira explicação do deus Zulu é louca.
Bem, sim, OK, é louca; mas é teologicamente louca. Não é historicamente
louca. Ela não é menos provável como explicação para o que aconteceu do que
a explicação de que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó ressuscitou Jesus dos
mortos porque ambas as explicações são teológicas; elas não são explicações
históricas. Então, na esfera da Teologia, eu certamente penso que a Teologia
é um método legítimo de pensamento. Mas os critérios para avaliação
teológica são teológicos; eles não são históricos.

Resposta do Dr. Craig: Hipóteses teológicas como esta certamente podem ser
avaliadas pelos critérios que eu usei para avaliar a ressurreição de Jesus.
Em particular, uma hipótese como a que foi sugerida, eu penso, possui um ad
hoc gigantesco e altamente implausível, considerando que o contexto
religioso-histórico no qual a ressurreição de Jesus supostamente ocorreu, eu
acho extremamente plausível pensar que na exaltação do Deus de Israel à
afirmação radical de Jesus de Nazaré como sendo o Filho de Deus e a
revelação de Deus à humanidade. Quando você observa o contexto, eu acho que
ele provê a chave ou uma pista para a interpretação adequada do milagre.
Então eu acho que devemos avaliar as reivindicações teológicas
filosoficamente e também de acordo com os mesmos critérios que eu propus que
usássemos ao avaliar as explicações para os quatro fatos.

Questão para o Dr. Craig: Estou muito interessado no cálculo de
probabilidade que você mostrou. Para dizer que foi provável que Jesus
ressuscitou você precisa colocar números naquela equação e chegar a uma
resposta maior do que 0,5. Eu estou interessado em qual é o resultado deste
cálculo e qual é a margem de erro dele. E como estes números foram
determinados?

Reposta do Dr. Craig: Obrigado pela questão! Richard Swinburne, que é um
estudioso na Universidade de Oxford, escreveu um livro sobre a encarnação e
a ressurreição no qual ele faz uso do cálculo de probabilidade que eu
demonstrei. Sua estimativa é de que a probabilidade da ressurreição de Jesus
é de 0,97, e você pode ler neste livro a razão deste resultado. Eu
particularmente não uso o cálculo da probabilidade para argumentar sobre a
ressurreição de Jesus. A razão de eu o trazer aqui foi para prover uma
resposta para os argumentos do Dr. Ehrman ofereceria com base no argumento
de Hume contra a verificação de milagres, que eu penso ser completamente
errado porque ele tenta dizer que a ressurreição é improvável simplesmente
por causa da improbabilidade da ressurreição sobre o corpo de informações
que temos à parte das evidências para a ressurreição de Jesus, apenas. Na
verdade, eu penso que esta probabilidade é inescrutável, uma vez que estamos
lhe dando com um agente livre. Eu não vejo como nós podemos inferir ou
assegurar um número específico para as variáveis do cálculo. Então a maneira
na qual eu argumento sobre a ressurreição não é usando o cálculo de
probabilidades. E sim usando aquilo que chamamos de “inferência à melhor
explicação”, que é a maneira pela qual os historiadores normalmente
trabalham. Isto quer dizer, você avalia hipóteses históricas concorrentes
sob os mesmos critérios como: poder explanatório, escopo explicativo,
plausibilidade, menor quantidade de ad hoc, concordância com as crenças já
aceitas, etc. E eu estou preparado para argumentar que quando você coloca a
hipótese da ressurreição ao lado das alternativas naturalistas, você verá
que a hipótese da ressurreição vence com sobras suas teorias rivais
naturalistas – a não ser que você pressuponha algum tipo de ateísmo
metodológico para travar a hipótese da ressurreição. Eu acho que é
exatamente isto o que o Dr. Ehrman faz. Da mesma que eu acredito em Deus e,
portanto, acho que a existência de Deus é bem plausível, como alguém que não
acredita, ele acha que a possibilidade da ressurreição é absurdamente
improvável. Mas ele não nos deu nenhuma boa razão para pensarmos que a
existência de Deus é improvável ou que é improvável que Deus ressuscitou
Jesus de dentre os mortos. Na verdade, ele não pode fornecer uma avaliação
de probabilidade, uma vez que ele mesmo comentou sobre os limites de um
historiador.

Resposta do Dr. Ehman: Desculpe. Eu não acredito que estamos tendo uma
conversa séria sobre a probabilidade estatística da ressurreição ou a
probabilidade estatística da existência de Deus. Eu acho que em qualquer
universidade do país, se nós estivéssemos perante um grupo de acadêmicos,
nós seríamos expulsos do palco…

Dr. Craig: Isto não é verdade.

Dr. Ehrman: Bem, talvez não seja verdade na escola onde você ensina, mas na
instituição de pesquisa onde eu ensino…

Dr. Craig: Bem, o que você me diz sobre a Universidade de Oxford, onde o
Professor Swinburne ensina?

Dr. Ehrman: Bem, Swinburne mostrou que a probabilidade é de 0,97. E quantas
pessoas se convenceram disto exatamente? Estes argumentos são aqueles que só
convencem quem quer ser convencido. Eles não são argumentos sérios para ser
considerados pelas pessoas, então eles podem dizer, “Ah sim, agora eu vou
acreditar porque existe uma probabilidade de 0,97″. Isto não faz sentido;
você não pode demonstrar a existência do sobrenatural por cálculos
estatísticos.

Questão para o Dr. Ehrman: O que eu quero perguntar é, os relatos de
ocorrências de milagres através do tempo tornam a probabilidade maior que os
historiadores pensam?

Reposta do Dr. Ehrman: Boa pergunta. A questão é: o relato da ocorrência de
milagres através do tempo aumenta a probabilidade? Eu diria que a resposta é
provavelmente “não” porque em todas as instâncias você precisa avaliar se o
evento é provável ou não e um milagre nunca seria um evento provável. Então,
se alguém pensa que sim, que um milagre é um evento provável, o que eu
gostaria que Bill fizesse é nos dizer por que ele não acha que Maomé
realizou milagres uma vez que certamente temos relatos disto. Por que ele
não acha que Apolônio de Tiana realizou milagres? Ele citou Larry Yarbrough,
que, na verdade, provavelmente nunca leu sobre a vida de Apolônio. Eu sei
disso porque eu tive uma conversa com Larry Yarbrough sobre isto. Ele nunca
leu os textos. Eu não sei se Bill leu os textos. Eles são muito
interessantes; são textos gregos e estão amplamente disponíveis. Eles nos
dizem que Apolônio de Tiana realizou muitos milagres semelhantes aos que
Jesus realizou; ele podia expulsar demônios, curar doenças, ressuscitar os
mortos, e no final de sua vida ele subiu aos céus. E Apolônio de Tiana foi
apenas um dentre uma centena de pessoas do mundo antigo sobre as quais estes
fatos foram atribuídos. Então, se permitirmos a possibilidade de Jesus, o
que faremos quanto à possibilidade de Apolônio? Ou Honi, o desenhista de
círculos, ou Hanina ben Dosa ou o imperador Vespasiano? Você pode
acrescentar quantos nomes você quiser. Agora, a razão de nós não sabermos
muito sobre estas pessoas é porque, claro, o único milagreiro Filho de Deus
que conhecemos é Jesus. Mas, na verdade, no mundo antigo existiam centenas
de pessoas como Jesus, com centenas de histórias contadas sobre eles. Nós
não os contamos porque eles não estão em nossa tradição. Esta é a razão do
porque minha explicação alternativa de Zulu soou implausível a Bill: em sua
tradição é o Deus de Jesus, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó que deve estar
envolvido no mundo. E, claro, pessoas de outras religiões dizem que são
outros deuses que estão envolvidos. Então, está não é apenas uma questão
sobre se Deus está envolvido. Qual Deus está envolvido? E como eu frisei
anteriormente, será apenas uma coincidência acontecer de Deus ser o Deus que
Bill pôde mostrar historicamente sua existência e também o Deus para o qual
ele se converteu quando tinha 16 anos de idade.

Resposta do Dr. Craig: A razão de nós não acreditarmos em muitos outros
milagres não é porque não estamos abertos a eles. Pelo contrário, estou
completamente aberto à idéia de que Deus realizou milagres aparte de Jesus.
Mas, por exemplo, em relação a Maomé, com todo respeito, não há nenhuma
evidência de que eles aconteceram. Não há nenhuma afirmação do Corão de que
Maomé realizou milagres. A primeira biografia que temos de Maomé é datada de
no mínimo 150 anos após sua morte, e eu não estou certo se até mesmo lá
existem afirmações sobre milagres. Em relação a Apolônio de Tiana, as
afirmações de milagres são mitos e lendas que não possuem qualquer valor
histórico. Trata-se de invenções pós-cristãs, onde Apolônio é uma figura que
deliberadamente foi construída para competir com os cristãos primitivos.
Então, a razão de alguém não acreditar em milagres nestes casos é porque não
existe nenhuma boa evidência que os sustentem. Mas, em contraste, a maioria
dos estudiosos do Novo Testamento, como Bart Ehrman sabe, acredita que Jesus
de Nazaré executou um ministério de obras milagrosas e exorcismos. Você pode
acreditar que os relatos de milagres contém acréscimos, mas não há dúvida
hoje de que Jesus de Nazaré foi aquilo que ele pensou que era, um realizador
de milagres.

Questão para o Dr. Craig: Dr. Craig, um dos pontos levantados por você mais
cedo acerca das probabilidades foi que devemos comparar as probabilidades da
ressurreição com as probabilidades das outras explicações. E o Prof. Ehrman
tem esta história de que ele não acredita e insinuou que não acha que elas
aconteceram. Assim eu gostaria apenas de ler alguns versículos do evangelho
de Lucas e lhe dar a chance de comentar sobre estes versículos e dizer,
baseado no que o Prof. Ehrman disse, se é a sua visão ou a dele que faz mais
sentido à luz destes versículos. Então, a passagem está em Lucas 24 e é
quando Jesus apareceu aos dois homens no caminho de Emaús e eles não o
reconheceram. Ele está conversando com eles e eles não o reconheceram. E
eles falaram sobre todas as coisas que aconteceram, que eles estavam
confusos e que não sabiam o que estava acontecendo. Então Jesus disse a
eles, “Como vocês custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os
profetas falaram! Não devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar na sua
glória?” E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes a
respeito dele em todas as escrituras. Ao se aproximarem do povoado para o
qual estavam indo, Jesus fez como quem ia mais adiante. Mas eles insistiram
muito com ele: “Fique conosco, pois a noite já vem; o dia está quase
findando”. Então ele entrou para ficar com eles. Quando estava à mesa com
eles, tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles. Então os olhos deles
foram abertos e eles o reconheceram, e ele desapareceu da vista deles.
Perguntaram-se um ao outro: “Não estava queimando o nosso coração, enquanto
ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?”.

Interrupção do Dr. Craig: E qual é sua questão sobre esta passagem? Não
estou certo qual é sua questão.

Continuação da questão ao Dr. Craig: A questão é: você sabe que o Prof.
Ehrman argumentou que estes documentos antigos não são unicamente para o
propósito de estabelecer evidências históricas para os eventos, mas que eles
podem ser usados mais retoricamente. Assim, a questão é, poderiam estes
versículos ser uma pintura da origem da fé cristã, uma vez que, como Dr.
Ehrman argumentou, os primeiros seguidores de Jesus abriram as escrituras e
encontraram referências para o servo sofredor que é exaltado por Deus?
Porque se você observar estes versículos, eles não dizem que seus corações
queimaram porque eles tocaram sua carne, ouviram sua voz e que isto
significava que Deus havia realizado um milagre, que então eles tinham a
evidência e que falariam dela para todos. Eles dizem que seus corações
queimaram quando eles abriram as escrituras.

Resposta do Dr. Craig: Eu acho que esta é uma maneira plausível de ler esta
passagem, esta que você sugeriu. Mas, claro, isto não está no coração do meu
caso esta noite. Eu não estou construindo o caso que eu apresentei hoje com
base em passagens com esta. Eu construí meu caso sobre quatro fatos
fundamentais que são, penso, atestados por testemunhos múltiplos e
independentes, por critérios de embaraçamento, nos quais a maioria dos
estudiosos no assunto concordaria. Sendo assim, eu não estou supondo nada do
que eu disse esta noite na historicidade da aparição de Jesus no caminho de
Emaús ou na interpretação que você proveu a esta passagem. Isto simplesmente
não faz parte do meu caso.

Agora, no geral, entretanto, permita-me dizer, com respeito à sua idéia dos
discípulos indo à escritura e encontrando Jesus lá, eu acho que todo o caso
que eu expus sobre os quatro fatos é que invalida esta idéia. Nós temos boas
fontes independentes que atestam que Jesus foi sepultado por um membro do
Sinédrio judaico em uma tumba, que esta tumba foi encontrada vazia no
Domingo pela manhã após a crucificação, que vários indivíduos e grupos de
pessoas experimentaram aparições de Jesus, e que eles começaram a acreditar
que ele havia ressuscitado de dentre os mortos. E estas passagens que estão
no Antigo Testamento são tão obscuras e difíceis de encontrar que é
altamente improvável que elas sejam a fonte para a crença na ressurreição,
como o Dr. Ehrman imagina. Em vez disso, elas só podem ter sido descobertas
a posteriori. Uma vez que você acredita na ressurreição de Jesus, então você
vai à escritura procurar textos que comprovam e validam-na. Mas a hipótese
contrária é a velha visão de Bultmann de que de alguma forma ao ler as
escrituras, os seguidores de Jesus começaram a acreditar na ressurreição.
Mas o problema com esta hipótese é que as passagens no Antigo Testamento são
muito obscuras e ambíguas para que eles criassem a idéia da ressurreição com
base nelas. Judeus seguidores de um Messias como Jesus, confrontados com sua
crucificação, ou teriam voltado para suas casas ou teriam conseguido um novo
Messias, mas eles não começariam a acreditar que ele ressuscitou de dentre
os mortos.

Resposta do Dr. Ehrman: Bill continua falando sobre nossas boas fontes
primitivas e continua negligenciando que estas boas fontes foram escritas
40, 50, 60 anos após os eventos e que isto implica que os autores destes
relatos conseguiram suas informações da tradição oral que estava em
circulação ano após ano após ano, quando histórias foram inventadas e
histórias foram alteradas. E, assim, eu não acho que nós devamos sustentar
nossas conclusões nestes quatro fatos. A idéia de que estas passagens eram
muito obscuras a ponto de que ninguém pudesse se basear nelas – estas
passagens estão em Isaías e nos Salmos. Não são passagens escondidas em
algum lugar da carta de Malaquias. Estas passagens eram textos centrais na
vida e na religião judaica, e os discípulos de Jesus demonstraram que eles
foram às escrituras para entender o que os eventos significavam. Isto
também, a propósito, é encontrado nas boas fontes primitivas, que os
discípulos de Jesus fizeram exatamente isto. Então eu acho que esta é uma
explicação completamente plausível para como os discípulos vieram a crer na
ressurreição.

Questão para o Dr. Ehrman: Estou feliz pela oportunidade. Eu acho que
perdemos boas oportunidades para aplaudir! Dr. Ehrman, os historiadores
podem verificar um milagre se tivéssemos testemunhas oculares de que um
milagre aconteceu? Levando em conta seu método histórico, algum milagre já
aconteceu e, se sim, quais? Se não, isto significa que você sempre se
recusará a acreditar em milagres?

Resposta do Dr. Ehrman: Boa questão, obrigado! Vejamos, “mesmo se você tiver
testemunhas oculares”. Suponha que nos anos 1850, nós temos um relato de um
pastor de uma igreja do Kansas que andou sobre um lago durante as festas de
Julho e que tinham 12 pessoas que o viram fazer isto. O historiador terá de
avaliar este relato e perguntar, isto provavelmente aconteceu ou não? Agora,
estas testemunhas oculares disseram que isto aconteceu. Mas existem outras
possibilidades que qualquer um pode imaginar. Poderia haver pedras no lago,
por exemplo. Ele poderia estar distante o suficiente para que eles não o
vissem. Existem outras possibilidades que você poderia pensar. Se você está
tentando estabelecer o que aconteceu pela probabilidade, qual é a
probabilidade de um ser humano poder andar sobre um lago a não ser que ele
esteja congelado? A probabilidade é virtualmente zero porque, na verdade, o
ser humano não pode fazer isso. E se você acha que os seres humanos podem
fazer isto, então me apresente uma instância onde eu possa conferir. Nenhum
de nós pode andar sobre um lago. Ninguém em nosso planeta pode. Bilhões de
pessoas que já viveram não puderam. Então, sendo assim, o historiador vai
concluir que provavelmente Joe Smith, o pastor desta igreja, provavelmente
andou sobre o lago? Eu acho que não. Historiadores não vão concluir que ele
andou sobre o lago porque um milagre simplesmente é uma violação da maneira
pela qual a natureza naturalmente trabalha. Assim, você nunca poderá
verificar um milagre com base em testemunhos oculares. Segundo, além disso,
nós aqui não estamos falando sobre alguém que viveu nos anos 1850. Estamos
falando sobre alguém que viveu há 2000 anos, e nós absolutamente não temos
relatos de testemunhas oculares. Os relatos que temos são de pessoas que
acreditavam nele. Não se trata de relatos desinteressados. São narrativas
contraditórias e narrativas que foram escritas 30, 50, 60 anos depois dos
eventos.

Resposta do Dr. Craig: Eu concordo que a ressurreição de Jesus é
naturalmente impossível. Mas está não é a questão. A questão é, é improvável
que Deus tenha ressuscitado Jesus de dentre os mortos? E o Dr. Ehrman não
pode fazer este julgamento porque ele afirma que os historiadores não podem
fazer declarações sobre Deus. Sendo assim, ele está preso em uma
autocontradição esta noite. Por um lado, ele diz que o historiador não pode
dizer nada sobre Deus, por outro, ele diz que é improvável que Deus tenha
ressuscitado Jesus de dentre os mortos; e isto é simplesmente uma
autocontradição.

Um dos embaraços do argumento de Hume era que ele sustentava que uma pessoa
que vivesse nos trópicos jamais poderia aceitar testemunhos de viajantes de
que a água poderia existir na forma sólida, como gelo. Assim este homem,
baseado no argumento de Hume, seria conduzido a negar fatos perfeitamente
naturais dos quais nós temos evidências em abundância apenas porque estes
fatos contradizem o que ele conhecia. E exatamente da mesma forma, este
argumento que ele nos deu seria um impedimento à ciência. Se você diz que
nós jamais teremos testemunhos suficientes – evidência suficiente – para
acreditar em alguma coisa que contradiz o caminho normal da natureza
trabalhar.

Questão para o Dr. Craig: Obrigado! Nós estamos falando aqui sobre
evidências independentes e imparciais. Então eu estava pensando se vocês
dois podem apresentar evidências que sustentam seus pontos de vista fora da
literatura canônica cristã.

Resposta do Dr. Craig: O fato é que nós não estamos trabalhando com fontes
desinteressadas. Mas, veja, esta é uma característica de toda história
antiga. As pessoas do mundo antigo não escreviam relatos desinteressados;
todos tinham um ponto de vista. Assim, os historiadores devem levar isto em
consideração ao investigar a história. O mesmo fazem os estudiosos a
respeito dos evangelhos. Eles perguntam, qual é a credibilidade destes
eventos dado que as narrativas vêm de cristãos? E uma maneira de rodear este
problema é através de múltiplos e independentes depoimentos, porque se uma
tradição ou um evento é independente e multiplamente atestado por fontes
antigas, então é muito improvável que esta tradição tenha sido inventada
porque, do contrário, você não a teria atestada por fontes independentes. E,
assim, os estudiosos costumam aceitar um evento que é atestado por, digamos,
duas ou três fontes independentes. Mas no caso da tumba vazia e do
sepultamento, nós temos cinco ou seis fontes independentes. Então, aparte de
uma predisposição contra os milagres, não há nenhuma boa razão para negar
que o coração histórico destas narrativas, especialmente quando se observa
que nós não estamos falando sobre fontes 30, 40, 60 anos posteriores aos
eventos. Estamos falando de tradições nas quais estes relatos são baseados,
tradições que se encontram em algum lugar entre cinco a sete anos após a
crucificação. Comparadas com as fontes da histórica greco-romana, os
evangelhos ganham com sobra, pois os relatos com os quais os historiadores
greco-romanos têm de trabalhar geralmente são datados de centenas de anos
após os eventos, geralmente envolvendo poucas testemunhas oculares e
geralmente narradas por alguém completamente tendencioso aos fatos. E ainda
assim os historiadores do período greco-romano reconstroem o curso da
história do mundo antigo. E como eu disse, N. T. Wright disse que a tumba
vazia e as aparições de Jesus são tão certas como a morte de Augusto César
em 14 d.C. e a queda de Jerusalém em 70 d.C.. E mesmo que você pense que
isto é um exagero, eu acho que estes fatos são mais bem atestados do que
vários outros eventos na história antiga que nós comumente aceitamos como
fatos históricos.

Resposta do Dr. Ehrman: Então, você está pedindo fontes não canônicas. Eu
acho que a única razão de Bill não ter te respondido é porque as fontes
não-canônicas não sustentam a posição dele. As fontes não-canônicas pagãs,
na verdade, nunca se referiram à ressurreição de Jesus até alguns séculos
depois da crucificação. Na verdade, Jesus não aparece em nenhuma fonte
não-canônica pagã até 80 anos depois de sua morte. Então, ele claramente não
teve um grande impacto no mundo pagão. O historiador romano Josefo menciona
Jesus, mas não acreditava em sua ressurreição. Existem fontes não-canônicas
que falam sobre a ressurreição, mas infelizmente todas elas, embora sejam
evangelhos não-canônicos, narram o evento de um jeito que discorda da
reconstrução de Bill. Eles não acreditam que Jesus ressuscitou fisicamente
de dentre os mortos. Para prova disto, apenas leia o relato do Segundo
Tratado do Grande Seth ou o Apocalipse de Pedro. Nós temos um relato no qual
Jesus sai da tumba, o evangelho segundo Pedro; é um relato apocalíptico.
Jesus sai de sua tumba tão alto como um arranha-céu; segundo este relato,
existe uma cruz que fala dos céus, certamente um relato lendário de pouco
uso aos historiadores que querem saber o que aconteceu.

Moderador: Agora, podemos aplaudir!

Fechamento: Chegou a hora de terminarmos o debate desta noite, e eu gostaria
de novamente agradecer aos patrocinadores – o Center for Religion, Ethics,
and Culture e o Campus Christian Fellowship – a nosso moderador, William
Shea. Vocês foram uma platéia brilhante com ótimas questões, e nós
agradecemos por estarem aqui. Temos uma mesa lá atrás com alguns livros de
ambos os debatedores disponíveis junto com outros livros. Finalmente, eu
gostaria de agradecer novamente aos estudiosos William Lane Craig e Bart D.
Ehrman, por compartilharem seu tempo e seu talento conosco.

————-

Traduzido por Eliel Vieira

ex-punks norte-americanos convertidos ao cristianismo novembro 25, 2009

Posted by André Luiz in : Notícias , add a comment

Site com visual “dark” criado por ex-punks norte-americanos convertidos ao cristianismo.

http://www.deathtotheworld.com/index2.html

Ao primeiro contato, o visual choca. Mas vale a pena conferir.

Debate: Sergei Kapitsa X Alexander Gelyevich Dugin novembro 6, 2009

Posted by André Luiz in : Filosofia , add a comment

Sergei Kapitsa (SK): Boa tarde. Nosso programa de hoje vai verdadeiramente se ater ao seu título, “O visível e o inacreditável”. A discussão será entre um cientista e um filósofo, um cientista e um pensador religioso. Convidamos hoje para nosso estúdio o professor Alexander Gelyevich Dugin, filósofo e doutor em ciência política. Ambos estamos buscando responder aquelas questões que nos foram apresentadas por nossa vida atual: O que está acontecendo com a humanidade agora? Porque esta filosofia, genericamente falando, nascida na Renascença e na época do racionalismo, quando tudo parecia tão claro…porque nos encontramos agora em tempos difíceis? Como você vê este problema?

Alexander Dugin (AD): Boa tarde. Penso que a humanidade atingiu um ponto crítico em seu desenvolvimento.

SK: Porque?

AD: Do meu ponto de vista, a agenda do Iluminismo foi exaurida.

SK: Porque? Parece-me o oposto: há ainda muitos problemas que não solucionamos.

 
AD: Problemas, sim, mas aquele modelo, aquele sistema de coordenadas sob os quais estes problemas foram formulados e trazidos à tona, morreu historicamente. A era moderna tomou para si uma tarefa grandiosa: escapar da tradição. Com efeito, a agenda da idade moderna era liberatória, uma agenda libertadora, e os liberados fomos nós — ou pelo menos aqueles que tomaram para si a realização de sua tarefa — de nós mesmos, de nossas raízes e de nosso inconsciente. E no século XX, em meio ao positivismo, através do avanço na ciência, através de um tipo de racionalidade instrumental, atingimos um sucesso colossal neste caminho, descobrimos que a parte de nós da qual fomos liberados — nosso inconsciente, nossas raízes — retornou como uma espécie de fantasma ou vampiro e começou a nos caçar para nos lembrar de sua presença. E agora, no século XX e início do século XXI, devemos revisar e fazer o balanço do Iluminismo, o balanço deste Novo Tempo. Durante os últimos 200, 300 anos não pusemos em questão os dogmas do Iluminismo, e temos trabalhado com eles como uma espécie de religião.

SK: Mas porque seria o momento de rejeitá-los?

AD: Na minha visão, porque os efeitos colaterais estão agora se tornando visíveis.

SK: Por outro lado, talvez não tenhamos ainda conseguido entendê-los plenamente.

AD: Penso que hoje os entendemos muito bem. Na minha visão, estamos vendo agora a ressonância do lado adverso e não intencional do Iluminismo.Em várias áreas de nosso trabalho temos acumulado resultados negativos e não intencionais e eles estão agora se amplificando.

SK: Penso que o problema é diferente. Somente não aprendemos ainda, penso, como ler a linguagem da ciência suficientemente bem. A ciência tem sido desenvolvida mais para os lados, na superfície, do que para o interior, para a dimensão da profundidade. Você não pensa que este é o problema?

 
AD: Na minha visão, não poderia ter sido desenvolvida para a profundidade por uma simples razão. De fato, ela começou a ser desenvolvida assim no término do século XIX — intensivamente, e não extensivamente — e foi aí que se iniciou a crise da ciência. Porque foi quando se começou a notar certa incongruência ou uma forma de artificialidade dos dogmas sobre os quais o crescimento triunfante do positivismo persistiu por aproximadamente 200 anos. Há, assim, uma contradição filosófica fundamental: a razão é capaz de entender tudo, exceto a si mesma. Este é, de um certo modo, o problema a ser resolvido em Kant. E, em larga medida, a ciência moderna e o positivismo são resultados dos princípios cartesianos e kantianos. Este é um problema colossal, o problema da razão.

SK: Mas veja, não é porque não sabemos como a razão funciona que significa que não podemos nos debruçar sobre isto.

AD: Podemos. Mas permanece aquela estranha e noumenal entidade kantiana que continua a nos caçar. Como uma matéria de fato, o projeto científico do Iluminismo mudou o centro da existência humana do transcendente, do motivo de Deus no qual a razão ocorria e ao qual a razão servia, para o nada.

SK: Bem, talvez tenha sido a razão que criou isto em primeiro lugar.

AD: Agora, esta é uma questão inteiramente diferente.

SK: Você conhece a questão: se Deus criou o homem ou o homem criou Deus.

AD: Para um teísta há aí uma grande diferença.

SK: Certo, mas os cientistas usualmente sustentam a segunda visão.

AD: Sim, porque eles costumam trabalhar sob um paradigma pós-cristão, pós-religioso, secular, no qual a razão é o começo e o fim.

SK: Mas há, apesar de tudo, muitas religiões, ou crenças morais estéticas, principalmente no Leste, que não usam a idéia de Deus.

AD: E ao mesmo tempo eles possuem um conceito de ideais mais elevados, de um “Eu Absoluto”, ou do “Absoluto” se você preferir.

 
SK: Sim, mas estas são coisas diferentes.

AD: Elas são sem dúvida diferentes, sim.

SK: Estas idéias não são instrumentais. O Deus ocidental é instrumental.

AD: Não exatamente. O Deus ocidental, na minha visão, é uma forma de modelo criacionista e personificado de ver o Absoluto. Mas, principalmente, em todas as religiões e em todas as tradições, a razão humana funciona como um instrumento de uma realidade ontológica mais profunda. O programa do Iluminismo — o projeto do Novo Tempo — colocou em seu lugar o vazio. Ele disse “não sabemos se há ou não esta realidade”, e então a esqueceu completamente. E portanto criou o que Nietzsche chamou de “niilismo do homem moderno”. No centro da era moderna jaz um niilismo fundamental, de um lado liberta a humanidade do transcendente, e por outro lado a coloca naquilo que Sartre chamou de prisão sem muros. Isto é, solidão e o sentimento de ser em um certo “beco-sem-saída” individual. E na ciência moderna há esta compulsão transcendentalmente blasfema ou prometéica de construir um modelo de sociedade ou civilização auto-suficiente em relação a qualquer princípio ou poder superior.

SK: Houve um cientista britânico muito importante, chamado Medawar, que disse “A ciência é a arte do solucionável”.

AD: Correto, e a religião é a religião do insolúvel.

SK: Correto, e aí jaz a contradição que existe entre nós.

AD: Existe uma contradição entre dois paradigmas: entre a sociedade pré-moderna, tradicional, religiosa e a cosmovisão moderna e científica.

SK: Você não concordaria que as disciplinas científicas carregam a oportunidade de auto-conhecimento?

AD: Em certo sentido, sim.

SK: E nós, neste sentido, nos consideramos otimistas. Acreditamos que podemos ir ainda mais longe sob este paradigma. Talvez não até o fim.

 
AD: Esta é de fato uma espécie de religião ou de fé. A ciência em si mesma requer um tipo de fé ou de crença. Não é apenas o trabalho de uma razão autônoma. É um certo paradigma, uma certa meta-ideologia, que, de uma perspectiva religiosa, acaba por ser niilista.

SK: Mas o niilismo é uma característica, não uma descrição.

AD: No centro da ciência jaz o nada. É a noumenalidade absoluta, inalcançável, indescortinável e aleatória da consciência humana e da razão.

SK: Não, eu não concordaria com isto. Nenhum cientista praticante concordaria, goste você ou não.

AD: Porque, é claro, eles são como representantes de uma religião concorrente. Eles dizem “não é nada como isto. Minha religião é verdadeira, a sua sim é de fato niilista”.

SK: Bem, eu penso que podemos ir um pouco além. Nós gostamos de pensar que podemos entender até mesmo a origem do pensamento religioso, por exemplo.

AD: Sim, e nós, pessoas de uma convicção transcendente e religiosa acreditamos que podemos entender a ciência, sua origem, e sua formatação hodierna em uma função da retrogressão ontológica. Uma rejeição de certos dogmas fundamentais que cedo ou tarde dá no que é visível hoje. Em outras palavras, a era moderna e o programa científico da modernidade é, de um ponto de vista dos ensinamentos religiosos, não um plus, mas uma minoração; o produto não do progresso, mas do regresso. E todas estas fórmulas críticas estão permeadas na ciência desde o início. O que hoje está visível não é a conclusão: não é o anoitecer da ciência, mas a alvorada do horror.

 
SK: Não concordo com este ponto de vista, talvez pelo modo com que foi colocado. Mas nossa discussão é interessante. Fui testemunha, veja, de um evento muito interessante em que estas questões estiveram no centro do debate. Foi quando a Igreja Católica, dada a iniciativa do último papa, reviu o caso Galileu. No centro do debate se provou que estavam estas mesmas questões. E eu estava presente a estas discussões. Foi muito interessante quando a Igreja Católica devotou um grande zelo e atenção a este tema. Há inclusive um livro devotado a este caso traduzido para o russo, “The Galileo Affair”. A revisão consistiu na conclusão da Igreja de que há dois sistemas de conhecimento: Revelação, que jaz no cerne dos ensinamentos religiosos; e a experiência, razão, teoria e observação, que jaz no centro da ciência. A última seria uma verdade de nível inferior, e “nossa verdade é uma de nível superior”, eles diziam. Foi um encontro interessante em que cerca de 30 pessoas foram convidadas ao Vaticano. E era muito interessante observar como os melhores representantes da ciência moderna discordariam das classificações colocadas pela Igreja. Eles eram otimistas, você vê.

AD: Bem, é muito interessante considerar Diderot e Voltaire, se vamos falar de revelações. Se olharmos para a forma como argumentavam a favor dos Novos Tempos e do Enciclopedismo, é coisa puramente de revelação. Eles agiam como profetas. Eles não tinham nem sombra de argumentação. “Há progresso na ciência”, e é isso.

SK: Bem, eu diria que é apenas…

AD: Profetismo niilista.

 
SK: Não. Não. É apenas um tipo de figura de linguagem. Porque Newton chamou suas leis de “Leis da Natureza”? Porque ele olhou em termos do léxico de Moisés. Lembro que quando a mecânica quântica começou a se formar, Bohr proclamou seus princípios de “postulados”. E quando ele foi questionado do porque chamou-os postulados — porque a Física rapidamente provou-os como muito importantes, mas de maneira alguma o que Bohr disse deles em primeiro lugar — ele disse: “De outra maneira, vocês não teriam acreditado em mim”. Veja, ele se adaptou àqueles a quem estava se dirigindo. É uma estratégia pedagógica.

AD: Bem, eu diria isto de uma maneira um pouco diferente, particularmente no que concerne a Voltaire ou Descartes.

SK: Eles saíram do mainstream religioso e tiveram de se dirigir ao público do qual saíram. Eram grandes propagandistas de uma nova visão de mundo.

AD: E havia Galileu. Ele ridicularizava a religião.

SK: Bem, esta ridicularização é também uma estratégia pedagógica.

AD: Sim, mas o interessante é que foi descoberto em um estudo que as descobertas de Galileu foram fraudulentas. Os primeiros cientistas estavam praticando de fato nada mais do que relações públicas e propaganda.

SK: E hoje em dia, o filósofo moderno não está engajado nisto também?

AD: Hoje? Bem, oque há então pra se falar sobre hoje? Estamos falando sobre o fato de que o que parecia ser a demonstração do visível na ciência, como oposto ao não-visível da religião, é em verdade nada mais que um modelo paradigmático em que metodologias similares são usadas. E é por esta razão, penso, que é apropriado falar sobre “revelaçoes” dos tempos modernos.

SK: Não, mas antes de tudo, em ciência há sempre um resultado.

 
AD: E na experiência religiosa há resultados também. Sociedades tradicionais construídas sobre princípios religiosos são absolutamente auto-suficientes. Claude Lévi-Strauss mostrou belamente que a sociedade de tribos nativas da Amazônia é absolutamente completa. O resultado de seus estudos, sua verificação dos mitos, suas análises de sonhos, suas profecias; tudo isto funcionava exatamente na mesma extensão de nossos estudos sociológicos, nossos governos etc.

SK: Sim, bem, eles têm seus próprios governos. Mas seu estruturalismo também mostrou que isto é tão aplicável quanto nosso próprio pensamento. A análise estruturalista de nosso pensamento se tornou parte da mentalidade de todos exceto talvez de nossos ancestrais mais primitivos.

AD: Mas é exatamente isto que estou tentando mostrar. Que, na verdade, a era moderna é um certo tipo de nova estrutura com certas regras novas, mas não é absolutamente nem mais nem menos objetiva do que a experiência religiosa tradicional. É um novo espaço, um novo tempo com leis novas, novas metodologias e novas atividades, mas uma que é compatível com nossa nova visão de mundo e vida, tanto quanto as das tribos indígenas, da papua ou da África são em relação às suas cosmovisões.

SK: Bem, eu repito uma coisa. Eu devo ser muito iniciante no que você está falando. Mas eu sustento que a ciência traz em si as raízes do desenvolvimento, para dizer o mínimo de sua utilidade. O desenvolvimento lógico interno é o que atrai as pessoas ao estudo da ciência, acho.

AD: Sim, e aqui alcançamos a pós-modernidade, onde o tempo chegou ao fim, onde o desenvolvimento acabou.

SK: Não acabou, apenas atingimos um entendimento mais profundo do tempo. De fato, trabalhei neste problema do tempo no desenvolvimento humano, que atualmente não coincide com o tempo físico. Nosso passado parece mais próximo de nós do que jamais foi. Exatamente agora estamos vivendo na época da densificação do tempo.

 
AD: Exatamente agora estamos assistindo a um interessante fenômeno em relação ao tempo, que Jean Baudrillard chama de pós-história. É quando os eventos na realidade virtual começam a tomar o lugar dos eventos da realidade de fato. Por exemplo, a celebração dos duzentos anos da revolução francesa foi na verdade mais brilhante e vívido do que a própria revolução. Isto ocorre porque estamos perdendo o sentido de nossa história, a filosofia de nossa história, o envolvimento ativo das pessoas no processo histórico; e estamos ao invés disto entrando em uma época de simulacro.

SK: Eu não chamaria de simulacro, mas de um jogo. As pessoas estão “jogando” a revolução francesa.

AD: Hoje em dia as pessoas estão jogando a realidade. O mundo moderno alcançou um estado que, em vez de criar a realidade, está criando um dublê virtual de realidade, um simulacro de realidade. E este foi o resultado do desenvolvimento. Na minha visão, isto é uma crise. Do ponto de vista religioso, estamos vendo agora que o maior dos niilismo estava entremeado com o projeto do Novo Tempo desde seu começo. Mas se inicialmente isto foi escondido sob a superfície liberadora da ciência, então agora o que se esconde sob esta superfície — a contradição interna no centro da ciência — está sendo revelada a nós.

SK: Nós estamos, sem dúvida, vivendo durante um tempo de desenvolvimento crítico, em que nossas inteligências e idéias estão andando atrás dos eventos de nosso tempo. Está não é uma crise do indivíduo mas da consciência social. É uma idéia escura, mas está evidentemente dada. E isto, penso, é responsável pela crise da ciência. Mas eu penso que afeta igualmente a cosmovisão religiosa. Você não pode se colocar fora disso.

AD: A cosmovisão religiosa sustenta uma enorme catástrofe no alvorecer do Novo Tempo. Isto foi marginalizado, secularizado.

SK: Sim, talvez externamente.

 
AD: Não, no cerne também. A época do Novo Tempo se inicia com um apocalipse. A consciência religiosa viu o Novo Tempo e o projeto da modernidade e da modernização como o início de um apocalipse, que ainda não alcançou seu fim.

SK: Sim, mas até Pedro o Grande foi visto um dia como um advento do mal.

AD: E ele foi. Ele destruiu a sacralidade russa. Ele dessacralizou tanto o Estado quanto a Igreja ao subordinar esta àquele. Na verdade, tudo o que a consciência religiosa temeu no alvorecer da modernidade veio a ocorrer de fato. Mas hoje esta crise é visível não apenas àqueles do campo religioso, que estão já no underground, em algum lugar nas margens da sociedade, e que não é difícil agora suprimir; mas agora está se tornando visível para aqueles que estavam na vanguarda do movimento e o olhavam com otimismo. Isto é o que é curioso. E isto, penso, é que cria a possibilidade de um novo diálogo. Para nós, a crise da visão de mundo moderna foi visível desde o início. Para os cientistas e as pessoas que estão movendo este Mundo Moderno, esta crise está se tornando visível apenas agora.

SK: Há uma piada envolvendo estes dois tipos, similares talvez a eu e você. Uma era um positivista, um cientista que acreditava no progresso da ciência. E ele vai a seu amigo e diz, “Você sabe, a ciência moderna mostrou radioastronomicamente que o Universo inteiro é de fato um buraco negro gigante”. E o outro disse a ele, “Sabe, é o que sempre pensei!”

(risos)

AD: Exato (risos).

SK: Cobrimos vários tópicos interessanes, e você colocou pontos e questões muito interessantes. Eu penso, no entanto, que há ainda alguma esperança, para dizer assim, no futuro; alguma luz no fim do túnel e espero que este túnel não nos leve a um beco sem saída. Talvez os pais da religião, que originaram a idéia do Apocalipse e um Final capítulo na Bíblia, e de revelaçoes, criaram em seu paradigma em teoria o que nós estamos agora criando no nosso na prática.

 
Mas há um caminho para fora disso. E é a isto que quero dar a ciência seus frutos. De qualquer forma, não uma abordagem positivista mas positiva. Apesar de tudo, grandes maravillhas estão abertas para nós. E talvez uma delas seja entender não apenas nós mesmos, mas você. Isto é, entender a origem da experiência religiosa. Este poderia ser um problema a ser solucionado pela ciência?

AD: Isto é muito interessante. Se você conhecer como a ciência olha pra religião, e existem agora milhares, centenas de milhares de volumes dedicados a esta questão, então sabemos muito pouco de como a religião enxerga a ciência. Como isto aconteceu? Porque há tal desproporção? A ciência diz muito sobre a religião; a religião fala pouco sobre a ciência. A religião foi de fato silenciada no alvorecer do Novo Tempo, como foram silenciados cientistas primevos como Galileu.

SK: Bem, esse não foi um bom método de resolver nossos problemas. Sem um diálogo é impossível avançar.

AD: Sim. Então a religião, enquanto pôde, permaneceu como um obstáculo para a modernidade; mas quando a modernidade finalmente permeou a religião, agiu tão radicalmente, se não mais, contra a própria religião. Não vamos falar agora do período soviético, apesar de que nele, também, houve um processo de modernização que tratou a religião de modo incrivelmente duro.

SK: Sim, é claro.

AD: Se escutarmos o que a religião tem a dizer sobre a modernidade, e em particular sobre a ciência, chegaremos a estes mesmos projetos apocalípticos, porque a religião foca na degradação do mundo e não em seu progresso, e a ciência se centra em seu progresso e não em sua degeneração. E independente de como esta degeneração é expressa — uma absoluta degredação nas tradiçoes monásticas, ou uma cíclica degradação nas tradições hindú, chinesa e budista — em ambos os casos estamos falando de uma retirada do SER do princípio. Falamos de fato da rejeição de Deus.

 
E a frase de Nietzche de que Deus está morto não é tão terrível para os religiosos. Nós podemos dizer, sim, para seus colegas — para esta parte da humanidade — Deus realmente morreu.

SK: É trágico.

AD: Mas claro que isto é de fato uma miragem, uma ficção, porque Deus não pode realmente morrer. Mas pobres daqueles que constróem seu modelo sem Deus.

SK:…para aqueles que Deus morreu.

AD: Exatamente, pobres daqueles para quem Deus morreu. Com efeito, a liberação do indivíduo leva àquilo que se tornou a sociedade americana moderna. É uma crise da família, a degradação das sociedades, de todas as sociedades em geral.

SK: Concordo com você, esta é uma crise muito profunda, e espero que possamos conversar sobre isso novamente algum dia.

AD: Com prazer, este é um problema muito sério. Na minha visão, filósofos como Nietzsche foram de fato os profetas que olharam para dentro deste projeto de liberação.

SK: Mas a prática da liberdade sem responsabilidade é destrutiva.

AD: Para isto existe o Leviatã. Hobbes colocou esta questão já no século XVI. Para isto existe a polícia de Estado.

SK: Esta é uma teoria. Mas porque você pensa que a experiência religiosa pode nos salvar deste problema?

AD: Porque a religião é dogma, e uma prática…

SK: Mas porque você pensa que a religião tem o monopólio disto?

AD: Estive dizendo que a religião é uma realidade completa e livre daquilo que nos levou ao que nos adoece, assusta e caça. E isto acontece como uma regra. Não temos nenhum lugar para onde retornar. É como o retorno do filho pródigo, que desperdiçou sua subsistência, que não tem nenhuma casa a qual retornar, nenhum pai para o qual voltar, a não ser aquele que deixou. Como nossas raízes, nossas raízes religiosas, nossas raízes ortodoxas.

 
SK: Bem, de fato a história do Filho Pródigo tem este elemento: é um certo final feliz para seus sofrimentos. Ele viu o mundo e voltou pra casa.

AD: Para certo ponto de vista.

SK: E talvez seja este um modo apropriado para concluirmos nossa conversa. Fizemos uma jornada interessante como as que se costuma fazer com um parceiro maravilhoso…

AD: Muito obrigado.

SK:…e levantamos aquelas questões que, de um modo ou outro, provavelmente preocupa os membros de nossa audiência também. E a ele podemos passar o que discutimos aqui hoje.

Debate: Francis Collins X Richard Dawkins novembro 4, 2009

Posted by Douglas Lisboa in : Debates religiosos , add a comment
Debate entre Richard Dawkins e Francis Collins pela Time
 
  Há dois grandes debates entre as principais questões que envolvem “Ciência x Deus”. O mais familiar ao longo dos últimos anos é também o mais restrito deles: A evolução darwinista consegue permanecer de pé ante as críticas dos cristãos que acreditam que ela contradiz o relato da criação do livro de Gênesis?
Nos últimos anos, o criacionismo mudou de curso como o progenitor espiritual do “design inteligente” (ID). Uma tentativa científica de mostrar que as lacunas existentes na narrativa evolutiva são mais significativas que a sua convincente totalidade.
O ID perdeu algum de seu prestígio jornalístico em Dezembro passado quando um juiz federal classificou-o como pseudo-ciência, imprópria para o ensino nas escolas da Pensilvânia.

Mas, na verdade, criacionismo e ID estão intimamente relacionados com uma questão maior, não resolvida, na qual o papel do agressor se inverte: a religião consegue se manter ante o progresso da ciência? O debate antecede a Darwin, mas a posição anti-religiosa tem sido promovida com crescente insistência recentemente por cientistas irritados com o ID e excitados, talvez intoxicados, pela crescente habilidade de suas disciplinas em mapear, quantificar e mudar a natureza da experiência humana.
 
Imagens do cérebro mostram – em cores! – a sede física da vontade e das paixões, desafiando a noção religiosa de uma alma independente de gandulas e cartilagem. Alguns manipuladores procuram inconsistências que possam explicar os estados estáticos dos santos visionários ou, como alguns sugerem, de Jesus.
 
Como o freudianismo no século passado, o campo da psicologia evolutiva têm gerado teorias sobre o altruísmo, e até sobre a religião, que não incluem Deus.
 
A chamada “hipótese do multiverso” na cosmologia especula que nosso universo pode ser apenas um dentre uma cascata de universos, aumentando assim as chances de a vida ter surgindo aqui acidentalmente, sem nenhuma intervenção divina. (Se as probabilidades fossem de 1 em 1 bilhão, e você tem 300 bilhões de universos, por que não?)
 
Encontrar um porta-voz para este lado da questão não foi difícil, uma vez que Richard Dawkins, talvez seu principal polemista, acaba de lançar “Deus, um Delírio” (Companhia das Letras), uma obra cuja posição é tão clara que dispensa um subtítulo. Best-seller há cinco semanas no “The New York Times” (atualmente na posição no. 8), “Deus, um Delírio” ataca a fé filosoficamente, historicamente bem como cientificamente, inclinando-se pesadamente na teoria darwiniana, conhecimento que Dawkins explorou quando jovem cientista e também recentemente ao explicar a psicologia evolutiva tão lucidamente que o garantiu a cadeira Charles Simonyi para a compreensão pública da ciência na Universidade de Oxford.A devoção de Collins à genética é, se possível, maior do que a de Dawkins.
 
Diretor do National Human Genome Research Institute [Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Genoma] desde 1993, ele liderou um time multinacional de 2400 cientistas que mapeou as 3 bilhões de letras bioquímicas de nossa matriz genética, um marco que o então presidente Bill Clinton honrou em 2000 em uma cerimônia na Casa Branca, comparando o gráfico do genoma com o mapa de Meriwether Lewis em sua importante exploração continental.
 
Collins continua a liderar seu instituto de estudos do genoma e aproveitando-o para realizar descobertas médicas.  
Traduzido por: Eliel Vieira e Amauri Alves
Fonte: http://www.elielvieira.org/2009/02/ciencia-vs-fe-debate-entre-dawkins-e.html

Ele também é um cristão decidido, que se converteu do ateísmo aos 27 anos de idade e que agora encontra tempo para aconselhar os jovens evangélicos cientistas sobre a forma de declarar a sua fé em uma ciência largamente agnóstica. Seu best-seller, “A Linguagem de Deus” (Editora Gente), contém alguns dos argumentos que ele trouxe para este debate de 90 minutos que TIME organizou entre Dawkins e Collins em nossos escritórios no Time & Life Building, na cidade de Nova York, em 30 de setembro.

TIME: Professor Dawkins, para uma pessoa que verdadeiramente entende sobre ciência, então Deus deve ser considerado um delírio, como o título do seu livro sugere?

DAWKINS: A questão se existe um criador sobrenatural, um Deus, é uma das questões mais importantes que nós temos que responder. Eu acho que esta é uma questão científica. Minha resposta é que não existe.

TIME: Dr. Collins, você acredita que a Ciência é compatível com a fé cristã?

COLLINS: Sim. A existência de Deus é verdadeira ou falsa. Mas chamar esta questão de científica implica que as ferramentas que a ciência possui podem prover a resposta. De minha perspectiva, Deus não pode ser completamente contido dentro da natureza e, portanto, está fora da capacidade da ciência prover uma resposta sobre a existência de Deus.

TIME: Stephen Jay Gould, um paleontologista de Havard, ficou famoso por argumentar que religião e ciência podem coexistir por ocuparem compartimentos separados. Vocês dois parecem discordar disto.

COLLINS: Gould estabelece um muro artificial entre as duas visões do mundo que não existe na minha vida. Por acreditar no poder criativo de Deus em ter trago tudo para existência no começo, penso que estudar o mundo natural é a melhor oportunidade que tenho para observar a majestade, a elegância e a complexidade da criação de Deus.

DAWKINS: Eu acho que a separação dos compartimentos por Gould foi uma jogada puramente política para trazer pessoas religiosas para o campo da ciência. Mas esta idéia é muito vazia. Existem muitos lugares onde a religião não pode se manter ao largo da relva científica. Qualquer crença em milagres é plenamente contraditória não apenas com os fatos da ciência, mas também com o espírito da ciência.

TIME: Professor Dawkins, você acha que a teoria evolucionária de Darwin faz mais do que simplesmente contradizer a história do Gênesis.

DAWKINS: Sim. Por séculos o mais poderoso argumento para a existência de Deus era o chamado “argumento do Design”: seres vivos são tão belos e elegantes e aparentemente tão complexos que eles só podem ter sido criados por um designer inteligente. Mas Darwin nos deu uma explicação muito mais simples. Seu caminho é gradual, uma crescente melhoria de um início muito simples, trabalhado passo a passo para a maior complexidade, elegância e perfeita adaptação. Cada etapa não é tão improvável para nós entendermos. Mas quando você as reuni cumulativamente através de milhões de anos, você obtém estes monstros de improbabilidade, como o cérebro humano. Isto deve nos alertar contra aqueles que, novamente, dizem que o fato de alguma coisa ser complicada, Deus deve ter feito esta coisa.

COLLINS: Eu não vejo como a explicação básica do Professor Dawkins sobre a evolução seja incompatível com um Deus que tenha a projetado.

TIME: Quando, se este projeto aconteceu?

COLLINS: Estando fora da natureza, Deus está também fora do Espaço e do Tempo. Assim, no momento da criação do universo, Deus poderia ter ativado a evolução, com total conhecimento do que ela geraria, talvez até incluindo nossa conversa agora. A idéia de que ele poderia prever o futuro e também nos dar um espírito e livre-arbítrio para tomar nossas decisões se torna completamente aceitável.

DAWKINS: Eu acho que está é uma tremenda evasão de responsabilidade. Se Deus quisesse criar a vida e os seres humanos, seria um pouco estranho ele escolher esta forma extraordinariamente complicada, esperar 10 bilhões de anos antes da vida começar, então esperar por outros 4 bilhões de anos até ter seres humanos capazes de adorar, pecar e todas estas outras coisas em que as pessoas religiosas estão interessadas.

COLLINS: Quem somos nós para dizer que esta é uma forma estranha de se fazer uma coisa? Eu não acho que seja do propósito de Deus fazer sua intenção absolutamente óbvia para nós. Se seu propósito era ser uma divindade que nós devêssemos buscar sem sermos forçados a isso, não teria sido sensato a ele usar o mecanismo de evolução sem estabelecer óbvias placas rodoviárias que revelem seu papel na criação?

TIME: Os livros de ambos sugerem que se as constantes do universo, as seis ou mais características de nosso universo, variassem de alguma forma, a vida seria impossível. Dr. Collins, você pode nos dar um exemplo?

COLLINS: A constante gravitacional é um exemplo. Se ela fosse uma parte em 100 milhões de milhões menor, então a expansão do universo após o Big Bang não teria acontecido do modo necessário para que a vida pudesse existir. Quando você olha para esta evidência, fica muito difícil aprovar a visão de que isto foi apenas sorte. Mas se você está disposto a considerar a possibilidade do designer, esta idéia torna-se uma explicação bastante plausível de como as coisas aconteceram, o mesmo acerca de outro evento ainda mais improvável – nossa existência.

DAWKINS: Pessoas que acreditam em Deus concluem que deva existir um ser divino apertador de botões que mantém esta meia dúzia de botões de constantes apertados para deixá-las exatamente no valor correto. O problema é dizer que, porque uma coisa é improvável, nós precisamos de Deus para explicá-la. O próprio Deus seria ainda mais improvável. Os físicos adotam outras explicações. Uma delas é dizer que estas seis constantes não são livres para variar. Alguma teoria unificada acabará por mostrar que estas constantes são tão absolutas quanto a circunferência e o diâmetro de um circulo. Outra alternativa existente é a “teoria do multiverso”. Ela diz que talvez o universo em que estamos seja apenas um dentre uma vasta quantidade de universos. A grande maioria não vai conter vida porque eles têm uma má constante gravitacional ou esta ou aquela constante errada. Mas como o número de universos existentes cresce, temos a chance de um pequeno número de universos tenham a exata regularização destas constantes.

COLLINS: Esta é uma escolha interessante. Ignorando a resolução teórica, que eu penso ser improvável, você tem de dizer que existem zilhões de universos paralelos lá fora que nós não podemos observar neste momento ou aceitar que existiu um plano. Eu verdadeiramente acho que o argumento da existência de um Deus que planejou o universo mais atraente que o borbulhamento de todos estes multiversos. Então a navalha de Occam – Occam dizia que você deve escolher a explicação que for mais simples e direta – me conduz mais a acreditar em Deus do que no multiverso, que parece ser apenas uma extensão de sua imaginação.

DAWKINS: Eu aceito que podem existir coisas muito maiores e incompreensíveis além do que nós podemos imaginar. O que eu não entendo é porque você invoca a improbabilidade e ainda não admite que está atirando no próprio pé por postular alguma coisa tão improvável como a palavra “Deus”.

COLLINS: Meu Deus não é improvável para mim. Ele não precisa de uma história de criação nem ser bem ajustado por alguma outra coisa. Deus é a resposta para todas as questões “como isto veio a ser o que é?”.

DAWKINS: Eu penso que esta é a mãe e o pai de todas as evasões. Um dos objetivos honestos do cientista é descobrir de onde uma aparente improbabilidade vem. Agora Dr. Collins diz, “Bem, Deus fez tudo. E Deus não precisa de explicação porque Deus está fora de tudo isto”. Bem, que incrível evasão da responsabilidade de explicar. Cientistas não fazem isso. Cientistas dizem, “Estamos trabalhando nisto. Estamos lutando para compreender”.

COLLINS: Certamente a ciência deve continuar para ver se podemos encontrar evidencias para os multiversos que podem explicar porque nosso universo parece ser bem ajustado. Mas eu discordo do pressuposto de que qualquer coisa que possa estar fora da natureza deva ser excluída de nossa conversa. Esta é uma visão empobrecida para o tipo de questões que nós humanos podemos perguntar, como “Por que estou aqui?”, “O que acontece após a morte?”, “Existe um Deus?”. Se você se recusa a relevância destas questões, você terminará com uma probabilidade zero de Deus após examinar o mundo natural porque ele não te convence a base de provas. Mas se sua mente está aberta sobre a possibilidade de Deus existir, você pode apontar para os aspectos do universo que são consistentes com esta conclusão.

DAWKINS: Para mim, a abordagem correta é dizer que nós somos profundamente ignorantes nestes assuntos. Nós precisamos trabalhar neles. Mas repentinamente dizer que a resposta é Deus – parece-me fechar a discussão.

TIME: A resposta pode ser Deus?

DAWKINS: Pode ser alguma coisa incrivelmente grande e incompreensível e além do nosso presente entendimento.

COLLINS: Isto é Deus.

DAWKINS: Sim. Mas poderia ser qualquer um dos bilhões de deuses. Poderia ser o deus dos marcianos ou dos habitantes da Alpha Centauri. A chance de ser um Deus particular, Yaweh, o Deus de Jesus, é infimamente pequena – pelo menos, o ônus está com você para demonstrar porque você pensa que este é o caso.

TIME: O livro de Gênesis tem levado muitos protestantes conservadores a se oporem à evolução e alguns ainda insistem que a Terra possui apenas 6000 anos de idade.

COLLINS: Existem crentes sinceros que interpretam os primeiros capítulos de Genesis de forma muito literal, o que é inconsistente, francamente, com o conhecimento da idade do universo ou como organismos vivos são relacionados uns com os outros. Santo Agostinho escreveu que, basicamente, não é possível entender o que estava sendo descrito em Gênesis. Ele não foi concebido como um texto científico. Ele foi concebido como uma descrição do que Deus é, quem nós somos e como deve ser nossa relação com Deus. Agostinho explicitamente adverte contra as perspectivas muito restritas que podem fazer nossa fé correr risco de parecer ridícula. Se você der um passo para trás e fugir desta interpretação restrita, o que a Bíblia descreve é muito consistente com o Big Bang.

DAWKINS: Os físicos estão trabalhando no Big Bang e um dia eles podem ou não podem resolver esta questão. Entretanto, o que o Dr. Collins acabou de fazer – posso te chamar de Francis?

COLLINS: Oh, por favor Richard, claro.

DAWKINS: O que Francis acabou de dizer sobre o Gênesis foi, claro, uma pequena desavença particular entre ele e seus amigos fundamentalistas…

COLLINS: Não tão particular. É um tanto pública. [risos]

DAWKINS: …seria impróprio para mim me meter nesta questão e sugerir que ele salvaria a si próprio de uma enorme quantidade de problemas se ele simplesmente deixasse de dar a eles o que eles querem. Por que se preocupar com estes palhaços?

COLLINS: Richard, eu acho que não prestamos um serviço para o diálogo entre ciência e fé zombando das pessoas, chamado-as de apelidos. Isto inspira o fundamentalismo. Ateístas algumas vezes são arrogantes em suas considerações, e zombar da fé como algo que apenas um idiota se juntaria provavelmente não vai ajudar o seu caso.

TIME: Dr. Collins, a ressurreição é um argumento essencial da fé cristã, mas narrativas como o nascimento virginal e os milagres não minam o método científico, que depende da constância das leis da natureza?

COLLINS: Se você está de acordo em responder sim para um Deus fora da natureza, então não há nenhuma inconsistência em Deus escolher invadir o mundo natural de uma maneira que pareça milagrosa em raras ocasiões. Se Deus fez as leis naturais, por que ele não poderia violá-las em um momento particular e significante? E se você aceita a idéia que Cristo era também divino, o que eu creio, então a ressurreição não é, em si mesma, um grande salto lógico.

TIME: A noção de milagres não anula a ciência?

COLLINS: De forma nenhuma. Se você estiver no campo em que eu estou, um lugar onde ciência e fé podem se interagir, não há nada contraditório.

DAWKINS: Se alguma vez houve um “bater a porta” na cara da investigação construtiva, isto se chama milagre. Para um camponês medieval, um rádio lhe pareceria como um milagre. Todo o tipo de coisas que nós classificamos como “milagre”, à luz da ciência hoje, faríamos da mesma forma como a ciência medieval classificaria um Boeing 747 como um milagre. Francis continua dizendo coisas como “De minha perspectiva como crente”. Depois de comprar uma posição de fé, então, você se encontra perdendo seu ceticismo natural e sua credibilidade científica. Desculpe por ser tão brusco.

COLLINS: Richard, eu até concordo com a primeira parte do que você disse, de verdade. Mas eu desafiaria a declaração de que meus instintos científicos são menos rigorosos que os seus. A diferença é que minha presunção da possibilidade de Deus e, portanto, o supernaturalismo não é zero, e a sua é.

TIME: Dr. Collins, você descreveu o senso moral do ser humano não apenas como um dom de Deus, mas como um sinal de que ele existe.

COLLINS: Existe todo um campo de investigação que surgiu nos últimos 30 ou 40 anos – alguns o chamam de sociobiologia ou psicologia evolutiva – relacionado com nosso senso moral, onde este senso se localiza e por que valorizamos a idéia do altruísmo. Também para localizar as respostas a estas questões em adaptações comportamentais para a preservação de nossos genes. Mas se você acredita, e Richard sabe disto, que a seleção natural opera individualmente, não em grupo, por que então um individuo arriscaria seu próprio DNA fazendo algo altruísta para salvar alguém, arriscando diminuir sua chance de reprodução? De fato, podemos tentar ajudar nossa própria família porque eles partilham de nosso DNA. Ou ajudar alguém esperando que ele nos ajude depois. Mas quando você olha para o que nós realmente admiramos como as mais generosas manifestações de altruísmo, elas não são baseadas em parentesco ou reciprocidade. Um extremo exemplo pode ser Oskar Schindler que arriscou sua vida para salvar mais que mil judeus da câmara de gás. Seu ato contraria sua disposição natural de tentar salvar seus genes. Nós vemos versões menos dramáticas todos os dias. Muitos de nós pensamos que estas qualidades vêem de Deus – especialmente porque justiça e moralidade são dois dos atributos que mais prontamente nos identificam com Deus.

DAWKINS: Posso começar com uma analogia? A maior parte das pessoas entende que o desejo sexual tem haver com propagação de genes. As relações sexuais na natureza tendem a levar para a reprodução e então para mais cópias genéticas. Mas na sociedade moderna, a maior parte das relações envolve contraceptivos, criados precisamente para evitar reprodução. O altruísmo provavelmente tenha tido a mesma origem. Em nosso passado pré-histórico, vivíamos em famílias maiores, cercados por parentes cujos interesses nós queríamos promover, pois eles compartilhavam de nossos genes. Agora vivemos em grandes cidades. Nós não estamos no meio de parentes nem pessoas que vão retribuir nossas boas ações. Isto não importa. Da mesma forma como as pessoas que se envolvem em relações sexuais com contraceptivos não estão conscientes de estarem sendo motivadas por um comando para ter bebês, não passa pela nossa mente que a razão para fazermos coisas boas está baseado no fato que nossos ancestrais primitivos viviam em grupos pequenos. Esta me parece ser uma explicação bastante plausível sobre de onde veio nosso desejo por moralidade e bondade.

COLLINS: Argumentar que nossos bons atos são apenas uma falha darwiniana de comportamento não faz justiça com o senso que todos nós temos sobre os absolutos que estão envolvidos acerca do bem ou mal. A evolução pode explicar algumas características da lei moral, mas não pode explicar porque ela deve ter qualquer significado real. Se é apenas uma conveniência evolutiva, não há realmente nenhuma coisa como bem ou mal. Mas, para mim, nosso senso moral é bem mais que isso. A lei moral é um motivo para pensar como plausível não apenas um Deus que estabeleceu o universo em movimento, mas um Deus que se preocupa com o ser humano, porque parecemos singulares entre as criaturas do planeta para ter este bem-desenvolvido senso de moralidade. O que você disse implica que fora da mente humana, sintonizada por processos evolutivos, o bem e o mal não tem nenhum significado. Você concorda com isso?

DAWKINS: Esta questão que você levantou não tem sentido para mim. Bem e mal – Eu não acredito que exista pendurado por aí algo chamado bem e alguma coisa chamada mal. Eu penso que existem coisas boas que acontecem e coisas más que também acontecem.

COLLINS: Eu acho que esta é a fundamental diferença entre nós. Estou feliz por identificarmos isto.

TIME: Dr. Collins, eu sei que você favorece a abertura de novas linhas de pesquisa com células-tronco. Mas o fato de a fé ter influenciado algumas pessoas a se posicionarem contra estas pesquisas não dá a idéia de que a religião está impedindo a ciência de salvar vidas?

COLLINS: Permita-me dizer primeiramente que falo como cidadão e não como representante do Poder Executivo do governo americano. A impressão de que as pessoas de fé são uniformemente contra as pesquisas com células-tronco não está documentada em estudos. De fato, muitas pessoas de forte convicção religiosa acreditam que estas pesquisas podem ser uma abordagem moralmente suportável.

TIME: Mas na medida em que uma pessoa argumenta baseada na fé ou na Escritura além da razão, como os cientistas podem responder?

COLLINS: A fé não faz oposição à razão. A fé repousa sobre a razão, mas com o adicional componente da revelação. Assim, este tipo de discussão entre cientistas e crentes acontece bem facilmente. Mas nem os cientistas nem os crentes encaram sempre os princípios precisamente. Os cientistas podem ter seus julgamentos embaçados por suas aspirações profissionais. E a pura verdade é que a fé, que você pode imaginar como uma água pura e espiritual, se encontra em garrafas enferrujadas chamada seres humanos, então, algumas vezes, os bons princípios da fé podem ser distorcidos em determinadas circunstâncias.

DAWKINS: Para mim, questões morais como as pesquisas com células-tronco são mais relativas a se é imputado sofrimento. Neste caso, claramente não é. Os embriões não possuem sistema nervoso. Mas esta não é a questão discutida publicamente. A questão é: eles são humanos? Se você é um moralista absoluto você dirá “Estas células são seres humanos e, portanto, eles merecem algum tipo de tratamento moral especial”. O moralismo absoluto não deve vir da religião, mas geralmente vem.
Nós abatemos animais não humanos em fazendas, e estes animais possuem sistema nervoso e sofrem. Pessoas de fé não estão muito interessadas no sofrimento deles.

COLLINS: Os humanos possuem alguma diferença moral significante em relação às vacas, em geral?

DAWKINS: Os humanos possuem mais responsabilidade moral, talvez porque eles possuem a capacidade de pensar racionalmente.

TIME: Vocês têm alguma conclusão?

COLLINS: Eu apenas gostaria de dizer que com pouco mais de 25 anos como cientista e cristão, eu não encontrei absolutamente nenhum conflito entre concordar com praticamente todas as conclusões de Richard sobre o mundo natural, e também dizer que eu ainda sou capaz de aceitar e abraçar a possibilidade de que existem questões sobre o mundo natural que a ciência não é capaz de prover resposta – questões sobre “por que?” ao invés de questões sobre “como?”. Estou interessando nas questões “por que?”. Encontrei várias destas respostas no reino espiritual. Em nenhum outro lugar mais.

DAWKINS: Minha mente não é fechada, como você ocasionalmente sugeriu, Francis. Minha mente está aberta para o mais maravilhoso leque de futuras possibilidades, que eu não posso sequer sonhar, nem você, nem ninguém. Eu sou cético quanto à idéia de que qualquer revelação maravilhosa que a ciência traga no futuro se torne uma religião histórica particular com que as pessoas têm sonhado. Quando começamos e conversamos sobre as origens do universo e as constantes físicas, eu propus o que eu pensei ser bons argumentos contra um designer inteligente sobrenatural. Parece-me uma idéia digna. Refutável – mas, no entanto, grande e abrangente o suficiente para ser digna de respeito. Não concebo os deuses do Olímpio ou Jesus vindo aqui e morrendo numa cruz como dignos ou grandiosos. Se existe um Deus, ele é um conjunto muito maior e muito mais incompreensível do que qualquer coisa que teólogos ou religiosos jamais propuseram.

Dawkins está surfando na onda literária ateísta. Em 2004, o livro “The End of Faith” [O Fim da Fé], escrito pelo estudante em neurociência Sam Harris, vendeu mais de 400.000 cópias. Harris escreveu outro livro, “Letter to a Christian Nation” [Carta a uma Nação Cristã], que está na 14ª posição entre os mais vendidos da Time. Em Fevereiro passado, o filósofo Daniel Dannett (Universidade de Tufts), produziu “Breakink the Spell: Religion as a Natual Phenomenon” [Quebrando o Encanto: Religião como um Fenômeno Natural], que vendeu menos cópias, mas ajudou a disseminar o debate na arena pública.

Se Dennett e Harris são quase cientistas (Dennett executa um programa multidisciplinar científo-filosófico) os autores de outra parte de livros seculares agressivos são consagrados: em “Moral Minds” [Mentes Morais], o biólogo de Havard Marc Hauser explora as – não divinas – origens de nosso senso de certo e errado; em “Six Impossible Things Before Breakfast” [Seis Coisas Impossíveis Antes do Café da Manhã] pelo auto-intitulado “ateu-reducionista-materialista” biólogo Lewis Wolpert, a religião é uma dessas coisas impossíveis; Victor Stenger, um físico-astrônomo, tem um livro a ser lançado em breve chamado “God: The Failed Hypothesis” [Deus: A Hipótese Falhou]; Ann Druyan, viúva do arqui-cético Carl Sagan, editou alguns textos não publicados de Sagan sobre Deus e sua ausência em um livro, “The Varieties of Scientific Experience” [As Variedades da Experiência Científica], a ser lançado este mês.

Dawkins e seu exército, obviamente, têm um enxame de articulados oponentes teológicos. Mas os mais ardentes entre eles na verdade não se preocupam muito com a ciência e um argumento se sustenta parte sobre a Escritura e parte sobre a Tabela Periódica não convence ninguém. A maior parte dos americanos ocupa o meio: “nós queremos tudo”. Nós queremos comemorar os avanços da ciência e ainda nos humilharmos no Sabbath. Queremos acesso a ambos, MRIs e milagres.

Queremos debates sobre temas como células-tronco sem admitir que as posições divergentes sejam tão intrinsecamente hostis como discussões infrutíferas. E para equilibrar a formidável posição de Dawkins, nós buscamos aqueles que possuem convicções religiosas, mas que possuam credibilidade científica para defender a posição de que Ciência e Deus estão em harmonia – na verdade, que a Ciência seja de Deus.

Conciliadores informais recentemente se tornaram mais ouvidos. Joan Rougharden, biólogo da Universidade de Stanford, acaba de lançar “Evolution and Christian Faith” [Evolução e Fé Cristã], que prevê o que ele chama de uma “forte defesa cristã” da biologia evolutiva, ilustrando os principais conceitos da disciplina com passagens bíblicas. O entomologista Edward O. Wilson, um famoso cético da fé, escreveu “The Creation: An Appeal to Save Life on Earth” [A Criação: Um apelo para salvar a vida na Terra], exortando os crentes e não-crentes a unirem-se em torno da conservação do planeta. Mas o principal destes debatedores em ambos os assuntos é Francis Collins.

O cardeal católico romano Christoph Schönborn apelidou os mais fervorosos cientistas desafiadores da fé de “cientismos” ou “evolucionistas” (aqueles que seguem a ciência ou a evolução como uma religião), uma vez que esperam que a ciência possa não apenas servir de ponto de referência, mas sim substituir a religião como cosmovisão e critério de avaliação.

Nem todos os que trabalham com um tubo de ensaio se encaixam nessa concepção. Contudo, uma proporção crescente dos profissionais vem experimentando o que uma grande pesquisa chama de “ultraje sem precedentes”, relacionado aos insultos observados contra a pesquisa científica e a racionalidade, advindas de situações como a dita influência dos direitos cristãos sobre as políticas científicas da administração Bush, da fé fanática dos terroristas no 11 de setembro ou das reivindicações recentes feitas pelo design inteligente.

Alguns se tornaram radicais o bastante para levantar uma velha bandeira: a idéia de que, diferentemente de serem respostas complementares ao desconhecido, ciência e religião estão em extremos opostos — ou, como definiu de forma simples o psicólogo Paul Bloom, da Yale, “Religião e ciência estarão em constante colisão”.

As prateleiras das livrarias parecem estar transbordando de livros escritos por cientistas que descrevem uma batalha mortal entre ciência e Deus — com a ciência como vencedora, ou pelo menos enfraquecendo as verdades que sustentam a fé.

Orações nas margens do lago Ohrid novembro 4, 2009

Posted by André Luiz in : Orações e reflexões , add a comment
Fonte: blog de Edward Wolff.
 
São Nicolau de Ohrid e Zhicha, o Novo Crisóstomo, (+1956) compôs belíssimas orações às margens do Lago Ohrid, onde hoje é a atual República da Macedônia. Entre elas, há algumas orações que fazem alusões e comparações com outras religiões. Em uma curiosa oração, de número XLVIII, Lao-Tsé, Krishna, Buda, Zoroastro e Isaías são chamados de “profetas”, os quais antecederam e foram “destinados a teu Filho”, isto é, ao Cristo. Há também as orações XIII e LXVIII, nas quais outras alusões são feitas com o Islã e o Hinduísmo.
 
A tradução e as notas se basearam na tradução do Arquimandrita Todor Mika e do Pe. Stevan Scott. [http://www.sv-luka.org/praylake/]
 
São Nicolau é comemorado no dia 5/18 de março. 
 
 Oração XIII
Tu não pedes muito de mim, meu Amor. Na verdade, as pessoas pedem mais.

 
Estou embalado em uma grossa camada de não-existência, que cobre os olhos da minha alma. Tu pedes apenas que minha alma se dispa de sua embalagem nebulosa e abra seus olhos a Ti, meu Poder e minha Verdade. As pessoas pedem que minha alma se embale mais e mais com embalagens mais e mais grossas e pesadas.
 
Ó, ajuda-me, ajuda-me! Ajuda minha alma a conquistar a liberdade e a luz, a conquistar a luz e asas aéreas, a conquistar asas aéreas e rodas de fogo ardente.
 
Histórias são longas, longas demais; a moral é curta — uma palavra. Histórias derramam-se em mais histórias, assim como a superfície suave do meu lago derrama-se de cor em cor. Onde o derramar colorido da água sob o sol terminará, e onde o derramar de histórias em histórias terminará?
 
Histórias são longas, longas demais; a moral é uma palavra só. Tu és essa palavra, ó Verbo de Deus. Tu és a moral de todas as histórias.
 
O que as estrelas escrevem no céu, a relva sussurra na terra. O que a água gorgulha no mar, o fogo ruge sob o mar. O que um anjo diz com seus olhos, o imam brada de seu minarete. O que o passado disse e deixou, o presente está dizendo e deixando.

 
Há uma essência para todas as coisas; há uma moral para todas as histórias. As coisas são contos do céu. Tu és o sentido de todos os contos. As histórias têm Tua extensão e amplitude. Tu és a brevidade de todas as histórias. Tu és a pepita de ouro em um outeiro de pedra.

 
Quando digo Teu nome, disse tudo e mais do que tudo.

 
Ó meu Amor, tem piedade de mim!

 
Ó meu Poder e Verdade, tem piedade de mim!

 
Oração XLVIII
Todos os profetas, desde o princípio, têm clamado à minha alma, implorando-lhe para que se torne virgem e se prepare para receber o Filho divino em seu ventre imaculado;

 
Implorando-lhe para que se torne uma escada pela qual desça Deus ao mundo e pela qual suba o homem a Deus (1);

 
Implorando-lhe para drenar de si o mar vermelho das paixões sanguinárias, a fim de que o escravo homem possa alcançar a terra prometida, a terra da liberdade (2).

 
O mago da China adverte minha alma para que fique calma e tranquila, e aguarde o Tao para nela agir. Glória à memória de Lao-Tsé, o mestre e profeta de seu povo!

 
O mago da Índia ensina minha alma a não temer o sofrimento, pois mediante a sondagem árdua e inexorável em purificação e oração, ela se elevará ao Altíssimo, que a receberá e lhe manifestará Sua face e Seu poder. Glória à memória de Krishna, o mestre e profeta de seu povo!

 
O príncipe da Índia ensina minha alma a esvaziar-se completamente de toda semente e fruto do mundo, a abandonar todas as tortuosas seduções da matéria caduca e ilusória, para então — em vacuidade, tranquilidade, pureza e glória — aguardar o nirvana. Bendita seja a memória de Buda, o príncipe e mestre inexorável de seu povo!

 
O estrondeante mago da Pérsia diz à minha alma que não há nada no mundo exceto luz e trevas, e que a alma deve livrar-se das trevas como o dia se livra da noite. Pois os filhos da luz são concebidos da luz, e os filhos das trevas são concebidos das trevas. Glória à memória de Zoroastro, o grande profeta de seu povo!

 
O profeta de Israel clama à minha alma: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome — o Deus-homem (3). Glória à memória de Isaías, o profeta clarividente da minha alma!

 
Ó Senhor celestial, abra os ouvidos da minha alma para que ela não se torne surda aos conselhos do Teu mensageiro.

 
Não mates os profetas que te foram enviados (4), alma minha, pois suas sepulturas não contêm a eles, mas àqueles que os mataram.

 
Lava-te e purifica-te; torna-te tranquila em meio ao mar turbulento do mundo, e guarda em ti os conselhos dos profetas que lhe foram enviados. Entrega-te completamente ao Altíssimo e dize ao mundo: “Não tenho nada para ti”.

 
Até mesmo os mais justos dos filhos dos homens que crêem em ti são meras sombras débeis as quais, como o justo José, andam em tua sombra. Pois mortalidade gera mortalidade, e não vida. Em verdade te digo: os maridos mundanos erram quando dizem que dão vida. Eles não dão vida, mas a matam. Eles empurram a vida para o mar vermelho e a afundam, não sem antes envolvê-la em trevas e transformando-a em ilusão diabólica. Não há vida, ó alma minha, a não ser aquela que vem do Espírito Santo. Não há realidade alguma no mundo, a não ser aquela que vem do céu.

 
Não mates os profetas que lhe foram enviados, alma minha, pois a morte é uma ilusão das sombras. Não mates, pois tu não podes matar ninguém a não ser a ti mesma.

 
Sê virgem, alma minha, pois a virgindade da alma é a única semi-realidade neste mundo de sombras. Uma semi-realidade, até que Deus nasça nela. Então a alma se tornará plena realidade.

 
Sê sábia, virgem minha, e recebe cordialmente os dons preciosos dos magos do Oriente destinados a teu Filho. Não te voltes ao Ocidente, onde se põe o sol, e não almejes falsos dons.
 
 

 

 

 

 

 

 

Notas:

 

 

 

 

 

(1) Cf. Gênesis 28:12: E eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela, e João 1:51: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.
(2) Cf. Êxodo 14.
(3) Cf. Isaías 7:14: Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.
(4) Cf. Mateus 23:37: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!

 
  
Oração LXVIII
O hindu amaldiçoa o karma. O muçulmano amaldiçoa o kismet. O cristão amaldiçoa o pecado.

 
Todos eles amaldiçoam suas maldições; em verdade, todas as formas de maldição são uma privação de liberdade.

 
Todos eles amaldiçoam suas maldições — a única bendita maldição. Todos eles murmuram contra as cinzas, as quais os mantêm presos a elas e estão certas de vencer.

 
Em verdade, os jogadores não gostam daquele cuja vitória é certa em um jogo com pessoas mais ineptas.

 
O hindu não amaldiçoa a privação de liberdade, mas sua vassalagem àquilo que é pior que si próprio. Nem o muçulmano amaldiçoa a privação de liberdade, mas sua vassalagem àquilo que é pior do que si próprio. Nem o cristão amaldiçoa a privação de liberdade, mas sua vassalagem àquilo que é pior do que si próprio. Nenhum deles murmura contra seu mestre como se ele fosse seu mestre, mas como se fosse um mestre inferior a si próprios.

 
O mundo procura mestres. Ao experimentar os mestres, o mundo submete-se ao papel de servo e, alimentando-se de cinzas, tenta preservar sua dignidade com murmúrios.

 
Pensei comigo mesmo e perguntei-me: “Tu consegues lançar o karma para trás de ti — essa montanha enorme, tão antiga quanto o mundo, tão pesada quanto o mundo — tu consegues lançá-la para trás de ti?

 
“Pode uma gota d´água realmente encontrar seu caminho na luz? Pode o fogo no coração da montanha conduzir-se até o topo, onde o sol o aguarda?”

 
Ainda outra vez pensei comigo mesmo e perguntei-me: “Tu consegues criar um kismet para o kismet? Pode um condutor de camelos salvar-se a si próprio e a seu camelo de uma tempestade de areia e ainda chegar a tempo vindo de uma rota sem oásis?

 
“Pode um filho registrar no seu patrimônio um pai plenipotenciário?

 
“Pode o legislado tornar-se o legislador?”

 
Ainda outra vez pensei comigo mesmo e perguntei-me: “Tu podes escapar deste campo de pecados, onde uma simples semente gera cem colheitas?

 
“Pode alguém que tenha encontrado um campo melhor realmente conseguir abandonar um campo pior?

 
“Pode alguém que descobriu que seu companheiro de viagem é um malfeitor, virar as costas e se afastar dele?”

 
Mas o medo em mim retorque: “E se não houver outro campo? E se não houver outro companheiro de viagem?”

 
Mas o Eu mais corajoso em mim responde: “Quando eu falo de Brahma, não estou falando de outro campo? Quando eu falo de Allah, não estou falando de outro companheiro de viagem? Quando eu falo de Cristo, não estou falando de salvação?”
 
Ó Rei Celestial, aceita minha alma como Tua serva. Eis que minha única liberdade é servir alguém melhor do que eu mesmo.

 

 

 

Ida, o elo perdido? novembro 4, 2009

Posted by André Luiz in : Notícias , add a comment
Um grupo independente de cientistas analisou o fóssil de primata propagandeado em maio deste ano como “o elo perdido” da evolução humana e chegou a uma conclusão não muito empolgante: o bicho é provavelmente só um primo antigo e esquisito dos lêmures.

Se eles estiverem corretos, o alarde midiático organizado em torno de “Ida, o elo perdido”, ou Darwinius masillae, como o animal foi batizado oficialmente, pode se tornar um dos casos clássicos em que a vontade de chamar a atenção do público atropelou a ciência.

Afinal, a descrição científica de Ida foi coreografada com o lançamento de documentários, sites, livros e de um evento para a imprensa no qual os pesquisadores responsáveis por estudá-la compararam o fóssil com a Mona Lisa e com o Santo Graal, afirmando que ele mudava tudo o que se sabia sobre a evolução humana.

O veredicto: Ida seria apenas uma prima muito distante do grupo que inclui o homem, estando bem mais perto dos lêmures atuais. As semelhanças superficiais dela com o grupo dos antropoides seriam explicadas por evolução convergente –ou seja, porque ambos os grupos adotaram estilos de sobrevivência parecidos.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u641583.shtml

Liberdade de expressão religiosa novembro 4, 2009

Posted by André Luiz in : Notícias , 1 comment so far
O governo italiano terá que pagar cinco mil euros de indenização por danos morais a Soile Lautsi, cidadã italiana de origem finlandesa, segundo uma decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo.

A sentença foi emitida hoje e refere-se a um recurso apresentado por Lautsi contra a exposição de crucifixos em instituições de ensino.

A Corte Europeia entendeu que a presença dos objetos em escolas constitui “uma violação dos pais em educar os filhos segundo as próprias convicções” e uma “violação à liberdade de religião dos alunos”.

A sentença é a primeira no âmbito de exposição de símbolos religiosos em locais de ensino.

Em 2002, Lautsi tinha pedido para o instituto público “Vittorino da Feltre”, localizado na cidade de Abano Terme, província italiana de Padova, frequentado pelos seus filhos, retirar os objetos. Mas a solicitação foi negada.

O Vaticano anunciou que não fará comentários antes de se informar sobre as motivações que levaram a Corte Europeia de Direitos Humanos a emitir a sentença contra a exposição de crucifixos em escolas. – Acredito que é preciso uma reflexão, antes de comentar o assunto – disse o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, durante uma coletiva de imprensa para apresentar uma convenção sobre imigração.

A mesma posição foi defendida pelo presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes, monsenhor Antonio Maria Vegliò. – Prefiro não falar desta questão do crucifixo porque são coisas que me dão muito desconforto – disse.

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/11/03/e031119978.asp